O vinho Txakoli e as belezas do País Basco

A jornalista Patrícia Ecave traz dicas para quem tem interesse em conhecer um pouco mais sobre a europa e sua rica culinária, com destaque para a degustação de vinhos. Confira o relato abaixo!

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A jornalista Patrícia Ecave traz dicas para quem tem interesse em conhecer um pouco mais sobre a europa e sua rica culinária, com destaque para a degustação de vinhos. Confira o relato abaixo! -

Da Redação

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A jornalista Patrícia Ecave traz dicas para quem tem interesse em conhecer um pouco mais sobre a europa e sua rica culinária, com destaque para a degustação de vinhos. Confira o relato abaixo!

Sempre em busca de experiências diferentes e que provoquem curiosidade, pesquiso continuamente sobre produtores e estilos de vinho e sempre que possível também me aventuro a prová-los. Exatamente há um ano, provei um vinho de nome exótico: Mendraka. Mais que o nome, o conjunto da obra despertou entusiasmo e interesse: o aroma, o paladar e a personalidade marcante. Ao pesquisar de onde viera tal vinho, encontrei os produtores localizados entre o extremo norte da Espanha e o extremo sudoeste da França, em um território cortado pela cadeia montanhosa dos Pirenéus e banhado pelo Golfo da Biscaia: o País Basco.

Por vez referido em função de sua conjuntura política, o País Basco é um destino inusitado. Com uma população que remete a uma história de mais de quatro mil anos na região, em narrativas que reúnem romanos, visigodos, mouros e francos, o local conserva muitos de seus traços culturais, exibidos em práticas nacionalistas e na manutenção de seu idioma, o Euskera, sem parentesco aparente com nenhuma outra língua.

De Portugal segui de avião rumo à Bilbao, capital de Bizkaia (ou Biscaia), uma das províncias do País Basco, ou da Comunidade Autônoma basca, juntamente com Álava (capital: Vitoria-Gasteiz) e Guipúscoa (capital: San Sebastián-Donostia).

Biscaia é um território histórico incluído na Comunidade Autônoma do País Basco e se localiza ao norte da Península Ibérica, na costa do Mar Cantábrico. A província de Biscaia é um dos territórios mais povoados do País Basco e sua capital Bilbao é conhecida mundialmente pela economia e pela sua arquitetura contemporânea, devido às vanguardistas construções, como é o caso do Museu Guggenheim. O interior de Biscaia ainda conta com importantes patrimônios culturais como Durango, Elorrio, Otxandio, Orduña y Balmaseda. É para Elorrio que segui buscando descobrir mais sobre aquele vinho exótico e diferenciado, o Txakoli.

O Txakoli etimologicamente vem de "etxeko ain" (apenas o suficiente para casa). A presença de vinhas em Bizkaia é antiga. A partir dos séculos XII-XIII, iniciou-se uma viticultura de autossuficiência e consumo local. Durante os séculos XIV e XV, os vinhos locais começaram a ser regulamentados e protegidos. A primeira evidência documental aparece em um texto de 1616 em que há uma referência ao 'vinho chacolin' para nomear o vinho local. Mas, no início do século XX, a concorrência dos vinhos estrangeiros e a industrialização, juntamente com a praga da filoxera, extinguiram boa parte dos 2.874 hectares registrados no censo de 1891. Apesar deste panorama problemático, o txakoli vivenciou um dos seus maiores momentos de esplendor ao final do século XIX e início do século XX, quando surgiram os "chacolines", tabernas de venda exclusiva de txakoli, nas quais também se servia bacalhau, lulas e até as enguias, num ambiente alegre e popular.

Em meados da década de 1980, um pequeno grupo de produtores promoveu a recuperação das vinhas e a melhoria da produção de txakoli em Biscaia. Este trabalho é reconhecido com a concessão em 1994 da "Denominação de Origem Txakoli de Bizkaia-Bizkaiko Txakolina". Atualmente o termo Txakoli-Txakolina é uma menção tradicional protegida por regulamentos europeus. O Conselho Regulador da Denominação de Origem Bizkaiko Txakolina é a entidade encarregada de proteger e garantir a autenticidade dos vinhos produzidos pelas vinícolas da região.

