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No ano do centenário, Iraty Sport Clube sofre com dívidas

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Prestes a completar 100 anos, o tradicional Iraty Sport Clube perdeu parte do seu patrimônio, que foi a leilão na manhã última terça-feira (15). O motivo é uma dívida trabalhista não quitada. A área, que foi arrematada por R$ 223.200,00 por um grupo empresarial da cidade, possui 1.860 m2 e está localizada no estacionamento da área social do clube, próximo as piscinas e sauna.

O leilão foi promovido pela Justiça do Trabalho de Irati. O terreno do clube foi arrematado pelo preço mínimo, sendo que sua avaliação era de R$ 372.000,00. O valor arrecadado pela área leiloada será usado para pagar débitos trabalhistas ao atleta Everton Raboili, que nunca ao menos teria jogado no Iraty, mas era registrado no clube.

O atleta ingressou com uma ação em Farroupilha, no Rio Grande do Sul e venceu. Além do valor da indenização, ainda ganhou uma pensão vitalícia (para toda a vida), que deve ser paga todos os meses. Segundo informações de bastidores, ele teria se machucado, não podendo mais voltar a jogar e esse teria sido o motivo da procura pela Justiça do Trabalho.

O Iraty Sport Clube pagou valores correspondentes à ação do ex-jogador, que passava de R$ 200 mil. Porém, um débito de R$ 96.000,00 ficou a ser pago e teve como desfecho o leilão para quitá-lo.

Em abril de 2012, a Folha publicou uma reportagem investigativa que trouxe a público que em decorrência de acordos não cumpridos com a Justiça do Trabalho parte do patrimônio do Iraty havia sido penhorado como garantia de pagamento. Na época, o ex-presidente do clube, Geraldo Campagnoli, garantiu todas as contas seriam pagas e que a área seria mantida.

Diversos outros atletas e ex-funcionários ingressaram com ações contra o clube. Na matéria publicada em 2012, consta que elas são originárias entre 2007 e 2011, período em que o Azulão era presidido pelo empresário Sergio Malucelli - sendo que a maioria delas não cita a SM Sports - empresa do ex-presidente do Azulão, que gerenciava os jogadores.

Atualmente, além da ação de Everton Raboili, há mais duas de ex-funcionários do clube. Porém, de valores menores.

No vermelho

O contador Jorge Ruteski, que desde janeiro deste ano está à frente da presidência do Iraty Sport Clube, ao lado de Arnaldo Novelo Maciel, expõe que a situação não é nada boa. Além de verem o patrimônio se desfazendo por pendências com a Justiça do Trabalho, ainda herdaram uma série de problemas deixados pelos ex-diretores. "Com esse leilão se perde uma parte da história do Iraty. Quem ama o clube está sentindo. É uma vergonha o que aconteceu", fala o presidente.

Ruteski conta que receberam a informação que a área seria leiloada no dia 3 de abril e que de imediato foi acionada a SM Sports, em Londrina, sobre o que estava ocorrendo. "Até o dia do leilão não recebemos nenhuma resposta deles", expõe.

O presidente do Iraty comenta que a diretoria, inclusive o Conselho Deliberativo, presidido por Hélio Salmon - ex vice-presidente do clube - será reunida para decidir os rumos que serão tomados diante da situação. "Durante 20 anos não foi feito acompanhamento de nada pela diretoria. Não há registro algum, nem atas", explica Ruteski, que é enfático ao dizer que o caso chegou a esse ponto por falta de responsabilidade dos ex-dirigentes.

Ele conta que dívidas também estão acumuladas e que não há dinheiro em caixa para fazer investimentos no clube. Os débitos são desde no comércio local, títulos protestados, INSS e fundo de garantia. Somente na Procuradoria da União a dívida chega a R$ 500 mil.

Ruteski diz que desde que assumiram o clube estão tentando reerguê-lo. "Conseguimos trazer 60 sócios e estamos resolvendo problemas. Também procuramos abrir o Iraty para a comunidade. Eu acredito que com a ajuda de todos vamos conseguir colocá-lo no seu devido lugar, que sempre foi de destaque no Paraná", comenta.

Texto de Kelly Ramos, da Folha Irati.

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