Dinheiro
Castro e Carambeí lideram a produção de leite no Brasil
Esse desempenho está diretamente ligado à força das cooperativas da região. Castrolanda, Frísia e Capal, sediadas nos Campos Gerais, formam o chamado Pool Leite, junto com Witmarsum e Coamig
João Bobato | 03 de abril de 2026 - 07:00
Os dois municípios que mais produzem leite no Brasil estão nos Campos Gerais, no Paraná. Castro e Carambeí somaram, em 2024, quase 800 milhões de litros, o equivalente a 2,2% da produção nacional, estimada em 35 bilhões de litros, segundo a Pesquisa da Pecuária Municipal (PPM 2024), do IBGE.
Esse desempenho está diretamente ligado à força das cooperativas da região. Castrolanda, Frísia e Capal, sediadas nos Campos Gerais, formam o chamado Pool Leite, junto com Witmarsum e Coamig. Em 2024, o grupo alcançou um marco histórico: 1 bilhão de litros de leite produzidos.
Esse volume é resultado do trabalho de mais de 560 produtores, distribuídos por municípios dos Campos Gerais e algumas cidades do interior paulista. Entre eles está a Fazenda Frísia, em Carambeí, uma das propriedades que se destacam pela escala e pela eficiência produtiva.
A fazenda é comandada por Bauke Dijkstra, associado à cooperativa Frísia. Em 2025, a propriedade ultrapassou a marca de 13 milhões de litros de leite, produzidos por um plantel médio de pouco mais de 900 vacas da raça holandesa. Na prática, isso representa uma média diária de 36 mil litros, volume que coloca a fazenda entre as 10 maiores do Paraná e entre as 35 maiores do Brasil.
A produtividade média é de 40 litros por animal por dia, cerca de seis vezes acima da média nacional e mundial, estimada em 6,5 litros. Alguns animais, no entanto, superam com folga esse número e chegam a produzir até 80 litros diários. Para Bauke, esse resultado não vem de um único fator. “São basicamente três fatores: conforto animal, qualidade da forrageira e genética. São os três pilares. Um sem o outro, não funciona. Não adianta ter genética e não ter conforto, não adianta ter conforto e não ter genética. E é trabalho de longo prazo, de rotina”, detalha.
A ordenha acontece três vezes ao dia, a cada oito horas, em um sistema totalmente mecanizado e sem contato humano. A sala de ordenha recebe 40 vacas por vez, e cada animal tem sua produção monitorada individualmente por equipamentos que analisam volume e qualidade do leite. “Esse serviço tem que ser bem feito por dia, com qualidade. Então, é muito treinamento, o pessoal tem que ser muito responsável”, diz Dijkstra.
A pecuária leiteira brasileira atravessa um momento de transformação estrutural, e o estado do Paraná, especialmente a região dos Campos Gerais, posiciona-se na vanguarda deste movimento. De acordo com o levantamento do MilkPoint, os 100 maiores produtores de leite do país ampliaram sua produção em 2025, atingindo uma média de 35.392 litros por dia. Esse avanço representa um crescimento de 8,72% em relação ao estudo anterior, com uma produção anual total de 1,29 bilhão de litros. As informações são da CNN Brasil.
O desempenho dessas propriedades revela um contraste nítido com a média nacional. Desde 2001, o volume produzido por esses grandes players saltou 443%, enquanto a produção formal de leite no Brasil cresceu 107% no mesmo período. No topo da pirâmide, o "Top 10" elevou sua média diária para 80.362 litros, um incremento de 11%. Somadas, as 100 maiores fazendas entregam 3,5 milhões de litros diariamente, o que corresponde a 4,74% de todo o leite captado formalmente no país.
A geografia do ranking reforça a hegemonia do Sul e Sudeste. Embora Minas Gerais lidere em número de fazendas (39), o Paraná ocupa a segunda posição com 23 propriedades. O destaque absoluto fica para os municípios paranaenses. Carambeí lidera o ranking nacional com oito propriedades entre as maiores, seguido por Castro, com sete.