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Do desaparecimento ao corpo encontrado no Parque São José: tudo sobre o caso Erick

Corpo encontrado no Parque São José pode solucionar o desaparecimento que vem comovendo o Paraná há 17 meses; veja a linha do tempo e tudo que se sabe

Segundo a Polícia Militar do Paraná (PMPR), as características de decomposição do corpo seriam semelhantes ao tempo de desaparecimento de Erick
Segundo a Polícia Militar do Paraná (PMPR), as características de decomposição do corpo seriam semelhantes ao tempo de desaparecimento de Erick -

Publicado por Diego Chila

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Um caso de desaparecimento que inquieta o Paraná há mais de um ano pode ter sido solucionado, mas com um desfecho trágico. Um corpo em avançado estado de decomposição foi encontrado nesta quarta-feira (30) no Rio Iguaçu, dentro do Parque São José, em São José dos Pinhais, Região Metropolitana de Curitiba (RMC), com características compatíveis às do jovem Erick Rian Duarte dos Santos, desaparecido aos 16 anos.

Segundo a Polícia Militar do Paraná (PMPR), as características de decomposição do corpo seriam semelhantes ao tempo de desaparecimento de Erick. A identidade da vítima ainda depende de exames da Polícia Científica do Paraná (PCP), que relatou à Banda B não ter data prevista para conclusão.

Desaparecido desde 21 de fevereiro de 2025, o adolescente saiu de casa por volta das 13h, sem levar nenhum pertence e sem avisar para onde iria. Ele foi visto pela última vez trajando bermuda, camiseta cinza e tênis preto.

A descoberta do corpo, quase um ano e meio após o desaparecimento, teve a presença da família no trabalho de recuperação das equipes policiais, que apuram os indícios e identificação da vítima.

21 de fevereiro de 2025: Erick sai da casa

O jovem saiu de casa, onde morava no bairro Cidade Jardim. Sem avisar para onde iria, ele apagou todas as mensagens do celular antes de sair. A mãe, Joice, relatou que, na manhã do mesmo dia, teve contato com o filho e não percebeu nenhum comportamento estranho ou indícios que levantassem suspeitas.

Tia de Erick, Joiciele disse que a família achou estranho o fato de o adolescente não levar nenhum pertence, como celular e documentos.

“Meu sobrinho usa muito o celular e deletou todas as mensagens, jogos, histórico de navegação, deletou tudo. Até os contatos, só deixou os números dos familiares. Acreditamos que tenha alguma pista nesse celular, talvez a polícia consiga recuperar as mensagens”, afirmou à época.

Ainda segundo a tia, Erick tinha começado a andar em um parque próximo à residência na semana anterior ao desaparecimento, sempre com seu cachorro. A última saída de casa, no entanto, foi sozinha.

“Dá a impressão que ele marcou alguma coisa com alguém, ou encontrou no parque, algo assim”, complementou.

Câmeras de segurança do condomínio onde morava flagraram o momento em que Erick saiu de casa e foi visto pela última vez. Nas imagens é possível vê-lo saindo sozinho do portão e caminhando em direção à calçada.

28 de fevereiro de 2025: uma semana sem respostas

A Polícia Civil do Paraná (PCPR) passou a investigar o caso após abertura de Boletim de Ocorrência (BO) pela família. Após uma semana sem sinais, não havia indícios de crime, segundo a PCPR.

“Ele foi em direção ao Parque São José. A gente levantou imagens das câmeras de segurança que registraram o momento em que ele passa em frente ao parque, pelo pórtico. Nós não conseguimos imagens de outras câmeras de segurança que tenham registrado a passagem dele. Nós conseguimos imagens de dentro do Parque São José, do memorial e também da Muralha Digital, mas não registraram o momento que ele passou”, disse o delegado Thiago Mendes à época.

O parque foi alvo de buscas com drones e cães farejadores, mas não encontraram indícios do jovem. Equipes também realizaram buscas na região de Curitiba e no Litoral do Paraná.

