Universidades e desenvolvimento regional no Paraná

Por Luiz Alexandre Gonçalves Cunha

Os últimos governadores do Paraná puderam dar à sociedade paranaense as boas notícias relacionadas ao crescimento e a melhora do padrão de qualidade das universidades estaduais públicas do estado.  O governador Ratinho Jr poderá vir a ser o portador de notícias ruins sobre estas instituições, porque se iniciou um processo de transição nas universidades, com a intensificação, sem precedentes, das aposentadorias de professores e agentes, como também pelas consequências de um longo processo de congelamento de salários. Centrado apenas na questão dos docentes, a não substituição dos professores efetivos por outros professores que não sejam de carreira afetará os cursos de graduação, pós-graduação e a captação de recursos para investimentos, custeio e recursos humanos. Com isso, os índices de avaliação das universidades tenderão a cair porque o Sistema das Universidades Públicas Estaduais começará a perder sua sustentação.

Os professores colaboradores e temporários, embora bastante competentes, porque, em sua maioria, são professores pós-graduados, não conseguem exercer as mesmas funções dos professores efetivos porque são sobrecarregados de aulas, não têm estabilidade e não são aceitos pelas agências de fomento para coordenarem projetos de pesquisa, extensão e convênios que são utilizados para financiarem equipamentos e recursos humanos. Porquanto, o governador terá que decidir como pretende enfrentar esta transição. A Nova Lei das Universidades, que acabou de ser apresentada, ainda não foi decifrada, mas há nela sinais de contenção significativa do Sistema, em nome da busca de eficiência administrativa, cujos resultados poderão afetar a preservação da qualidade das IES.

 O atual governo do Paraná tem afirmado que as sete universidades estaduais públicas são importantes agentes de desenvolvimento regional no Paraná.  Com toda razão, porque, pelo menos as cinco maiores universidades, apresentam estruturas e desempenhos que as fazem se destacarem em diversas avaliações nacionais e internacionais elaboradas por diferentes agências. Nas últimas três décadas, essas instituições atingiram um padrão comparável às universidades federais, porque investiram muito na qualificação dos seus professores efetivos, liberando-os para fazerem mestrado, doutorado e pós-doutorado. Além disso, definiram como prioridade nos seus concursos públicos a contratação de professores doutores. Os professores liberados qualificaram-se nas melhores universidades do país e do exterior. Os professores doutores incorporados são oriundos de universidades que, em sua maioria, são centros de excelência. Esses professores altamente qualificados promoveram a criação de cursos de mestrado e doutorado numa proporção admirável. A concentração de professores dedicados não apenas ao ensino, mas também à pesquisa e extensão permitiu a captação de recursos de custeio e investimentos significativos de agências de fomento federais e estaduais. Da mesma forma, foram captados recursos para aplicação em recursos humanos, equipamentos e tudo mais necessário ao funcionamento de universidades completas, com ensino, pesquisa e extensão. Em termos acadêmicos, os investimentos em qualificação de pessoal permitiram ampliação significativa de produção acadêmica de qualidade crescente.

O governador Ratinho Jr encontrou estas universidades montadas, correspondendo a uma obra construída por gerações de professores e agentes universitários que  trabalharam com dedicação porque conquistaram condições de remuneração e trabalho que são comparáveis às demais instituições de ensino superiores públicas federais e estaduais, como por exemplo, as três universidades estaduais públicas de São Paulo. O desafio é não apenas manter, mas permitir o crescimento deste Sistema, porque é um privilégio um estado como o Paraná contar com a amplitude e a qualidade das suas universidades estaduais, pois são elas que formam a maior parte dos profissionais que o próprio estado necessita nas suas redes de saúde e educação públicas, com também disponibilizam ao setor privado e demais áreas vinculadas ao setor público recursos humanos de alta qualificação.  No entanto, ainda se pode fazer muito mais no que se refere ao potencial que as universidades têm de contribuir para o desenvolvimento regional, como a Geografia Econômica demonstra com os casos clássicos, nacionais e internacionais, nos quais instituições de ensino superior correspondem ao motor do dinamismo de economias regionais, não apenas pela demanda que criam por bens e serviços, mas também pelas inovações tecnológicas que geram, motivando a criação e atração de empresas de diversos níveis tecnológicos para as regiões nas quais se localizam com a criação de empregos de qualidade e de todo um contexto social propício ao desenvolvimento sustentável e sustentado. Dessa forma, tem razão o governador quando visualiza a possibilidade do Paraná se transformar num grande parque tecnológico, mas para isso não se pode prescindir da contribuição de suas sete universidades estaduais.

Dr. Luiz Alexandre Gonçalves Cunha é Diretor  do Setor de Ciências Exatas e Naturais-SEXATAS

 

Capa da edição desta quarta-feira (14/08/2019) do JM

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