As vinhas estão presentes em toda a geografia da Biscaia. As plantações podem ser encontradas tanto em áreas muito próximas ao litoral, como em vales do interior, ou nas encostas de montanhas de altitude média, abaixo dos 400m. Em todos os casos, encontram-se bem orientadas, com boa exposição ao meio-dia, em meia encosta, bem drenadas e arejadas.

Com relação às condições climáticas, as temperaturas são amenas no verão, em especial pelo efeito regulador do mar, que favorece uma maturação lenta das vinhas. As chuvas variam entre 1.000 – 1.300 mm, sendo mais abundantes no inverno, primavera e parte do outono. A forma usual de cultivo é em treliça, com armações de plantio que variam entre 3 x 1,5 m. e 2,5 x 1,10 m. Os solos são variados, sendo geralmente rasos, ligeiramente ácidos e de textura franco-argilosa, sobre rocha calcária e marga, ligeiramente ácidos. O clima é atlântico, úmido e temperado.

Apesar de ser uma zona com menos luz devido às nuvens e condensação, os vinhedos recebem mais luz solar por desfrutarem de uma orientação especial. No início do outono, as primeiras tempestades atlânticas aproximam-se da Península Ibérica, gerando ventos de sudoeste, úmidos e temperados, conhecidos como ventos de abregos. Na vertente norte do Cantábrico, estes ventos geram um clima seco e quente devido ao efeito Föehn, gerando as condições ideais para atingir a maturação ideal antes da colheita.

As principais variedades de uvas são:

Hondarrabi Zuri: é a principal variedade costeira do País Basco, fator que diferencia o txakoli do resto dos vinhos do mundo. Aromático e saboroso.

Hondarrabi Zuri Zerratia: caracteriza-se pelo seu cacho mais fechado. Proporciona aromas florais e vegetais com leves notas de amargor.

Hondarrabi Beltza: para txakoli tinto. Produz vinhos aromáticos com sensações frutadas muito intensas.

Variedade de uvas autorizadas: Mune Mahatsa, Zkiriota, Izkiritoa, Izkiriota-ttippia, Sauvignon Blanc, Riesling e Chardonnay. Os tipos de Txakoli são brancos, brancos fermentados em barricas, rosas, tintos (vermelhos para eles) e os especiais de Vendímia ou colheita tardia. Vinhos de colheita tardia são de difícil produção na região devido às condições climáticas, estes são elaborados com uvas sobrematuradas, produzidos em vinhas registradas e com título alcoométrico natural superior a 15% Vol. Têm um período de envelhecimento em barricas de carvalho, cuja duração é fixada pelo Conselho Regulador com base nas características específicas de cada safra.

Espumantes: são vinhos com um processo de produção e envelhecimento semelhante ao método clássico ou champenoise. Sua peculiaridade é ter como vinho base o exclusivamente qualificado txakoli. Da mesma forma, o enchimento das garrafas no momento do dégorgement é realizado exclusivamente com este mesmo vinho. A cor varia do amarelo palha ao dourado, podendo apresentar reflexos esverdeados. Limpo e brilhante, com liberação persistente de bolhas. Aromas de média intensidade, frescos e frutados, que podem ser complementados com aromas secundários. Na boca são vinhos frescos, com um equilíbrio adequado entre acidez e açúcar. Apresentam notas que combinam as frutadas cítricas, como o abacaxi, com nuances de frutos secos.

Há poucos minutos de Bilbao, seguindo pela rodovia AP-8, o cenário logo surpreende: a época do ano (maio/junho) e a primavera trazem consigo uma atmosfera especial - a vegetação torna o cenário hipnotizante, ao mesmo tempo que transmite sentimentos como conforto e acolhida. Senti que fizera a escolha certa elegendo tal destinação.

