Cotidiano
PG aposta em 'Plano de Metas' para garantir desenvolvimento pleno
'Plano de Metas 2025-2028' da Prefeitura de Ponta Grossa visa estruturar o desenvolvimento municipal com foco em infraestrutura, mobilidade, tecnologia e sustentabilidade
Publicado por João Lourenço e Milena Batista | 11 de abril de 2026 - 07:00
Em seu segundo mandato como prefeita de Ponta Grossa, Elizabeth Silveira Schmidt (União) conduz a administração municipal diante de novos desafios, com foco em áreas como infraestrutura, urbanização e ampliação do acesso a serviços públicos essenciais. Como parte desse processo administrativo, o poder público estabelece o 'Plano de Metas' - acesse na íntegra aqui, a partir da página 26, instrumento que orienta as ações da gestão ao longo do período.
Apresentado pela prefeita, acompanhada dos secretários Cláudio Grokoviski, responsável pela Secretaria Municipal da Fazenda (SMF), e Edgar Hampf, da Secretaria Municipal de Projetos Estratégicos, em 29 de abril de 2025. O documento, divulgado durante uma audiência pública na Câmara Municipal de Ponta Grossa (CMPG), estabelece as prioridades e diretrizes da administração municipal para os próximos quatro anos, reunindo propostas construídas com a participação de diferentes áreas do governo.
Prevista na legislação municipal, a audiência teve como objetivo dar transparência ao plano e promover o diálogo com a população sobre as ações e investimentos planejados, especialmente em setores essenciais como saúde, educação e infraestrutura.
Neste 'Plano de Metas' da atual administração, referente ao período de 2025 a 2028, a gestão municipal estabelece como objetivo central a construção de uma cidade mais sustentável, com foco em transparência, preservação dos recursos naturais e melhoria da qualidade de vida da população. Entre as principais áreas de atuação, destacam-se educação, saúde, cultura, esporte e segurança.
Educação
Na área da educação, a Prefeitura definiu como meta alcançar 100% de atendimento à demanda por vagas nos Centros Municipais de Educação Infantil (CMEIs), por meio da implantação de novas unidades escolares, garantindo o acesso universal à educação básica. Outra proposta é a adoção do modelo 'Escola 4.0', baseado em projetos integrados e sustentáveis, com estímulo ao desenvolvimento intelectual, social e ambiental dos alunos. A proposta prevê, inicialmente, a implantação de uma unidade no Jardim Imperial, com metodologia diferenciada em relação ao modelo tradicional de ensino.
O plano também contempla a manutenção do fornecimento de uniforme completo, materiais escolares de qualidade, itens esportivos, equipamentos tecnológicos para professores e alunos, além de merenda adequada e saudável. Está prevista ainda a continuidade da valorização dos profissionais da educação, por meio do 'Plano de Cargos e Salários', e a ampliação do programa-piloto English for Kids para todas as escolas municipais, com a implementação do ensino de inglês na rede.
Entre as iniciativas educacionais, também está a manutenção do programa 'Sinapses Criativas' em todas as escolas e CMEIs da rede municipal. O projeto reúne ações como 'Escola Alfabetizada', 'Biblioteca Digital' e 'Gameteca', além do programa 'Criança SPOPE' (que envolve conceitos de planejamento, organização, poupança e empreendedorismo). Essas iniciativas são interligadas a projetos como educação financeira, educação fiscal, educação empreendedora (incluindo o programa Jovens Empreendedores Primeiros Passos - JEPP), 'Educa PG – Infância em Movimento', 'MEI na Escola', incentivo à economia local e 'Laboratórios de Aprendizagem Criativa (LAC)', entre outros.
Saúde
Na área da saúde, o 'Plano de Metas' prevê a ampliação e descentralização do acesso aos serviços, com foco na qualidade do atendimento e no fortalecimento de campanhas de prevenção, além da atenção à saúde mental e física da população até 2028.
Entre as principais propostas, está a consolidação da gestão plena da saúde, centralizando a administração em todas as etapas do atendimento. Também está prevista a implantação de quatro policlínicas multi-especialidades nas regiões Norte, Sul, Leste e Oeste, com o objetivo de ampliar a oferta de consultas e exames especializados.
Outras medidas incluem a criação de um 'Centro de Saúde' no antigo Mercado Municipal e de um Centro de Especialidades Odontológicas (CEO), além da ampliação do Centro de Atendimento à Criança, que deverá ser transformado no 'Super Posto de Atendimento Infantil (SuperPAI)', com duplicação da área de atendimento.
