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Ponta Grossa avança em projetos para inserir detentos no mercado de trabalho

Atualmente, 1.056 pessoas privadas de liberdade trabalham na região de Ponta Grossa; iniciativas do poder público e das parcerias público-privadas possibilitam um futuro melhor e mais cidadão aos detentos

'Projeto Mãos Amigas' é uma das iniciativas do Governo do Paraná
'Projeto Mãos Amigas' é uma das iniciativas do Governo do Paraná -

O Governo do Estado do Paraná triplicou a inserção de pessoas privadas de liberdade no mercado de trabalho no ano de 2025, em comparação a 2015. Seguindo esse cenário, Ponta Grossa também vem investindo, cada vez mais, em projetos que ressocializem as pessoas privadas de liberdade. E por meio de atividades laborais, a cidade ponta-grossense vem ganhando destaque a nível nacional, com iniciativas pioneiras.

Um dos principais projetos é de uma Unidade de Progressão de Ponta Grossa. Inaugurada em 2022 no Jardim Paraíso, as pessoas privadas de liberdade trabalham e estudam. O método empregado, que já foi tratado como modelo e pioneiro no Paraná, deu tão certo que representantes de outros estados já estiveram na unidade, para conhecer e o projeto ser expandido para outras unidades de progressão pelo Brasil.

Unidade de Progressão de Ponta Grossa, no Jardim Paraíso
Unidade de Progressão de Ponta Grossa, no Jardim Paraíso |  Foto: Fernando Rogala/aRede.
 

Além de trabalhar, as pessoas privadas de liberdade estudam – alguns até cursam o ensino superior por meio de aulas de universidades com Educação à Distância (EaD), pela internet. Entretanto, isso não é tudo: outros diversos detentos trabalham fora do local, seja em indústrias ou em instituições – inclusive, há projetos junto ao Operário Ferroviário Esporte Clube (Ofec).

Quem está neste local, é porque faz jus ao merecimento de ter uma oportunidade, com a chance de progredir na vida ao poder concluir os estudos e estar qualificado profissionalmente. Para ingressar, os presos passam por uma entrevista, para ver se têm condições de ficar nesse espaço. Os detentos selecionados não são apenas os de Ponta Grossa, mas de toda a regional.

Os trabalhos ocorrem tanto em canteiros internos, como no interior das unidades penais, quanto em empresas e órgãos parceiros. Alguns exemplos são: Tecnobloco, Hubner, S.A Metalúrgica, Braslar, Borrachas Rickli, Bandolin, Madeiras Galo, Kadesch e BR7 Sistemas. Assim como instituições e órgãos públicos como a Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG).

TRABALHOS DIRECIONADOS AO MUNICÍPIO

Outra iniciativa foi em maio de 2025. O processo de ressocialização contou com a participação de cinco pessoas privadas de liberdade (PPL), por meio de uma parceria entre a Penitenciária Estadual de Ponta Grossa II (PEPG II) e a Secretaria Municipal de Obras, para a manutenção, reforço e confecção de 13 bandeiras - incluindo a bandeira do município - que sofreram danos devido à constante exposição ao clima.

Na época, o trabalho foi realizado nas dependências da unidade prisional, com supervisão adequada e apoio técnico necessário para garantir a qualidade e durabilidade das bandeiras restauradas. A ação teve impacto no âmbito prisional ao promover a reinserção social por meio do trabalho, incentivando a disciplina, a rotina produtiva e a conexão com a comunidade.

Detentos restauraram bandeira de Ponta Grossa
Detentos restauraram bandeira de Ponta Grossa |  Foto: Divulgação/Polícia Penal do Paraná.
 

A participação em projetos como esse visa garantir alguns benefícios aos presos, conforme os subsídios estabelecidos pela Lei de Execução Penal (LEP):

- Remição de Pena: a cada três dias de trabalho, um dia é descontado da pena a cumprir;

- Remuneração: o trabalho deve ser remunerado, não podendo ser inferior a 3/4 do salário-mínimo;

- Qualificação Profissional: possibilidade de aprender um ofício e desenvolver habilidades para futura reintegração ao mercado de trabalho.