O município de Elorrio fica a 44 km do aeroporto de Bilbao e conta com pouco mais de sete mil habitantes. Em 1964, tornou-se a primeira cidade de Biscaia a ser considerada um Bem de Interesse Cultural na Espanha: é detentora de um patrimônio histórico ímpar, com La iglesia de la Purísima Concepción, o antigo Portal de Don Tello e o curioso complexo funerário de Argiñeta, em frente à ermida de San Adrián, composto por túmulos e estelas da Alta Idade Média. Os “Caserios” também me despertaram interesse. Casas de campo, originárias do norte da Península Ibérica, são construções em pedra, podendo atingir os 15 metros de altura. Costumava ter um andar térreo onde eram instalados celeiros, cavalariças e outras dependências agrícolas, e um ou mais pisos superiores que serviam de habitação. O tamanho de sua planta costuma ser considerável, pois neles viviam todos os membros de uma família, juntamente com o gado e as pastagens coletadas que se localizavam em dependências integradas à mesma construção. Alguns Caserios se mantém tal como construídos outrora, enquanto outros preservam a estrutura externa, com adaptações internas próprias.

Tive a grata experiência de conhecer a Bodega Elizalde, instalada em um Caserio em Mendraka, bairro de Elorrio, a estrutura é densa, diferenciada e linda. Lá estava com toda a família aguardando a visitante da América do Sul. Fui recebida pelo Senhor José Luis, conhecido na região como “Txelu”, com mais de 30 anos de experiência na viticultura da família, por Arantxa sua irmã e os sobrinhos Asier e Maite. Por fim, juntou-se a nós um dos mais famosos enólogos da região: Mikel Garaizabal, que além de sommelier, também é licenciado em hotelaria, turismo e gastronomia.

Caminhando pela estrutura da Bodega Elizalde, José Luis me explicou sobre as condições e o terroir da região que apresenta a predominância do clima oceânico, de umidade constante e temperaturas moderadas. As castas (uvas) cultivadas pela Elizalde são as autóctones Hondarrabi Zuri, Zerratia, e é lá que se produz o encantador vinho Txakoli Mendraka, também nome do bairro no qual se localiza a Bodega. Neste ano será lançado mais um rótulo: o Mari, nome dado em homenagem a Deusa Mari, dama do Anboto, uma das montanhas mais destacadas do País Basco, não apenas pela sua importância geográfica, mas também pela relevância mitológica. Mari é a personagem mais conhecida da mitologia basca pré-cristã, também é conhecida como "a senhora de Anboto", "a senhora de Aralar", a senhora de Muru" ou "a bruxa de Aketegi” - é a personificação da mãe terra, rainha da natureza e de todos os elementos que a compõem. É possível ver perfeitamente Anboto da Bodega Elizalde.

Tive a grata satisfação de poder provar uma harmonização regional e tipicamente basca. Mikel Garazaibal preparou um Bacalhau al Pil Pil explicando passo a passo os ingredientes necessários e o modo de preparo, sobre os toques especiais e a habilidade  necessária para emulsionar a gelatina da pele do peixe com azeite, removendo a mistura lentamente e sem parar, para obter um belo molho. Compartilho um vídeo para quem quiser conferir a delicada técnicado preparo. 

Após quatro horas de preparo, José serviu Chipirones (termo basco para lulas) em sua própria tinta. Ambos os pratos harmonizam perfeitamente com os vinhos Mendraka e Mari - a ser lançado e que tive a feliz oportunidade de provar. Mikel ainda nos apresentou alguns queijos produzidos localmente como o Idiazabal, Ahumado e Saroi, todos maravilhosos.

Informações e reservas para a Bodega Elizalde podem ser solicitadas via telefone (00 34 94 682 00 00) ou email ([email protected]). Maiores informações também podem ser obtidas no site do Caserio: http://mendraka.com/.