O plano também prevê a implantação de cinco pontos de atendimento com consultas gerais para atender à demanda espontânea das Unidades Básicas de Saúde (UBSs), a criação de quatro bases descentralizadas do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU), a disponibilização de UBSs itinerantes em dois ônibus, o reforço das equipes do Serviço de Atenção Domiciliar e a criação do primeiro ambulatório LGBTQIAPN+ do Paraná.
Entre outras ações, estão o atendimento, agendamento e confirmação de consultas por meio de WhatsApp em todas as UBSs e a implantação de bases descentralizadas de transporte municipal com ambulâncias 24 horas e equipes de enfermagem em regiões rurais como Itaiacoca, Guaragi e Uvaia.
Cultura
No eixo cultural, o plano estabelece o incentivo a atividades culturais e esportivas como forma de promover a integração social e o desenvolvimento comunitário. Entre os projetos previstos, estão a construção de um novo espaço para espetáculos com capacidade para 400 pessoas, a criação do Memorial da Imigração e o fortalecimento do Programa Municipal de Incentivo Fiscal à Cultura, com aumento de pelo menos 60% no valor destinado.
Também estão previstas a ampliação do programa 'Satélite Cultural', a criação de uma lei de bolsas de subsídio para a 'Conserva’s Big Band', a formação de uma fanfarra municipal com regime de bolsas de estudo e a ampliação das feiras de economia criativa. O plano inclui ainda o resgate de grupos folclóricos por meio de incentivos e a utilização de um caminhão-palco para atender eventos descentralizados.
Esporte
Na área do esporte, além da integração com ações culturais, o plano prevê a implementação de projetos como o 'RESOLVA!', voltado à promoção de atividades esportivas, a criação de academias públicas com equipamentos modernos e orientação profissional, além da ampliação dos programas 'Prata da Casa' e 'Bolsa Técnico'.
Segurança
Já na Segurança Pública, uma das propostas é a implementação de uma Polícia Municipal, condicionada à permissão legal em nível federal. Atualmente, esse modelo não está regulamentado, apesar da existência de propostas em tramitação. Nesse cenário, caberia aos municípios a criação e estruturação desse tipo de força.
Outras ações incluem a convocação de guardas municipais aprovados no concurso público de 2023, a estruturação da 'Muralha Digital', a criação de uma 'Divisão Antidrogas' na Secretaria Municipal de Cidadania e Segurança Pública (SMCSP) e de um grupamento de combate ao microtráfico.
O plano também prevê a ampliação do programa 'Vizinhança Segura' para todos os bairros, a criação de um grupamento de patrulha rural e o fortalecimento de ações voltadas à autonomia financeira de mulheres vítimas de violência.
Entre as medidas propostas, está ainda a elaboração do 'Pacto pela Vida PG', que prevê a formação de um grupo de trabalho com participação de forças policiais, Ministério Público, Poder Judiciário, sistema prisional e assistência social. O objetivo é atuar diretamente com famílias de indivíduos com histórico de comportamento violento e alta reincidência, buscando reduzir crimes contra a vida.
Além dos cinco eixos principais, o 'Plano de Metas' contempla outras áreas estratégicas, como assistência social, agricultura e pecuária, meio ambiente, abastecimento, trânsito e mobilidade urbana, geração de emprego e renda, desenvolvimento econômico, infraestrutura urbana e rural, eficiência da gestão pública e turismo.
De acordo com o documento, todos os eixos passam por um processo criterioso de planejamento, com definição de objetivos estratégicos, metas específicas por área e indicadores de desempenho. O acompanhamento inclui o comparativo entre o que foi previsto e o que foi efetivamente realizado em cada ano, além do monitoramento das ações planejadas.
Mais do que um conjunto de propostas, o 'Plano de Metas 2025–2028' funciona como um indicativo do rumo que a cidade pretende seguir nos próximos anos. No entanto, a efetividade dessas ações depende diretamente da execução, do acompanhamento dos indicadores e da capacidade de transformar planejamento em resultados concretos para a população.
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Especialistas defendem resultados qualificados
A equipe de Jornalismo do Portal aRede e Jornal da Manhã entrou em contato com especialistas para avaliar os benefícios de um plano de metas bem estruturado para o município.