Para o diretor da PEPG II, Everton Rodrigo dos Santos, a “iniciativa mostra que é possível transformar a realidade por meio do trabalho. Envolver as pessoas privadas de liberdade em atividades produtivas contribui diretamente para a valorização pessoal, disciplina e, principalmente, para a ressocialização. Estamos orgulhosos do resultado e da dedicação de todos os envolvidos”, disse.

CIDADE TEM PROJETO PIONEIRO NO PARANÁ

Ainda em 2025, Ponta Grossa anunciou a criação de um projeto pioneiro em âmbito estadual voltado à ressocialização de mulheres privadas de liberdade: o ‘Mulheres de Aço’. Em uma solenidade oficial, foi celebrada a contratação, inicialmente, de 10 mulheres privadas de liberdade custodiadas na Cadeia Pública Hildebrando de Souza, por meio de um acordo com a empresa privada BR7 Sistemas de Armazenagem.

Denoir Marins, representante da BR7, afirma que a iniciativa nasce da observação da falta de participação feminina em programas de trabalho prisional e visa gerar dignidade, emprego e qualificação às pessoas privadas de liberade. O projeto foi lançado no Distrito Industrial de Ponta Grossa com a participação de autoridades e representantes do sistema de justiça e segurança pública.

Segundo os organizadores, as mulheres contratadas passaram a integrar o quadro de trabalhadores da empresa e são tratadas como quaisquer outros funcionários, sem diferenciação, o que amplia as perspectivas de reinserção social após o término da pena. A proposta surgiu de um diálogo entre a empresa e o Departamento Penitenciário do Paraná (Depen), ainda em 2024.

SISTEMA CARCERÁRIO REGIONAL TEM SUPERLOTAÇÃO

Dados do ‘Mapa Carcerário do Paraná’, mantido pela Polícia Penal do Paraná, mostram que o sistema prisional estatal abriga cerca de 41,5 mil pessoas privadas de liberdade, embora a capacidade total seja de aproximadamente 30,3 mil vagas, o que representa um déficit de mais de 11 mil vagas. A regional de Ponta Grossa, que inclui nove municípios, apresenta superlotação.

Segundo os últimos dados, hoje são aproximadamente 3,5 mil detentos para 2.278 vagas - mais de 1,2 mil internos além da capacidade. Do total da população carcerária da regional de Ponta Grossa, cerca de 95% são homens e 5% mulheres – também são inclusas as cidades de Arapoti, Castro, Jaguariaíva, Ortigueira, Sengés, Telêmaco Borba, Wenceslau Braz e Lapa.

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Paraná amplia trabalho prisional e triplica número de detentos empregados

No Paraná, hoje são 15.015 pessoas privadas de liberdade que exercem trabalhos em canteiros próprios do sistema prisional, cooperativas ou projetos de artesanato, frente a 4.623 há 10 anos. A Secretaria da Segurança Pública do Paraná (SESP) ampliou as políticas e oportunidades de ressocialização. Do total, cerca de 5 mil pessoas estão trabalhando em empresas privadas e órgãos públicos.

O Paraná vive um momento de expansão das atividades laborais, educativas e de capacitação profissional no sistema prisional. Oficinas, aulas, canteiros de trabalho e projetos de produção passaram a ocupar um espaço central na rotina das unidades, criando novas oportunidades de reintegração. A estratégia abrange desde a realização de atividades produtivas internas até a formação de parcerias.

“Nossa responsabilidade enquanto gestão é incentivar ações que devolvam dignidade, qualificação e oportunidades às pessoas privadas de liberdade. A execução penal não se limita ao cumprimento da pena. Ela precisa oferecer caminhos reais de mudança”, destaca a diretora-geral da Polícia Penal do Paraná (PPPR), Ananda Chalegre.