No dia seguinte, a parada foi na Bodega Gorka Izaguirre, onde fui recebida por Bertol, um dos proprietários. Localizada em Larrabetzu, trata-se de uma vinícola familiar. Em 2005, com o objetivo de revitalizar a cultura gastronômica e vitivinícola da Biscaia, Eneko Atxa e o seu tio Gorka Izagirre conceberam um projeto único, aliando a alta gastronomia ao mundo do vinho, tornando-se referências em ambos os setores. O objetivo da adega hoje liderada por Bertol Izagirre e seu enólogo José Ramón Calvo é criar txakoli e vinhos de qualidade que reflitam a identidade de variedades únicas no mundo e seus arredores: Bizkaia. Os vinhos já estão presentes em mais de 15 países e receberam diversos prêmios internacionais. Ali são produzidos seis tipos, incluindo o raro colheita tardia, Arima.

A vinícola possui uma estrutura tecnológica sofisticada e com grande capacidade de produção de vinhos, anexa a um restaurante premiado com 3 Estrelas Michellin. Os vinhedos estão dispostos pela região e as poucas horas de sol são uma das dificuldades dos viticultores da região. Ao visitar um dos vinhedos e acompanhar o cultivo das vinhas, que contam com poucas horas de sol por dia, a aproximadamente 10 km do mar, Bertol Izagirre explicou a importância de se direcionar a vinha para uma boa exposição/orientação sul/sudeste, em virtude do clima atlântico, que oferece muita frescura aos vinhos e ótima acidez. As principais variedades cultivadas são Hondarrabi Zuri, Zerratia e Beltza; o solo é argiloso e não muito profundo, com pedras já podendo ser encontradas entre 40 cm a 1 metro de profundidade. Para Bertol, a variedade Hondarrabi Zuri traz mais um sabor mais frutado, acompanhado de frescura e acidez, enquanto a Hondarrabi Zerratia traz mais complexidade.

Gorka Izaguirre também investe em equipamentos tecnológicos para o processo de vinificação, o que resulta em uma capacidade de até 500 mil lts/a, sendo atualmente produzidos cerca de 300 mil lts/a. Durante a visita é oportunizada a degustação de vinhos, com harmonizações interessantes e singulares, momento em que são explicados os detalhes de cada rótulo produzido, conforme a escolha de cada visitante. Asvisitas podem ser reservadas pelo email e o site com informaçõs gerais.

Doniene Gorrondona foi outro ponto de parada, desta vez no município de Bakio, localizado a aproximadamente 25 min de Bilbao, onde fui recebida por Emma, mulher de conhecimentos profundos sobre o txakoli, tendo guiado a visita com maestria e informações sólidas sobre o processo de produção e principalmente o cultivo. Doniene é a única destilaria do país basco, produzindo 3 tipos de cachaça. Uma delas, produzida a partir de algas marinhas.

Com relação às castas, as uvas Hondarrabi beltza e Hondarrabi zuri são as mais cultivadas na propriedade. Atualmente, Doniene Gorrondona Txakolina tem 15 hectares (ha) de vinhas em produção. Suas vinhas estão localizadas nas encostas orientadas ao meio-dia em Bakio, crescem em propriedades com uma variedade de solos entre 0 e 250 metros acima do nível do mar.

Ema explicou que a região é protegida por uma cadeia de montanhas e recebem influência dos ventos norte vindos do Mar Cantábrico e as vinhas também estão posicionadas a sul e sudoeste para receber calor e luz necessária para crescer. As variedades cultivadas são Hondarrabi Zuri, Beltza e a branca Mune Mahatsa, esta em menor quantidade. Na Doniene também se usam rosas plantadas próximas às videiras para alertar possíveis pragas que possam prejudicar as uvas. Ema ainda destacou a importância de se fazer a poda corretamente para não interferir no produto final, sendo que ali as colheitas acontecem geralmente em outubro.

