Apenas 35 mil votos foram registrados após as 17h; Lula ganhou por 4,4 milhões
Dados contrariam narrativa bolsonarista de que prorrogação do horário de votação teria afetado o resultado final das eleições

A votação realizada após as 17h no segundo turno das eleições presidenciais somou 35.521 votos em todo o Brasil. O número é citado em meio à contestação do senador Flávio Bolsonaro (PL) ao resultado que confirmou a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Lula venceu a disputa com 64,2 milhões de votos, equivalentes a 51,79% dos válidos, contra 59,8 milhões (48,21%) de Flávio. A diferença entre os candidatos foi de aproximadamente 4,4 milhões de votos.
A discussão envolve uma decisão do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou a extensão do horário de votação por duas horas diante de problemas no transporte de eleitores. Integrantes do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ouvidos reservadamente, avaliam que o pedido de anulação apresentado pelo senador não deve prosperar, considerando que a medida não teria alterado o resultado final.
Outro ponto envolve a própria campanha de Flávio Bolsonaro, que acionou a Justiça Eleitoral para solicitar a prorrogação do horário de votação em municípios do Paraná, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo e Minas Gerais, devido às fortes chuvas.
Divergência entre STF e TSE
A discussão sobre a extensão do horário começou quando técnicos do TSE recomendaram manter o encerramento da votação às 17h, alegando falta de dados consolidados sobre os problemas no transporte público.
Por volta das 16h, o presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, deu prazo de 30 minutos para que o Tribunal Regional Eleitoral da Bahia apresentasse esclarecimentos sobre a situação.
Diante da indefinição, a coligação de Lula acionou o STF às 15h46. Zanin foi definido como relator às 16h29 e determinou a prorrogação da votação. A decisão foi divulgada à imprensa às 17h03.
Um minuto depois, às 17h04, a Procuradoria-Geral Eleitoral apresentou parecer contrário à mudança do horário previsto em lei.
“A despeito da gravidade das notícias veiculadas, o horário de votação fixado por lei deve se manter inalterado, sem prejuízo de os fatos narrados serem devidamente apurados com a responsabilização dos envolvidos nas esferas apropriadas – inclusive quanto a eventual abuso de poder, caso demonstrada a gravidade dos fatos com afetação da legitimidade do pleito. Por fim, reitera-se a necessidade de se assegurar o direito ao voto aos eleitores presentes até as 17h no local de votação”.
Prorrogação restrita a seções abertas
A decisão de Zanin provocou divergências entre integrantes das duas Cortes. Aliados de Nunes Marques consideraram a medida uma interferência indevida na atuação do TSE. Já magistrados próximos a Zanin argumentaram que o presidente da Justiça Eleitoral demorou a agir diante dos problemas que poderiam comprometer o direito ao voto.
Com os Tribunais Regionais Eleitorais alertando para a impossibilidade de reabrir urnas cuja votação já havia sido encerrada, Nunes Marques convocou uma reunião de emergência. Após conversar por telefone com Zanin, ficou definido que a prorrogação seria aplicada somente às seções que ainda estavam abertas.
Após a consolidação do resultado, Nunes Marques declarou publicamente confiança na segurança do sistema eletrônico de votação e confirmou o resultado que reelegeu Lula.
Flávio Bolsonaro, por sua vez, não reconheceu a derrota e anunciou que pretende recorrer aos tribunais para pedir a anulação do segundo turno.
RESUMO
Votos após as 17h: Cerca de 35,5 mil votos foram registrados após o horário previsto inicialmente para o encerramento da votação.
Prorrogação do horário: O ministro Cristiano Zanin, do STF, autorizou a extensão por duas horas devido a problemas no transporte de eleitores, mas a medida ficou restrita às seções ainda abertas.
Contestação do resultado: Flávio Bolsonaro anunciou que pretende recorrer à Justiça para tentar anular o segundo turno, vencido por Lula com diferença de aproximadamente 4,4 milhões de votos.