Em entrevista, o conselheiro da área de Urbanismo do Grupo aRede, Henrique Wosiack Zulian, declarou que o plano de metas é fundamental por dar transparência e direção para a cidade. “Ele permite que a população entenda quais são as prioridades da gestão e cobre resultados”.
No entanto, segundo Zulian, o plano de metas não pode se limitar a uma lista de intenções. “O grande desafio é transformar essas metas em projetos qualificados, com desenho urbano, impacto real e clareza de execução. Sem isso, corre-se o risco de o plano ser mais um instrumento político do que técnico”.
Conforme o especialista, um plano de metas bem estruturado organiza prazos, finanças e prioridades, evitando decisões fragmentadas e reativas. “Ele permite integrar diferentes áreas, como mobilidade, urbanismo e meio ambiente, em uma mesma estratégia”.
Porém, ele afirma que, para melhorar a eficiência da gestão pública municipal, o plano de metas precisa estar acompanhado de capacidade técnica interna ou de mecanismos como concursos públicos de projeto, que garantam qualidade nas soluções adotadas e não apenas viabilidade burocrática.
Para Zulian, a definição de metas claras impacta na continuidade de projetos entre diferentes gestões por criarem compromissos públicos. “Quando bem definidas, com indicadores e etapas, elas deixam de ser ‘projetos de governo' e passam a ser ‘projetos de cidade'. Isso facilita a continuidade entre gestões”.
Contudo, de acordo com o conselheiro do Grupo aRede, a continuidade entre as gestões só se sustenta quando os projetos têm qualidade técnica e apoio da população. “Caso contrário, são facilmente abandonados ou descaracterizados”.
Já em relação ao crescimento ordenado da cidade, Zulian destacou que o plano de metas ajuda a evitar crescimento desarticulado, direcionando investimentos para eixos estruturantes. “No caso da mobilidade, por exemplo, não basta ampliar vias: é preciso pensar em rede. Isso inclui integrar diferentes modais, qualificar o espaço público e garantir que o crescimento urbano venha acompanhado de infraestrutura adequada, especialmente para pedestres e transporte coletivo”.
Segundo o especialista, o impacto do plano de metas é direto em áreas como saúde, mobilidade e educação. “Porque essas áreas dependem de organização territorial: uma cidade bem planejada reduz tempo de deslocamento e amplia o alcance dos serviços públicos”.
Para Zulian, na mobilidade, um plano bem estruturado pode ir além do asfaltamento e propor uma rede conectada de ciclovias, corredores exclusivos de ônibus e qualificação das calçadas, incentivando deslocamentos mais eficientes e saudáveis. “Cidades inteligentes investem em espaço público, no lazer e em modais mais saudáveis de locomoção, auxiliando na diminuição do estresse do sistema de saúde”.
Ao Portal aRede, ele afirmou que é possível reduzir obras inacabadas ou atrasos com um bom planejamento estratégico. “Em muitos casos, atrasos acontecem porque as obras são pensadas a partir de péssimos e incompletos projetos”.
Conforme o conselheiro do Grupo aRede, também vão para a obra projetos que estão em fase inicial, sem considerar desapropriações, licenças ambientais ou demais complexidades técnicas. “Um planejamento consistente antecipa essas etapas. Além disso, trabalhar com intervenções escaláveis, como o urbanismo tático, pode ajudar a testar soluções de forma rápida e com menor custo antes de partir para obras definitivas. Por exemplo, criar canteiros com bancos, vasos, totens informativos, lixeiras e árvores no lugar de uma vaga de automóvel e ir escalando”.
Zulian afirmou que um plano de metas ajuda a atrair investimentos para o município por transmitir previsibilidade e segurança. “Investidores buscam cidades que sabem para onde estão indo. Quando o município apresenta um plano claro, com prioridades e projetos estruturados, ele reduz riscos e aumenta a confiança”.
Porém, ele ressaltou que o plano de metas atrair ou não investimentos para a cidade depende da credibilidade da execução. “Não basta planejar, é preciso demonstrar capacidade de tirar do papel a partir de bons projetos arquitetônicos e urbanísticos”.
Por fim, o conselheiro do Portal aRede afirmou que a população deve participar não só na validação, mas na construção das propostas. “Isso garante que o plano reflita demandas reais e fortalece o senso de pertencimento”.
Além disso, segundo Zulian, o envolvimento popular aumenta a pressão por qualidade, como por ruas mais caminháveis, arborizadas, com mobiliário urbano e melhor aproveitamento do espaço público. “Hoje já existem soluções simples, como requalificar vagas de estacionamento para uso coletivo, ampliar áreas verdes e recuperar pavimentos históricos, como ruas em pedra que muitas vezes foram descaracterizadas pelo asfalto”.
