Oposição pede impeachment de Zanin após prorrogação da votação
Parlamentares questionam decisão do ministro do STF de estender o horário eleitoral até as 19h; senador eleito afirma que irá protocolar pedido no Senado

Integrantes da oposição no Congresso Nacional anunciaram, neste domingo (25), medidas para pedir o impeachment do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), após a decisão de prorrogar o horário de votação do segundo turno das eleições de 2026 até as 19h.
O deputado federal e senador eleito Marcel van Hattem (Novo-RS) afirmou que protocolaria um pedido de impeachment contra o magistrado. Ele questionou a competência de Zanin para determinar a ampliação do prazo e alegou que a decisão foi tomada após o encerramento previsto inicialmente para as 17h.
“Protocolarei impeachment de Zanin por atuação desidiosa! Decidiu sem ter competência para tal e depois das 17h, quando o processo eleitoral já estava legalmente encerrado”, escreveu o parlamentar nas redes sociais.
Van Hattem também levantou suspeitas sobre a imparcialidade do ministro, argumentando que Zanin atuou anteriormente como advogado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), cuja campanha apresentou o pedido de prorrogação.
Senador também anuncia medida
O senador Jorge Seif (PL-SC) também declarou que pretende solicitar o impeachment do ministro. Em publicação nas redes sociais, ele criticou o fato de a decisão ter atendido a um pedido da campanha petista.
Já o senador Rogério Marinho (PL-RN), líder da oposição no Senado e coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência, classificou a decisão como “intempestiva”. O parlamentar afirmou que a medida poderia tumultuar o processo eleitoral.
As manifestações ocorreram em meio à reação de aliados de Flávio Bolsonaro à decisão judicial. Os parlamentares questionam tanto o momento em que a prorrogação foi determinada quanto a competência do ministro para estabelecer a mudança.
Entenda a decisão de Zanin
A prorrogação foi determinada por Cristiano Zanin após um pedido da coligação do presidente Lula. A campanha alegou dificuldades no deslocamento de eleitores devido à redução da frota de transporte público em cidades de alguns estados, especialmente na Bahia e em São Paulo.
Antes de recorrer ao STF, a coligação havia apresentado solicitação ao presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, que não respondeu ao pedido naquele momento.
Após a decisão de Zanin, Nunes Marques comunicou os Tribunais Regionais Eleitorais (TREs) e orientou que as seções eleitorais ainda abertas permanecessem em funcionamento até as 19h.
Em esclarecimento posterior, a Justiça Eleitoral informou que os locais onde a votação já havia sido encerrada não seriam reabertos. A extensão do prazo foi aplicada somente às seções que ainda estavam em funcionamento.
A campanha de Flávio Bolsonaro também havia solicitado a prorrogação da votação em municípios de São Paulo, Paraná e Santa Catarina, alegando dificuldades provocadas pelas condições climáticas.



