Crônica dos Campos Gerais: Cidade
Texto de autoria de Ingrid Aparecida Ditzel Felchak, professora aposentada, escritora e fotógrafa, natural de Prudentópolis e residente em Ivaí, escrito no âmbito do projeto Crônicas dos Campos Gerais da Academia de Letras dos Campos Gerais

Caminhei na direção do povoado. Os pés vagarosos eram picados pelas grimpas escondidas entre o capim. Os Campos Gerais estavam cobertos pela geada. O vento impiedoso rosou minha face e o chapéu de palha alçou voo frenético além das araucárias. A beleza encantou os olhos. Onde poderia estar?
Casas de madeira pintavam a paisagem com cores variadas. Nos telhados, a fumaça dançava enquanto saia das chaminés. Aproximei-me... Crianças brincavam de esconde-esconde nas ruas de terra. Pessoas passavam apressadas carregando cestos de mantimentos ou conduzindo animais. Nas áreas e cercas, roupas secavam. Ainda posso sentir o cheiro de pão assado. Acordei.
Olhei pela vidraça respingada de chuva. As araucárias cederam lugar ao concreto e o povoado à cidade. Uma metamorfose orquestrada pelo progresso. Na calçada, o corre-corre dos transeuntes. Agora não há mais silêncio. Buzinas fazem queixas em meio ao congestionamento dos automóveis. Observo o movimento. Duzentos anos entre o sonho e a realidade. Olho o relógio na cabeceira. Levanto apressado em uma luta frenética pela sobrevivência cotidiana. Percorro a distância entre a praça e o colégio. Os alunos estão à espera da primeira aula do dia.
Texto de autoria de Ingrid Aparecida Ditzel Felchak, professora aposentada, escritora e fotógrafa, natural de Prudentópolis e residente em Ivaí, escrito no âmbito do projeto Crônicas dos Campos Gerais da Academia de Letras dos Campos Gerais (Acesse aqui).





