Em entrevista ao Portal aRede, o professor de Tecnologia e Empreendedorismo, no curso de Engenharia de Computação da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), Luciano Döll, disse que ter um plano de metas é essencial para qualquer organização e é muito comum no mundo corporativo. “Não seria diferente na gestão pública. O planejamento estratégico do município confere ao munícipe a perspectiva de uma melhoria de qualidade de vida no longo prazo”.
Conforme o especialista, a gestão baseada em indicadores permite que haja um direcionamento independente da mudança de governo a cada quatro anos. “Para que a prefeitura possa cumprir metas com mais eficiência, o primeiro passo é a clareza das metas”.
Luciano comentou que, para o planejamento estratégico se concretizar, é necessária uma metodologia que consiga desdobrar os indicadores de longo prazo em objetivos de curto prazo. “Por óbvio, o desenvolvimento econômico do município depende da definição clara de onde se deseja chegar, o que se deseja atingir e do posicionamento de acordo com a vocação econômica”.
Segundo o professor, planejar estrategicamente não é decidir o que fazer, mas sim o que não fazer, o que eliminar, o que gera desperdício ou gasto de energia desnecessária. “Uma vez que haja esta clareza de posicionamento, consequentemente a atração de investimentos ganha força. Para que um plano de metas eficiente seja implantado, o principal desafio é ter visão de longo prazo, havendo uma coalisão entre governo e entidades”.
Por fim, ele declara que todas as partes interessadas precisam ser ouvidas e suas expectativas alinhadas. “E, claro, isso por si só é um desafio enorme que só se pode enfrentar com estratégias de governança muito austeras”.
Ao Portal aRede, Fabiano Gravena Carlin, diretor de Urbanismo da Associação Comercial, Industrial e Empresarial de Ponta Grossa (Acipg), declarou que um plano de metas é fundamental para estabelecer prioridades e dar direcionamento ao desenvolvimento do município. “Ele permite organizar ações de curto, médio e longo prazo, garantindo que o crescimento de Ponta Grossa ocorra de forma planejada, sustentável e alinhada às reais necessidades da população. Além disso, contribui para maior previsibilidade e transparência na gestão pública”.
Para o especialista, um plano estruturado otimiza a gestão ao definir objetivos claros, indicadores de desempenho e prazos. “Isso facilita o acompanhamento das ações, melhora a alocação de recursos públicos e reduz desperdícios. Com planejamento, a administração consegue tomar decisões mais assertivas e baseadas em dados, aumentando a eficiência e a qualidade dos serviços prestados”.
Conforme Fabiano, metas bem definidas e institucionalizadas ajudam a garantir a continuidade das políticas públicas, independentemente de mudanças de governo. “Elas criam um compromisso com a cidade, e não apenas com uma gestão específica, reduzindo descontinuidades e evitando que projetos estratégicos sejam abandonados ou reiniciados a cada ciclo político”.
De acordo com o diretor de Urbanismo, o plano de metas orienta a expansão urbana de forma equilibrada, evitando crescimento desordenado. “Ele permite integrar áreas como habitação, mobilidade, infraestrutura e uso do solo, promovendo um desenvolvimento mais harmônico, com melhor qualidade de vida para a população e menor impacto ambiental”.
Para Fabiano, na mobilidade, o plano de metas possibilita planejamento de sistemas mais eficientes. Na saúde, ajuda a dimensionar melhor a rede de atendimento e, na educação, contribui para a expansão adequada de vagas e estrutura. “Com metas definidas, essas áreas passam a evoluir de forma coordenada e consistente”.
Ele ressaltou que um bom planejamento reduz significativamente o risco de obras inacabadas ou atrasos. “Ao prever recursos, prazos, etapas e responsabilidades de forma detalhada, o município aumenta a capacidade de execução e controle. Além disso, melhora a gestão de contratos e o acompanhamento das obras”.
De acordo com Fabiano, um plano de metas bem estruturado demonstra organização, responsabilidade e visão de futuro, o que torna o município mais atrativo. “Ele também facilita parcerias público-privadas e sinaliza oportunidades concretas de investimento”.
Por fim, ele afirma que a participação da população é essencial. “Ela garante que o plano reflita as reais demandas da sociedade, aumenta a legitimidade das decisões e fortalece o controle social”.