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Sindilojas defende revitalização do Centro e cita impactos ao comércio

Presidente do Sindilojas, José Carlos Loureiro Neto, afirma que a revitalização pode impulsionar o comércio, ampliar a circulação de consumidores e fortalecer a economia

O projeto de requalificação urbana da região central de Ponta Grossa continua mobilizando representantes de diferentes setores da economia. Para o presidente do Sindilojas Ponta Grossa e Região, José Carlos Loureiro Neto, a proposta apresentada pelo Sindicato da Habitação e Condomínios (Secovi-PR) e aprovada pelo Conselho de Desenvolvimento Econômico de Ponta Grossa (CDEPG) representa uma oportunidade para fortalecer o comércio e atrair novamente a população ao Centro da cidade.

Segundo Loureiro, o Sindilojas apoia iniciativas que estimulem a atividade comercial e avalia que a revitalização pode contribuir para recuperar o protagonismo da região central.

"Tudo o que seja feito para fomentar o comércio, o Sindilojas é favorável. Conversei com alguns empresários que se demonstraram favoráveis à proposta. É preciso trazer de volta a população para o Centro, e a requalificação urbana certamente terá um papel importante para isso", afirmou.

O presidente do sindicato destaca que um dos principais desafios enfrentados atualmente pelo comércio central é a descentralização das atividades econômicas. Conforme ele, regiões como Uvaranas, Nova Rússia e Oficinas consolidaram polos comerciais capazes de atender às necessidades dos moradores, reduzindo o fluxo de consumidores no Centro.

"Esse movimento aconteceu em Ponta Grossa. As pessoas passaram a encontrar tudo o que precisam mais perto de casa. O desafio agora é encontrar um equilíbrio para que tanto os bairros quanto a região central continuem crescendo", explicou.

Na avaliação do Sindilojas, o comércio varejista deve ser um dos segmentos mais beneficiados caso o projeto seja implantado. Além das melhorias estruturais, Loureiro acredita que a curiosidade despertada pela revitalização poderá aumentar significativamente a circulação de pessoas na região.

"Uma área revitalizada naturalmente desperta interesse. Muitas pessoas vão querer conhecer o novo Centro, e esse aumento no fluxo pode fazer com que consumidores descubram lojas e estabelecimentos que antes passavam despercebidos", destacou.

Estacionamento e mobilidade preocupam comerciantes

Apesar do apoio ao projeto, o Sindilojas ressalta que algumas mudanças precisam ser tratadas com cautela. De acordo com Loureiro, comerciantes manifestaram preocupação com uma eventual redução das vagas de estacionamento e alterações no sentido das vias centrais.

Segundo ele, essas intervenções podem comprometer o acesso dos consumidores e gerar impactos negativos ao comércio.

"O que foi pontuado pelos comerciantes é que não haja redução das vagas de estacionamento nem mudanças no sentido das ruas da região central. Essas alterações podem interferir negativamente na atividade comercial", afirmou.

Segurança, trânsito e novos atrativos

Entre os fatores considerados essenciais para aumentar a circulação de consumidores no Centro, o presidente do Sindilojas destaca melhorias na mobilidade urbana e na infraestrutura para quem utiliza a região.

"Mais vagas de estacionamento favorecem a circulação de pessoas. Além disso, segurança, principalmente nos cruzamentos, faz com que mais pedestres utilizem a região com tranquilidade", disse.

Sobre a segurança pública, Loureiro reconhece o trabalho realizado pelas forças policiais e acredita que a principal questão está relacionada à percepção da população.

"Temos um trabalho ativo dos órgãos de segurança, com patrulhamentos e ações constantes. O que precisa ser trabalhado é essa percepção equivocada sobre uma possível falta de segurança. Existem ocorrências tanto no Centro quanto nos bairros", observou.

Outro ponto visto com entusiasmo pelo comércio é a proposta de criação de uma via gastronômica e a valorização dos espaços públicos. Para o presidente do Sindilojas, iniciativas voltadas ao lazer têm potencial para ampliar o movimento em horários e dias diferentes dos tradicionalmente voltados às compras.

"Quando há diferentes opções de comércio associadas ao lazer, como uma via gastronômica, a circulação de pessoas cresce e passa a ocorrer em diferentes dias e horários. Isso fortalece a economia local e faz o dinheiro circular de outras maneiras", concluiu.

Sobre o projeto de revitalização do Centro

Apesar da relevância histórica, econômica e simbólica do Centro de Ponta Grossa, a região está marcada pelo aumento de imóveis ociosos e pela necessidade de tornar a região mais atrativa para moradores e comerciantes. Com base nesse diagnóstico, um projeto de requalificação do Centro foi aprovado pelo Conselho de Desenvolvimento Econômico de Ponta Grossa (CDEPG). A proposta, apresentada pelo presidente do Secovi-PR, Carlos Tavarnaro, reúne mudanças urbanísticas, revisão da legislação e intervenções em espaços públicos, buscando devolver o protagonismo ao coração da cidade.

Segundo Tavarnaro, o projeto surgiu como uma inspiração nas capitais do Brasil, como São Paulo, Porto Alegre e, principalmente, Curitiba. O presidente conta que acompanhou o desenvolvimento do projeto na capital paranaense e reconheceu particularidades em comum com o centro de Ponta Grossa, motivação que o fez adaptar a ideia à realidade local.

Sobre os objetivos, Tavarnaro explica: “Consiste em levar a população novamente para o centro da cidade, que ficou durante algum tempo esquecida. O centro é a região onde tem a maior renda per capita. Então, existem muitos aposentados e pessoas que ganham bem e que não conseguem consumir, porque têm medo de sair quando o sol se põe. E o projeto é basicamente isso: ressignificar o centro da cidade”.

Para a presidente do CDEPG, Priscila Garbelini Jaronski, a revitalização do Centro tem potencial para impulsionar a economia local ao estimular a circulação de pessoas e fortalecer o comércio. Segundo ela, um espaço mais organizado e atrativo incentiva os moradores a voltarem a frequentar a região, gerando reflexo nos bares, restaurantes e hotéis.

Priscila destaca que os impactos da proposta vão além do comércio e devem alcançar outros segmentos da economia. Na avaliação dela, um Centro mais vivo também fortalece o turismo, uma vez que passa a oferecer outras experiências aos visitantes que vêm em busca de atrativos como o Parque Estadual de Vila Velha e o Buraco do Padre. “O turista busca um local para ele fazer um pernoite que tenha uma continuidade desse planejamento turístico”, diz.

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