A Doniene é uma das poucas vinícolas que conta com a produção de espumante. O Apardune ( espumante em Euskera) é um Nature elaborado pelo método clássico, exclusivamente com castas autóctones, a Hondarrabi Zuri e 25% Mune Mahatsa. A loja e o espaço de degustação de vinhos são encantadores. As visitas podem ser realizadas diariamente, das 10h às 14h, agendadas com antecedência, com valores que variam de 15 a 135 euros, em conformidade com os serviços escolhidos. O email para reserva é [email protected] e mais detalhes no site

Bodegas Itsasmendi

Itsasmendi é uma vinícola com estrutura majestosa, criativa e fica em Gernika, na província de Biscaia. Ali fomos recebidos por Bingen Mendizabal, que nos guiou pelos diversos pontos da vinícola, nos quais foram realizadas degustações harmonizadas, até concluir a visita na adega principal, na parte interna da vinícola. A tecnologia empregada é impressionante! A Itsasmendi está localizada na reserva da Biosfera Urdaibai, plena de diversidade, natural, complexa e, portanto, um dos compromissos da empresa é o respeito ao meio ambiente. As encostas das montanhas junto ao Golfo da Biscaia dão origem ao nome da adega, referência direta à combinação entre o mar e os montes: “são 35 hectares de vinhas e a expressão do clima, do solo, da topografia, do microclima de cada parcela de vinha, o planejamento e gestão das vinhas são realizados com critérios enológicos respeitosos e inovadores, buscando sempre evoluir e crescer conforme esses princípios”, destaca Bigen.

Itsasmendi também trabalhou para recuperar a tradição do Txakoli na região, e ali as variedades cultivadas são Hondarrabi Zuri, Zerratia, a tinta Beltza, ainda Riesling, Chardonnay e, por fim, a Pinot Noir, recentemente permitida pela legislação local como variedade recomendada. Os estilos produzidos são os vinhos branco, rosé, tinto,  jovem, crianza, com passagem por barricas. Bingen também falou muito da modernidade e dos experimentos realizados pela vinícola que objetiva sempre inovar a produção, sobretudo acompanhando as variações climáticas dos últimos anos para seguirem produzindo vinhos de qualidade.

As degustações em cada ponto da vinícola foram grandes e criativas experiências, com cada rótulo sendo explicado detalhadamente. As instalações principais são primorosas, incluindo salas de barricas, ovos de concreto e equipamentos de última tecnologia, área de degustação e, claro, vinhos surpreendentes para atender o paladar exigente de qualquer enoturista, sempre respeitando e trabalhando em conjunto com o meio ambiente, dentro dos conceitos de sustentabilidade. Para agendar uma visita acesse este link.

Em Bakio também está localizado o Txakolingunea, museu dedicado ao vinho Txakoli. Através de audiovisuais e recursos interativos, o Museu Txakoli - Txakolingunea oferece a possibilidade de conhecer as características e o processo de elaboração do txakoli, um vinho singular, único e com caráter próprio. Ao visitar o museu, pude acompanhar muito da história e evolução que transformaram o txakoli e as vinícolas bascas: apesar de se apegarem aos valores da tradição, não se opõem ao uso de novas e diversificadas tecnologias, introduzindo os mais recentes avanços técnicos no processo de produção tradicional, do qual conseguiram reconhecimento e prestígio com esforço e dedicação. No museu também se explica que, embora o txakoli branco seja o mais conhecido e o de maior produção, existem vinícolas que também fazem o txakoli tinto e o txakoli rosa ou "olho de galo". O museu também oferece degustações ao final da visita.

Para mais informações, acesseo site. Agende sua reserva pelo email [email protected]

 É impossível estar no País Basco e não visitar atrativos relativos às suas belezas naturais. Uma das lindas localidades que tive a felicidade de conhecer foi o estuário de Urdaibai, uma área natural formada pela foz do rio Oka, no distrito biscaio de Busturialdea, no País Basco. Ocupa uma superfície de 220 km² e conta com uma grande riqueza ecológica qualificada como reserva da biosfera pela Unesco em 1984, recebendo o nome de Reserva de la Biosfera de Urdaibai, sendo também conhecido como estuário de Mundaca ou de Guernica. Por lá você vai encontrar as praias de Laida e Laga.

