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Arouca cobra punição por racismo e critica impunidade

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Gabriel Sartini

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Em nota oficial, o volante Arouca, do Santos, apontou como “inaceitáveis” as ofensas racistas dirigidas a ele na noite de quinta-feira, em Mogi Mirim. Enquanto dava entrevistas a repórteres na saída do estádio Romildão, após a vitória por 5 a 2 do Santos em cima do Mogi Mirim, o jogador foi hostilizado e chamado de “macaco” por um grupo de torcedores do time da casa. Os xingamentos foram registrados pela rádio ESPN – no texto, o atleta admite não ter ouvido as ofensas.

Destaque santista no jogo e autor de um gol de voleio, Arouca afirma que o ato racista o deixou decepcionado e “acabou com a alegria pela boa atuação do nosso time, pelo belo gol que fiz, ou seja, pelo o que deveria ser a essência do esporte”. O volante cobra que os autores sejam “severamente punidos” e alerta que a “impunidade e conivência das autoridades com as pessoas que fazem esse tipo de coisa são tão graves quanto os próprios atos em si”.

Santos entra com pedido de abertura de inquérito

Em seu site oficial, o Santos informou que encaminhou à Federação Paulista de Futebol (FPF) um pedido de abertura de inquérito para apurar os atos de discriminação contra Arouca. O clube salientou que racismo é crime previsto em lei, além de ser um grave ato de violência, e afirma que espera que o caso seja investigado e os responsáveis, punidos.

Leia a nota do volante Arouca na íntegra:

Na saída do jogo desta quinta-feira, contra o Mogi Mirim, fui alvo de insultos racistas de um torcedor do time adversário. É lamentável e inaceitável que ainda haja espaço para esse tipo de coisa hoje em dia. Isso só mostra que o ser humano ainda tem muito a evoluir e a crescer, que não estamos nem perto de um mundo que viva a harmonia entre as pessoas e todas as suas diferenças.

Tenho muito orgulho das minhas origens africanas, que foi o que o sujeito tentou usar para me ofender, dizendo que eu deveria procurar alguma seleção de lá para jogar. Dando a entender que um negro igual a mim não serviria para defender a seleção brasileira. Como se algumas das páginas mais bonitas da história da nossa seleção não tivessem sido escritas por jogadores como Leônidas, Romário e pelo Rei Pelé, também negros. Não ouvi os gritos de ‘macaco’ que alguns repórteres disseram ouvir, mas, caso tenha realmente acontecido, é ainda mais triste.

Eu sei muito bem de onde venho e de toda a minha luta para chegar onde cheguei. Por isso, sentir na pele o que aconteceu comigo hoje – logo depois do que fizeram com o Tinga outro dia e também do caso do juiz no Rio Grande do Sul – me deixa muito decepcionado. Acabou com a alegria pela boa atuação do nosso time, pelo belo gol que fiz, ou seja, pelo que deveria ser a essência do esporte.

O futebol é um espelho da nossa realidade, e isso não se resume apenas a xingamentos racistas. Continuam matando e morrendo por torcerem por um time diferente do outro. Espero, sinceramente, que casos como esse sejam severamente punidos, pois, enquanto isso não acontecer, nada vai mudar. A impunidade e a conivência das autoridades com as pessoas que fazem esse tipo de coisa são tão graves quanto os próprios atos em si. Somente discursos e promessas não resolvem a falta de educação e de humanidade de alguns.

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