O desaparecimento de Erick foi inserido no Amber Alert, sistema de alertas urgentes utilizado para casos de desaparecimento de crianças, na semana do caso. Adotado pelo Brasil, o sistema envia notificações nas plataformas da Meta, como o Facebook, com a descrição da pessoa desaparecida, buscando mobilizar a população para ajudar na localização.

10 de março de 2025: polícia e família fazem apelo

Uma ação da polícia em conjunto com o Corpo de Bombeiros de São José dos Pinhais no Parque São José para verificar uma pista. De acordo com o delegado Fábio Machado, da Delegacia Regional de São José dos Pinhais, populares informaram que Erick poderia ter se jogado no Rio Iguaçu.

“A informação seria de que ele teria se jogado no canal, na altura do Parque São José. A nossa equipe visualizou as imagens e ele estava mesmo naquele local. Viemos até aqui com o Corpo de Bombeiros para verificar essa hipótese e não encontramos nada”, contou o agente.

Mesmo a informação não se confirmando, o policial apelou para que a população continuasse ajudando a corporação com quaisquer pistas que pudessem levar à resolução do caso.

“A hipótese tem que ser checada e pedimos que a população siga nos ajudando. Qualquer informação, entre em contato com a Polícia Civil. É muito importante a ajuda dos populares”, completou.

Na mesma semana, a família de Erick usou as redes sociais e a imprensa para clamar por informações sobre o adolescente.

“Meu filho é um menino bem tranquilo, é alto, tem 1,75 de altura, mais ou menos, magrinho. Saiu usando um óculos de grau preto e redondo. Quem ver ele, alguma pessoa com um perfil parecido, entre em contato com uma foto ou localização para que a gente faça uma busca mais assertiva”, pediu Joice.

18 de março de 2025: bombeiros fazem busca em canal

Quase um mês após o desaparecimento de Erick, os bombeiros realizaram buscas no canal extravasor do Rio Iguaçu, no trecho da Avenida das Torres até a Avenida das Américas. Até aquele momento, equipes já haviam feito quatro ações de busca no canal.

“A gente fez um trabalho de levantamento das características do rio, em termos de profundidade, se tinha bastante sedimentos no fundo, para, de repente, traçar uma próxima linha de ação em relação às buscas e à investigação da Polícia Civil. Hoje descemos o canal extravasor da Avenida das Torres até a Avenida das Américas. Não encontramos nenhum vestígio que pudesse ser do menino desaparecido”, relatou o capitão do Corpo de Bombeiros Moletta à época.

Ainda em março, um corpo em avançada decomposição foi encontrado no rio, entre os municípios de Lapa e Balsa Nova, na RMC. A hipótese de o corpo ser de Erick foi levantada, com o material biológico coletado pela PCP para identificação.

“A nossa delegacia de polícia está trabalhando em cima disso. Todas as informações foram checadas e todas as diligências possíveis de serem feitas foram feitas. Estamos agora no aguardo da perícia. Vindo o laudo pericial, a gente pode ou não determinar se aquele corpo é do rapaz desaparecido ou não”, repassou Machado à Ric RECORD em maio de 2025.

O laudo foi emitido em 6 de junho, confirmando que o exame de DNA não era compatível com a família do Erick. O caso seguia sem novas pistas.

28 de setembro de 2025: pegada encontrada levanta hipóteses

Uma pegada encontrada na ponte sobre o Rio Iguaçu passou a ser investigada pela possível ligação com o desaparecimento. Uma marca de sola foi encontrada na tubulação lateral da estrutura, compatível com o modelo de tênis que o jovem usava no dia em que saiu de casa.

Pai do jovem, Rendner não acreditou que Erick pudesse ter caído no rio. Ele lembra que, na data do desaparecimento, o nível da água estava baixo.

“Ele tinha um metro e setenta e cinco [centímetros], e a água chegava só na altura da canela. No máximo ele poderia ter torcido o pé. Se tivesse acontecido alguma fatalidade, o corpo teria aparecido”, explicou ao programa Domingo Espetacular, da RECORD.

O novo indício, porém, não levou a novas descobertas durante os próximos meses. Erick já estava desaparecido há sete meses.

