Mulher doa rim ao marido e reencontro em hospital emociona
Daniela doou um rim a Robson em transplante no Hospital Angelina Caron; casal enfrentou anos de incertezas após descoberta de doença renal

Até onde você iria por amor? Para Daniela Rodrigues Ruiz, de 47 anos, a resposta foi doar um dos rins para salvar a vida do marido, Robson Ruiz Herrada, de 46. No dia 1º de outubro de 2026, ela passou por uma cirurgia de transplante renal intervivos no Hospital Angelina Caron, em Campina Grande do Sul, Região Metropolitana de Curitiba (RMC). Nesta quarta-feira (14), depois do procedimento, o casal viveu um dos momentos mais emocionantes dessa trajetória: o reencontro após a cirurgia
A decisão veio depois de quase três anos de uma rotina marcada por exames, tratamentos, diálise e tentativas de encontrar um doador compatível. Robson descobriu que tinha um problema renal em dezembro de 2023, durante um exame de rotina, sem apresentar sintomas que indicassem a gravidade da situação. Desde então, Daniela acompanhou cada etapa do tratamento e, desde o início, manifestou o desejo de fazer os testes para doar um rim ao marido.
Do exame de rotina à descoberta de um problema grave nos rins
A história de Daniela e Robson mudou em 29 de dezembro de 2023. Naquele dia, um exame de rotina revelou que um dos rins de Robson já não funcionava. Até então, segundo Daniela, ele nunca havia apresentado sintomas ou alterações que despertassem preocupação.
“Nós descobrimos o problema dele no dia 29 de dezembro de 2023. Foi num exame de rotina, ele nunca tinha tido nada, sem sintoma, nunca teve nada de anormal. Descobrimos que o rim dele estava parado já”, contou Daniela Rodrigues Ruiz.
A notícia transformou a rotina do casal em poucas horas. Daniela conta que Robson recebeu o resultado do exame pela manhã e, ainda naquela tarde, precisou ser internado em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI), em Toledo.
“Ele fez o exame de manhã, 10h nós recebemos o resultado do exame. Quando foi 14h, ele já estava internado na UTI em Toledo. De lá para cá, ele fez quatro meses de hemodiálise e iniciou a diálise peritoneal e já fez todo o protocolo para entrar na fila de transplante”, detalhou a mulher.
Depois da hemodiálise, contudo, Robson iniciou a diálise peritoneal, tratamento que passou a fazer praticamente todos os dias. Ao mesmo tempo, cumpriu os protocolos necessários para entrar na fila de transplante renal.

Daniela quis ser doadora desde o início
Assim que soube da condição do marido, Daniela decidiu que gostaria de verificar se poderia doar um rim. A equipe médica, no entanto, orientou o casal a aguardar alguns dias, na expectativa de que Robson conseguisse um órgão de outro doador.
A espera também permitiria que Daniela permanecesse ao lado do marido para ajudá-lo durante o tratamento. Mesmo assim, ela manteve a disposição de realizar os exames de compatibilidade.
“No início, eu já quis fazer o teste de compatibilidade. Como ele não tinha nenhum tipo de comorbidade, somente o rim mesmo, os médicos instruíram a gente a aguardar uns dias para ver se ele não não conseguia de doação, que seria mais fácil, porque daí eu poderia cuidar dele, né? Mas nós esperamos. Ele foi chamado cinco vezes”, comentou Daniela.
As cinco chamadas para possíveis transplantes não resultaram na solução que o casal esperava. A cada tentativa frustrada, a esperança precisava ser reconstruída, enquanto Robson continuava dependendo da diálise.
Viagens de 640 quilômetros e uma espera cheia de incertezas
A distância também fez parte da trajetória. Daniela e Robson moram a 640 quilômetros do hospital onde o transplante foi realizado. As viagens eram marcadas pela expectativa de que o procedimento finalmente acontecesse, mas também pela frustração quando os planos não avançavam.
“Nós moramos a 640 quilômetros daqui. A viagem era totalmente tensa, chegava que não dava certo. A gente se desmotivava e voltava, até que no início do ano a gente resolveu novamente falar com os médicos para a gente tentar a compatibilidade. Fizemos o exame, deu compatibilidade e o resultado do exame de compatibilidade até o transplante não deu 60 dias”, detalhou a esposa.
Quando o casal decidiu retomar os testes, o resultado trouxe a notícia que aguardavam: Daniela era compatível com Robson. A partir daí, o caminho até a cirurgia foi relativamente rápido.
“Com menos de 60 dias, o transplante foi realizado. As pessoas falam que ele tem que me agradecer pela doação, eu já enxergo de outra maneira: eu que agradeço a Deus por ter a oportunidade de com um gesto de doar poder ajudar a salvar a vida de alguém, ainda mais sendo a pessoa a qual escolhi para ser meu companheiro pelo resto da vida”, concluiu Daniela Rodrigues Ruiz.
A declaração resume a maneira como Daniela enxerga a decisão. Para ela, doar um rim ao marido não representa um sacrifício pelo qual espera reconhecimento, mas uma oportunidade de ajudar a preservar a vida de quem escolheu para compartilhar a própria história.