De acordo com ela, os canteiros de trabalho têm se consolidado como um dos principais instrumentos de ocupação produtiva, reunindo desde serviços internos, como lavanderia, manutenção e jardinagem, até linhas de produção mais complexas, que incluem fabricação de blocos de concreto, confecção de uniformes, marcenaria, costura e oficinas industriais.

PROJETOS AVANÇAM POR TODO O ESTADO

Em setembro de 2025, a PPPR inaugurou um barracão de 4 mil m² na Penitenciária Estadual de Francisco Beltrão - abrindo de imediato mais de 450 vagas de trabalho para pessoas privadas de liberdade. O avanço dos programas foi impulsionado por parcerias firmadas com o setor produtivo, além de instituições de ensino. Empresas privadas e cooperativas ampliaram a oferta de vagas e modernizaram espaços.

Além das frentes produtivas, o sistema prisional também intensificou ações educativas e atividades voltadas à cidadania. Iniciativas como cursos profissionalizantes, programas de leitura, oficinas de competências comportamentais e projetos culturais reforçam a perspectiva de ressocialização. Em 2025, essas ações consolidaram uma política que alia trabalho, educação e desenvolvimento humano.

“Ao longo de 2025, vimos uma série de iniciativas se consolidarem - desde novos canteiros de trabalho até ampliações em cursos e projetos de capacitação - demonstrando que é possível conciliar segurança, oportunidade e desenvolvimento. Quando investimos em trabalho e formação, os resultados retornam para toda a sociedade”, destaca a diretora da PPPR, Ananda Chalegre.

Para aumentar a capacidade de custodiados trabalhando, a Polícia Penal tem criado barracões para que essas pessoas exerçam as atividades, além de ampliar a parceria com empresários locais e implementação de Unidades de Progressão. “A responsabilidade que temos com as pessoas que fazem parte do sistema prisional é garantir a reinserção social”, afirma Hudson Leôncio Teixeira, secretário de Segurança Pública.

Imagem ilustrativa da imagem Ponta Grossa avança em projetos para inserir detentos no mercado de trabalho
|  Foto: Arquivo/AEN.
 

DETENTOS RECONSTROEM RIO BONITO DO IGUAÇU

Em novembro de 2025, o município paranaense foi atingido por um forte tornado, com ventos de quase 300 km/h. A cidade foi destruída e pessoas morreram na tragédia. Entretanto, para auxiliar na reconstrução da cidade, pessoas privadas de liberdade contribuíram para o recomeço de Rio Bonito do Iguaçu. Na época, mais de 80 custodiados, incluindo de Ponta Grossa, participaram dos trabalhos.

As ações incluiram recuperar escolas, espaços sociais e prédios administrativos essenciais. Na ‘Creche Pedacinho do Céu’, foi concluída a limpeza completa interna e externa, com retirada total dos escombros deixados pelo desastre. No CMEI Dona Laura, além da limpeza geral, os custodiados finalizaram a cobertura do prédio, garantindo proteção contra as chuvas.

Os trabalhos também foram realizados no Colégio Estadual Ludovica Safraider, a unidade mais danificada. O esforço abrangiu ainda a Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE’s) do município, que recebeu ações de limpeza, organização e suporte para restabelecimento das atividades e o destacamento da Polícia Militar do Paraná (PM/PR).

PROJETO ‘MÃOS AMIGAS’ CONTRIBUEM COM ESCOLAS

O programa ‘Mãos Amigas’, executado pelo Instituto Paranaense de Desenvolvimento Educacional (Fundepar), emprega, em média, 164 pessoas privadas de liberdade (PPL) por mês para o trabalho de manutenção e reparos da infraestrutura escolar na rede estadual de ensino. Até setembro de 2025, cerca de 1,5 mil oportunidades foram criadas, com quase 400 unidades escolares atendidas.

