O que se sabe sobre o caso do ex-policial acusado de matar fotógrafo em posto de Curitiba | aRede
PUBLICIDADE

O que se sabe sobre o caso do ex-policial acusado de matar fotógrafo em posto de Curitiba

Ronaldo Massuia Silva é julgado por homicídio triplamente qualificado e sete tentativas de homicídio

Júri de Ronaldo Massuia começa nesta quarta-feira (9), quatro anos após ataque que matou o fotógrafo André Muniz Fritoli
Júri de Ronaldo Massuia começa nesta quarta-feira (9), quatro anos após ataque que matou o fotógrafo André Muniz Fritoli -

Publicado por André Ribeiro

@Siga-me
Google Notícias facebook twitter twitter telegram whatsapp email

Quatro anos depois de um ataque a tiros que terminou com a morte do fotógrafo André Muniz Fritoli, de 32 anos, e deixou outras sete pessoas como vítimas de tentativas de homicídio, o ex-policial federal Ronaldo Massuia Silva começou a ser julgado nesta quarta-feira (9), em Curitiba. O Tribunal do Júri da capital reservou três dias para o julgamento, que deve terminar na sexta-feira (11).

Massuia é acusado de homicídio triplamente qualificado e sete tentativas de homicídio triplamente qualificadas. As qualificadoras são motivo fútil, perigo comum e recurso que dificultou a defesa das vítimas. O processo considera oito vítimas no total.

O réu está preso desde o dia do crime e foi excluído dos quadros da Polícia Federal. No primeiro dia de julgamento, o Conselho de Sentença foi formado por sete jurados — quatro homens e três mulheres —, que permanecem incomunicáveis durante os trabalhos.

A defesa sustenta que Massuia sofre de alcoolismo e transtorno de estresse pós-traumático e afirma que ele não tinha condições de compreender plenamente os próprios atos. Já a assistência de acusação defende a condenação pelos crimes apontados na denúncia.

Como aconteceu o ataque no posto de combustíveis

O crime aconteceu em 1º de maio de 2022, em uma loja de conveniência de um posto de combustíveis no bairro Cristo Rei, em Curitiba.

De acordo com a acusação descrita no processo, Massuia estava no local quando começou uma discussão com funcionários e clientes. A motivação apontada pela denúncia foi considerada fútil e relacionada a um desentendimento no estabelecimento.

Após sair da loja, o então policial federal teria retornado armado. Segundo o processo, ele utilizou uma pistola Glock calibre 9 mm pertencente à Polícia Federal e começou a efetuar disparos contra pessoas que estavam na conveniência.

As imagens das câmeras de segurança registraram parte da ação. Clientes aparecem correndo e tentando se proteger dos tiros.

Segundo a denúncia, os disparos atingiram ou foram direcionados contra sete pessoas que sobreviveram. No deck do estabelecimento, Massuia atirou contra André Muniz Fritoli e Milena Christie Brotto. André foi atingido e morreu. Milena sobreviveu.

A acusação sustenta que os disparos foram feitos contra pessoas que estavam em um momento de lazer e que algumas delas chegaram a estar caídas no chão, sem possibilidade de reação.

André tinha 32 anos e havia acabado de sair de um show

André Muniz Fritoli estava com a namorada quando decidiu parar no posto para fazer um lanche depois de sair de um show.

O fotógrafo tinha 32 anos, trabalhava com eventos e morava com os pais e o irmão. A família conta que ele tinha planos para o futuro e que a morte provocou uma ruptura que, quatro anos depois, ainda é sentida.

Em entrevista à Ric RECORD, a mãe de André, Greyce Fritoli, falou sobre a dor de perder o filho e afirmou que ainda se lembra das imagens do ataque.

“Você leva o meu menino. Você leva o meu menino. Por quê, Deus?” Lamenta a mãe.

Greyce também criticou a atuação de Massuia e afirmou esperar que o julgamento resulte em condenação.

A família é representada pelos advogados Elias Mattar Assad, Thaise Mattar Assad, Eduardo Antonio Perine, Rogério Nicolau, Edson Luiz Facchi Jr. e Maria Teresa dos Santos Vicari, entre outros integrantes da assistência de acusação.

Em nota, os advogados afirmaram que o processo está dentro da legalidade e que o Ministério Público e a assistência de acusação esperam a condenação de Massuia pelos atos que classificam como “injustificáveis”.

O que diz a defesa de Ronaldo Massuia

A defesa do ex-policial federal apresenta uma versão diferente para o que aconteceu.

Em entrevista ao repórter Ricardo Pereira, da Ric RECORD, o advogado Heitor Bender afirmou que Massuia é diagnosticado com alcoolismo e transtorno de estresse pós-traumático. Segundo ele, os problemas emocionais já existiam antes do ataque.

“Esse homem virou uma bomba-relógio que poderia explodir a qualquer momento”, afirmou o advogado.