LAIDA: Linda praia que pertence ao município de Ibarrangelu. Com duas áreas de banho diferentes, uma com água corrente virada para a ria e outra aberta para o mar.

LAGA: Selvagem e aberta ao mar, está rodeada por uma paisagem verdejante presidida pelo Cabo Ogoño. Pertence ao município de Ibarrangelu, é um local ideal para o surf.

Ambas contam com infraestrutura, bares, sanitários, socorristas e locação de equipamentos para prática de esportes náuticos na alta temporada. Próximo dessas praias conheci o Hotel Gametxo, também localizado em Ibarrangelu, considerado um dos enclaves mais espetaculares da costa basca. Com localização privilegiada, em meio à paisagem basca, a hospedagem oferece várias atividades: spa com massagens, jantar, spa duplo, com vista para a montanha ou quarto superior com vista para o mar.

Para informações e reservas,acesse o site.

San Juan de Gaztelugatxe

Localizado no município de Bermeo, entre o Cabo Matxitxako e Bakio, desfruta de uma vista paradisíaca com grutas e arcos naturais e pequenas ilhas de recifes. Este modelo de erosão desenha uma paisagem de beleza ímpar que, juntamente com o interesse histórico da zona e a qualidade das suas águas, tornaram San Juan de Gaztelugatxe merecedora da sua classificação de biótopo protegido. San Juan de Gaztelugatxe é uma rocha de forma peninsular no meio do mar Cantábrico sobre a qual se ergue uma pequena ermida dedicada a San Juan, que é acessada por 241 degraus que sobem a encosta rochosa até chegar ao topo, situado a 262 pés acima do nível do mar. É uma rocha dominante que se parece com um castelo na água que antigamente se chamava Gaztelu-aitz (rocha do castelo) ou Gaztelu-gache (castelo acidentado ou difícil).

Para adquirir ingressos é preciso verificar com bastante antecedência. Para apreciar a uma certa distância um ponto estratégico é a partir do Restaurante Eneperi, que oferece uma grande estrutura para turistas, um bar com tapas e vinhos, um restaurante sofisticado e um espaço externo com mesa no sistema biergarten ao fundo do restaurante. De um jardim incrível se encontra uma vista deslumbrante de Gaztelugatxe, locação da sétima temporada de Game Of Thrones, tamanha beleza desse patrimônio natural. Há muitas outras atividades em Urdaibai que podem ser conferidas no link https://turismourdaibai.com/en/

Um outro local curioso que conheci foi a Necrópolis de Argiñeta, remanescente medieval. Localizada ao lado de uma pequena igreja e contendo sepulturas de diferentes padrões, dependendo da posição social e hierárquica dos membros da comunidade ali sepultados. Possivelmente, os indivíduos de estamentos vistos como socialmente inferiores eram enterrados diretamente em covas rasas. Ruínas dessas sepulturas ainda podem ser vislumbradas no local, onde eventualmente a comunidade ainda realiza festividades e atividades de entretenimento, uma ótima oportunidade de visitar o espaço. A principal atração desta necrópole reside no conjunto de lápides ou estelas e túmulos no interior e ao lado da capela, que podem ser datados dos séculos VII e VIII, embora alguns deles – sobretudo os que ostentam inscrições – possam ser do século IX. Em termos de valor histórico, essas estelas só podem ser comparadas às encontradas em outros locais semelhantes do norte dos Pireneus.

A gastronomia basca é uma descoberta à parte, composta de muitos pintxos, ensopados para comer de colher, como o marmitako, delícias do mar, como as kokotxas, ou o clássico para os amantes da carne: o txuletón. Em qualquer localidade do País Basco você poderá degustar uma infinita variedade de pratos tradicionais.