Editorial
O cidadão não pode ser punido pela ineficiência da Sanepar
Da Redação | 14 de fevereiro de 2026 - 02:50
Qual é a importância de Ponta Grossa para a Sanepar? Qual a necessidade de a empresa criar tantos transtornos no cotidiano dos moradores? A empresa companhia críticas recorrentes por conta do atendimento ineficiente, cortes indevidos de água e, recentemente, é alvo de reclamações sobre odor e gosto na água. Consumidores relatam dificuldades em canais de atendimento e problemas recorrentes no abastecimento.
É importante que lideranças de Ponta Grossa, além de entidades e órgãos como a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Procon, Associação Comercial, Ministério Público Estadual, com o comprometimento da Prefeitura e Câmara, solicitem explicações e providências urgentes diante das recorrentes reclamações sobre a qualidade da água fornecida à população, bem como cobranças abusivas nas faturas.
Nas últimas semanas, moradores têm denunciado problemas como mau cheiro, gosto estranho, água turva e presença de barro nas torneiras. Soma-se a isso o preço cobrado pelos serviços. Moradores reclamam de altas abusivas das faturas de fevereiro em relação as de janeiro. Trata-se de um serviço público essencial, que impacta diretamente a saúde e a dignidade das famílias. É inadmissível que a população fique sem água ou receba água em condições inadequadas para o consumo.
A Prefeitura requereu o envio de laudos atualizados, registros de ocorrências e informações sobre as medidas corretivas adotadas pela Sanepar. A decisão de notificar a Companhia foi debatida durante reunião do Conselho Municipal de Saneamento Básico. Na ocasião, a Secretaria Municipal de Meio Ambiente (SMMA) solicitou resposta urgente da empresa.
No ano passado, o Ministério Público do Paraná, por meio da 6ª Promotoria de Justiça, assinou Termo de Ajustamento de Conduta com a Sanepar). O acordo foi firmado porque entre fevereiro a maio de 2025, foram registradas interrupções no abastecimento de água em imóveis de diversos bairros de Ponta Grossa, as quais chegaram a superar o período de 24 horas, com impactos e danos à coletividade, incluindo suspensão de aulas, cancelamento de procedimentos hospitalares, interrupção na prestação de serviços públicos e privados em diversos setores, além dos efeitos da incerteza e da insegurança na população quanto à expectativa de normalização do abastecimento. Também foi destacado que as medidas emergenciais adotadas pela companhia não foram suficientes para diminuir os impactos na rotina da população, com prejuízos materiais e morais aos moradores e ao comércio em geral.
É inadmissível uma cidade com tantos recursos hídricos enfrentar uma crise da água em razão do descaso da companhia.