Dinheiro
Plataforma monitora cigarrinha-do-milho nas lavouras do Paraná
Ferramenta desenvolvida com auxílio do Sistema FAEP reúne dados que vão auxiliar produtores na tomada de decisão do manejo
João Bobato | 11 de fevereiro de 2026 - 04:35
Os produtores rurais do Paraná ganharam mais uma ferramenta de combate da cigarrinha-do-milho, praga que causa prejuízo nas lavouras do cereal. A plataforma CigarrinhaWeb, lançada na terça-feira (10), durante o Show Rural Coopavel, em Cascavel, centraliza os dados do monitoramento do inseto que transmite o complexo de enfezamentos, conjunto de doenças que gera perda de produtividade, queda na qualidade dos grãos e, em casos severos, até o tombamento das plantas. O evento contou com a participação de produtores rurais, líderes do setor e autoridades, como o presidente do Sistema FAEP, Ágide Eduardo Meneguette; secretários estaduais da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Aldo Nelson Bona, e da Agricultura e Abastecimento, Márcio Nunes; e o diretor presidente do IDR-Paraná, Natalino Avance de Souza.
A partir destas informações, produtores e técnicos poderão definir estratégias de manejo e controle de pragas. Isso porque a plataforma fornece um panorama confiável da distribuição e densidade populacional do inseto no Paraná. O site também armazena a série histórica, criando uma base de dados para futuras pesquisas.
“A cigarrinha-do-milho é uma ameaça à produção. Apoiar o desenvolvimento desta plataforma significa equipar o produtor com informação atualizada e em tempo real. É um investimento no conhecimento que se transforma em ferramenta prática para a defesa da nossa produção, dando transparência e agilidade ao monitoramento desta praga”, afirma o presidente do Sistema FAEP.
“Esse trabalho é fruto de uma grande parceria. Como produtor rural, conheço os desafios do campo e os danos causados pela cigarrinha. Por isso, acredito que essa ferramenta vem para somar”, reforça Nunes.
A ferramenta, que posiciona o Paraná entre os Estados com iniciativas estruturadas de monitoramento de uma das principais pragas da cultura do milho, é resultado do trabalho da Rede Paranaense de Agropesquisa e Formação Aplicada – Complexo de Enfezamento do Milho (Rede CEM), formada pelo Sistema FAEP, Fundação Araucária, Secretaria de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Seti) e Secretaria da Agricultura e do Abastecimento (Seab).
“Essa ferramenta vai ajudar o setor produtivo não só do Paraná, mas do Brasil, pois combate um dos principais problemas na produção do milho: a cigarrinha”, afirma Nelson Bona. “A cigarrinha faz com que o produtor gaste muito dinheiro, muitas vezes sem ser eficaz. Essa plataforma vai permitir aumentar a produtividade para a atividade mais importante do Paraná. Essa entrega é um avanço no campo”, complementa Avance de Souza.
NA PRÁTICA
O site exibe um mapa interativo com a localização das armadilhas adesivas instaladas nas regiões do Paraná e o número de insetos capturados em cada uma, com atualizações semanais. A plataforma consolida e torna público dados que antes ficavam restritos a produtores ou instituições individuais.
“Só em defensivos, foram gastos 76 milhões de dólares em 2024. Ou seja, se a plataforma tiver impacto de 10%, essa pesquisa já se paga várias vezes”, destaca o diretor de Ciência, Tecnologia e Inovação da Fundação Araucária, Luiz Márcio Spinosa.
O método de monitoramento com armadilhas adesivas é antigo e consolidado. No entanto, o Paraná se destaca como o único Estado a consolidar e disponibilizar publicamente esses dados por meio de uma plataforma digital interativa.
CARTILHA COM ORIENTAÇÕES
O Sistema FAEP, há anos, trabalha para orientar os produtores rurais em relação à cigarrinha. Antes mesmo da plataforma digital CigarrinhaWeb, essa frente de trabalho gerou a cartilha ”Manejo da cigarrinha e enfezamentos na cultura do milho”.
A luta contra a cigarrinha-do-milho é uma questão de segurança produtiva e econômica. Estudo recente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e da Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri) quantifica o impacto da praga. Entre as safras de 2020/21 e 2023/24, os prejuízos chegaram a US$ 25,8 bilhões no país, com uma perda de 22,7% na produção nacional, equivalente a 31,8 milhões de toneladas de milho por ano.
LEIA ABAIXO UM RESUMO DA NOTÍCIA
- Monitoramento Estratégico em Tempo Real: Lançada no Show Rural Coopavel, a plataforma CigarrinhaWeb centraliza dados sobre a cigarrinha-do-milho no Paraná. Através de um mapa interativo com atualizações semanais, produtores podem visualizar a densidade populacional do inseto e a localização de armadilhas, permitindo decisões de manejo mais rápidas e precisas.
- Impacto Econômico e Produtivo: A praga é responsável pelo "complexo de enfezamentos", que pode causar o tombamento de plantas e perdas severas de produtividade. Com prejuízos nacionais estimados em US$ 25,8 bilhões nos últimos anos, a nova ferramenta visa reduzir os gastos ineficazes com defensivos agrícolas, que somaram US$ 76 milhões apenas em 2024.
- Inovação e Cooperação Técnica: O Paraná se torna o único estado brasileiro a consolidar e tornar públicos esses dados digitais, fruto da Rede CEM (parceria entre Sistema FAEP, Fundação Araucária, Seti e Seab). Além de ajudar no controle imediato, o site cria uma série histórica inédita que servirá de base para futuras pesquisas científicas sobre a praga no Brasil.
Com informações: Sistema FAEP.