Seguindo a lógica do 'ganha-ganha', o ‘Mãos Amigas garante eficiência na manutenção das escolas estaduais e beneficia as pessoas privadas de liberdade, pois a cada três dias trabalhados elas têm um dia de redução de pena. “É o único programa no Brasil de nível estadual, que utiliza mão-de-obra de pessoas privadas de liberdade para a manutenção escolar”, explica Roni Miranda, secretário de Educação do Paraná.

Com prestações de serviço espalhadas por todo o Estado, em algumas regiões o programa tem conquistado destaque. No Núcleo Regional de Educação (NRE) de Guarapuava, experiências de sucesso com o Programa Mãos Amigas têm comprovado a eficácia da ação, tanto nos serviços prestados às escolas, quanto na reinserção das pessoas privadas de liberdade.

Um exemplo é o Colégio Estadual Cívico-Militar (CCM) Mahatma Gandhi onde, desde 2023, o programa se faz presente. Ao longo dos últimos anos, a prestação dos serviços realizados por meio do programa foram essenciais para garantir a manutenção da instituição de ensino. Numa das ocasiões, um forte vendaval destelhou boa parte da escola, em plena semana das crianças.

“Todos os nossos pavilhões foram atingidos. Isso foi em 12 de outubro de 2023. Era feriado, a escola ficou acabada. Lembro de chegar às 4h. Chovia dentro das salas, estávamos sem telhado. Foram colocadas duas equipes à nossa disposição. Eles vieram de prontidão, às 7h do dia 13. Fizeram toda a limpeza, retiraram os entulhos e o que tinha sobrado em cima do telhado, colocando a escola em ordem”, lembra a diretora.

Gesnei Paulo de Araújo, de 38 anos, é empreendedor e ex-integrante do programa. Com experiência em serviços de pintura e manutenção, ele passou a ser reconhecido pela excelência dos seus serviços em 23 colégios de Guarapuava e região. Também ensinou outras pessoas privadas de liberdade a aprimorarem suas habilidades. “Ensinei a ter paciência e concluir um trabalho bem feito”, acredita.

Hoje, 14 Núcleos Regionais da Educação possuem o termo de cooperação realizado com o ‘Mãos Amigas’, o que facilita para as escolas abrangidas por estes NREs terem acesso acesso ao programa.

PESSOAS PRIVADAS DE LIBERDADE TÊM REMUNERAÇÃO

Todas as empresas que contratam a mão de obra prisional pagam ao preso 3/4 do salário mínimo. Desse valor, eles podem autorizar que um familiar saque até 80% do dinheiro. O restante fica em uma conta-poupança prisional do detento, que só poderá ser utilizada quando ele cumprir sua pena.

A Secretaria da Segurança Pública do Paraná também foi contemplada com o ‘Selo Nacional de Responsabilidade Social pelo Trabalho no Sistema Prisional (Resgata)’, um reconhecimento à oferta de atividades profissionais aos detentos. Também foram certificadas 21 empresas do Paraná por empregarem mão de obra de presos e egressos.

O selo concedido pelo Departamento Penitenciário Nacional tem o objetivo de divulgar empreendimentos e organizações que apoiam a causa, para promover e incentivar novas adesões.

LEIA ABAIXO UM RESUMO DA NOTÍCIA

- Ressocialização pelo trabalho e estudo: Ponta Grossa se destaca nacionalmente com projetos que inserem pessoas privadas de liberdade no mercado de trabalho e na educação, como a Unidade de Progressão inaugurada em 2022, onde detentos trabalham, estudam e até cursam ensino superior a distância.

- Parcerias e iniciativas pioneiras: a cidade mantém convênios com empresas e instituições públicas para empregar detentos, além de projetos como o “Mulheres de Aço”, voltado à ressocialização feminina, e ações municipais que utilizam mão de obra prisional em serviços como manutenção de bandeiras.

- Contexto de superlotação: apesar dos avanços, a região enfrenta déficit de vagas no sistema prisional, com cerca de 3,5 mil detentos para 2.278 vagas, reforçando a importância de programas que promovam disciplina, qualificação e reintegração social.

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