A defesa sustenta que a Polícia Federal tinha conhecimento das condições psicológicas do então agente e que ele deveria ter sido afastado.

O advogado também afirmou que a tese apresentada no Tribunal do Júri não busca simplesmente a absolvição de Massuia, mas que ele seja submetido a tratamento e internação, em vez de cumprir uma eventual pena em unidade prisional.

Durante o primeiro dia do julgamento, a defesa também apresentou questionamentos sobre documentos e vídeos que teriam sido incorporados ao processo. Segundo Bender, a defesa alegou que alguns documentos de processos sigilosos foram juntados de maneira irregular e que determinados vídeos não poderiam constar nos autos.

A magistrada responsável pelo julgamento acolheu parcialmente um dos pedidos e determinou a retirada de um vídeo, além de autorizar a substituição de uma testemunha de defesa que não foi localizada.

Ex-policial diz que não se lembra dos disparos

Em uma entrevista exclusiva à Ric RECORD realizada no Complexo Médico Penal de Pinhais, Ronaldo Massuia falou pela primeira vez sobre o caso após quatro anos.

Durante a conversa, exibida pelo Balanço Geral, ele reconheceu ser a pessoa que aparece nas imagens de segurança, mas afirmou não se lembrar do momento dos disparos.

Questionado se poderia ser chamado de assassino, respondeu: “Não.”

Ao ser perguntado sobre o motivo, disse que não se recorda do que aconteceu naquele momento.

Massuia também afirmou que reconhece fisicamente a si mesmo nas imagens, mas que não consegue associar as cenas à própria consciência ou vontade.

“Eu não consigo me entender por que tirar a vida de uma pessoa que eu nunca vi na vida”, diz o ex-policial.

Massuia afirmou ainda estar arrependido e pediu perdão à família de André. “Peço perdão e arrependimento para essa mãe e é do fundo do meu coração.”

Durante a entrevista, Massuia contou que já enfrentava problemas relacionados ao consumo de álcool e afirmou ter passado por um episódio que, segundo ele, desencadeou transtorno de estresse pós-traumático após uma abordagem policial em Santa Catarina.

Ele, porém, também admitiu que não estava em tratamento psicológico ou psiquiátrico na época do ataque. Ao falar sobre a situação atual, afirmou acreditar que é uma pessoa doente e que precisa de tratamento.

O que está sendo discutido no Tribunal do Júri

O julgamento deve analisar se Massuia tinha consciência e capacidade de compreender os próprios atos quando efetuou os disparos.

A acusação sustenta que ele agiu de forma consciente e deliberada, enquanto a defesa tenta demonstrar que problemas psiquiátricos e o consumo de álcool comprometeram sua capacidade no momento do crime.

A responsabilidade criminal e as circunstâncias do ataque serão analisadas pelo Conselho de Sentença.

O julgamento começou com a fase de requerimentos e, após a pausa para o almoço, estavam previstas as oitivas das testemunhas de acusação. A defesa informou que o interrogatório de Massuia deve ocorrer apenas no final dos trabalhos, possivelmente na sexta-feira (11), dependendo do andamento das audiências.

O julgamento reúne 18 testemunhas de defesa e cinco de acusação, além dos depoimentos das vítimas. A expectativa é de que os debates entre acusação e defesa ocorram somente na sexta-feira, podendo avançar pela madrugada.

Ao final, caberá aos sete jurados decidir se Massuia deve ser condenado ou absolvido pelas acusações que o levaram ao Tribunal do Júri.

Ronaldo Massuia foi demitido da Polícia Federal

Além do processo criminal, Massuia também respondeu a um procedimento administrativo dentro da Polícia Federal.

Em abril de 2025, ele foi demitido da corporação por decisão do então ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski. A decisão administrativa considerou que o ex-agente havia cometido infrações incompatíveis com a função policial e que teria se valido de sua condição de funcionário público. Desde o ataque, Massuia permanece preso.

Com informações da Banda B, parceira do Portal aRede.

Confira um resumo da notícia

Início do julgamento: O ex-policial federal Ronaldo Massuia Silva começou a ser julgado nesta quarta-feira (9), em Curitiba, pelo assassinato do fotógrafo André Muniz Fritoli e por sete tentativas de homicídio ocorridas em um posto de combustíveis em maio de 2022.

Argumentos da defesa e da acusação: A acusação pede a condenação do réu por homicídio triplamente qualificado, enquanto a defesa alega que ele sofre de alcoolismo e transtorno de estresse pós-traumático, afirmando que Massuia não tinha plena consciência dos atos e solicitando tratamento em vez de pena prisional.

Dinâmica do Tribunal do Júri: O julgamento, previsto para durar três dias, conta com o depoimento de testemunhas e vítimas, com a expectativa de que o interrogatório do réu e a decisão final do Conselho de Sentença ocorram na sexta-feira (11).

CONTEÚDO DE MARCA

PUBLICIDADE