30 de julho de 2026: corpo encontrado no Parque São José pode ser o de Erick

Depois de 524 dias do desaparecimento do adolescente, um corpo foi encontrado no rio e com novas possibilidades de ser o de Erick. A área onde o corpo foi localizado está no raio das buscas realizadas desde fevereiro de 2025.

O cadáver foi recolhido pelo Grupo de Operações de Socorro Tático (GOST). A família de Erick acompanhou os trabalhos, mas não foi possível confirmar a identidade.

De acordo com o tenente Satler, da PMPR, o cadáver apresentava cerca de 80% a 85% de decomposição e aparentava ser de um homem adulto.

“O que a gente consegue constatar visualmente é um corpo que ainda não se decompôs completamente, que já tem um estado avançado de decomposição, por volta de 80% a 85%. Aparenta ser um masculino adulto”, disse.

Segundo o tenente, a perícia será responsável por identificar oficialmente a vítima. Nenhuma hipótese pode ser descartada.

“Vai ser feita ainda a perícia para identificar de fato de quem seja esse corpo. A gente não consegue descartar nenhuma possibilidade. Pelo que eu percebo do estado de decomposição, imagino que, se por acaso o garoto desapareceu e entrou em óbito, seria compatível com o que a gente visualizou hoje”, relatou o oficial.

Ainda conforme a PMPR, não há elementos que indiquem se a ossada encontrada foi vítima de um crime, acidente ou tentativa de suicídio. Outra hipótese levantada pelas equipes é que o corpo tenha sido levado pela correnteza do Rio Iguaçu e ficado preso às margens até ser localizado.

Contatada pela Banda B, a PCPR diz estar investigando a ossada encontrada. “A PCPR coletou os materiais e as provas no local e solicitou exames periciais para identificar a vítima. A PCPR segue as diligências para esclarecer o caso”, completa.

Um ano e cinco meses sem Erick

Em campanha de busca constante nas redes, a mãe do adolescente nunca abriu mão da esperança de encontrar Erick. “Não deixem o nome do meu filho ser esquecido. Ele é amado. Ele é esperado”, disse Joice nas redes.

A mulher compartilhou no Instagram uma forte mensagem em 21 de julho, quando o desaparecimento completou 17 meses.

“1 ano e 5 meses sem você, Erick.

1 ano e 5 meses de perguntas sem respostas. 1 ano e 5 meses de saudade, de espera e de um coração que ainda não aprendeu a viver com a sua ausência.

O tempo passa para o mundo, mas, para uma mãe que espera pelo filho, cada dia parece carregar a mesma dor do primeiro dia.

Eu ainda penso em você todos os dias. Ainda me pergunto onde você está, como está e se, de alguma forma, você sabe que nunca deixei de procurar por você.

Erick, você não foi esquecido. Seu nome continua sendo dito. Sua história continua sendo contada. E o amor de uma família continua esperando por você, todos os dias.

Enquanto houver esperança, haverá espera. Enquanto houver amor, você jamais estará sozinho.

Meu filho, onde quer que você esteja, saiba que eu te amo. E eu ainda estou aqui.

1 ano e 5 meses à sua espera, Erick.”

O que diz a família sobre corpo encontrado

A família de Erick Rian Duarte dos Santos, por meio de seu advogado, Leonardo Mestre Negri, informa que acompanhou as diligências relacionadas ao corpo localizado recentemente em São José dos Pinhais.

“Até o presente momento, as informações preliminares obtidas junto às autoridades indicam que não há elementos que permitam associar o corpo encontrado a Erick. De todo modo, a identificação dependerá da conclusão dos exames periciais que estão sendo realizados.

A família permanece empenhada, todos os dias, na busca por respostas e reafirma o apelo para que qualquer pessoa que detenha informações sobre o desaparecimento de Erick procure imediatamente a Polícia Civil ou entre em contato com seus familiares. Qualquer informação, por mais simples que pareça, pode ser decisiva para o esclarecimento do caso.

A família agradece o apoio recebido e pede que as buscas e as investigações continuem sendo tratadas com responsabilidade e sensibilidade”.

Com informações: Banda B

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