Transplante foi realizado com técnica minimamente invasiva
O procedimento ocorreu em 1º de outubro de 2026, no Hospital Angelina Caron. A cirurgia foi realizada por uma equipe formada por três cirurgiões.
João Nicoluzzi, coordenador e chefe do Serviço de Transplantes do hospital, comentou que a compatibilidade entre Daniela e Robson foi um fator importante para a realização do transplante.
“Sendo o rim um órgão duplo, isso acaba não ocasionando nenhum dano a ela. E é bacana, assim, que a compatibilidade de ambos é muito próxima. É uma alternativa interessante, porque são muitas pessoas em fila de espera para transplante. E a fila de pessoas que falecem, e que podem colaborar, não atende à real necessidade de pessoas que estão do lado de cá, esperando”, disse João Nicoluzzi, coordenador chefe do Serviço de Transplantes do Angelina Caron.
O médico também destacou a recuperação inicial favorável de Robson e a técnica utilizada na retirada do rim de Daniela.
“Ele fez recentemente o transplante, sem grandes traumas, sem grandes dificuldades na recuperação, já com uma função do órgão inicialmente muito favorável. E ela fez a doação do rim dela por via minimamente invasiva”, detalhou o médico.
Reencontro após a cirurgia marca nova etapa para o casal
Depois do transplante, o reencontro de Daniela e Robson, nesta quarta-feira (14), marcou um momento especial para o casal. A cirurgia encerrou uma etapa de espera e abriu espaço para a expectativa de uma nova rotina, sem a dependência diária da diálise que fazia parte da vida de Robson.
Para Nicoluzzi, a história também evidencia o significado da doação entre pessoas que mantêm vínculos afetivos próximos.
“Ver esse ato muito bacana entre esposa e marido, o companheirismo até, literalmente, na hora da doença, e ela acabou salvando o esposo dela. Melhorando a qualidade de vida dele, uma vez que até então ele era uma pessoa que fazia diálise do tipo peritoneal, praticamente todos os dias”, comentou João Nicoluzzi.
A recuperação inicial favorável, segundo o médico, trouxe uma perspectiva positiva após o procedimento. Ainda assim, o transplante representa o começo de uma nova fase, que exige acompanhamento médico e cuidados posteriores.
Com informações da Banda B, parceira do Portal aRede.
RESUMO
Diagnóstico e peregrinação: Em dezembro de 2023, Robson Ruiz Herrada descobriu a falência de um dos rins em um exame de rotina, o que deu início a uma rotina de diálise, internações e viagens de 640 km com sua esposa, Daniela, além de cinco chamadas frustradas na fila de transplante.
Compatibilidade e transplante: Após a espera por um doador falecido não dar resultado, Daniela realizou os exames de compatibilidade, confirmando que podia doar; o transplante de rim intervivos foi realizado com sucesso em 1º de outubro de 2026, no Hospital Angelina Caron, com técnica minimamente invasiva.
Recuperação e reencontro: Duas semanas após a cirurgia, o casal comemorou o reencontro em 14 de outubro, celebrando uma nova fase de vida sem a dependência diária da diálise peritoneal e com evolução médica favorável.



