Carta de mãe que perdeu o filho causa comoção

Numa carta postada no final da tarde de terça-feira, em sua página na rede social, Chris Souza Yared resume sete anos de pesadelo pela morte de Gilmar Rafael Souza Yared, relata sonhos perdidos por conta da tragédia e coloca em discussão ‘quanto custa a vida de um filho’. “Ao acordar nas madrugadas chorando, tento entender o quanto custa a vida de um filho! Mas repito, daria minha vida e trocaria tudo, para não estar vivendo este pesadelo há 7 anos. Filhos são sonhos, meus dias se tornaram noites, e minhas noites dias intermináveis”, escreve.
Em 7 de maio de 2009, Gilmar Rafael, 26, e o amigo Carlos Murilo de Almeida, 20, morreram num acidente na Avenida Monsenhor Ivo Zanlorenzi, no bairro Mossunguê, em Curitiba. O carro que ocupavam foi atingido por um veículo conduzido pelo ex-deputado estadual Luiz Fernando Ribas Carli Filho. De acordo com as investigações da Polícia Civil, Carli Filho dirigia em alta velocidade (163 km/h) e estava com a carteira de habilitação cassada. O ex-deputado estadual tinha 130 pontos na carteira e 30 multas, sendo 23 delas por excesso de velocidade.
O inquérito apontou também que Carli Filho havia ingerido quantidade de álcool quatro vezes acima da tolerada à época. O julgamento do ex-deputado estadual, que estava previsto para este mês, foi suspenso após o Supremo Tribunal Federal (STF) conceder, na quarta-feira (13), uma liminar em favor do réu. Leia, na íntegra, a carta postada pela mãe de Gilmar .
"Qual o valor de um filho? Algumas pessoas de forma "covarde" tem me questionado pelas redes sociais sobre o pedido de indenização pela morte do meu filho. Aqui está a resposta. Gilmar Rafael Souza Yared nascido em 20 de março de 1983. Nasceu com 4.250kg, 57,5cm, cabeludo, forte e lindo! Amamentei, limpei, acordei nas madrugadas, ri de suas artes e chorei com suas dores. Como toda mãe que ama, repreendi e ensinei o que acreditei ser o melhor para sua vida. Teve as doenças que as crianças normalmente tem. Chorei com suas decepções e me alegrei com suas vitórias. Gilmarzinho foi morto aos 26 anos de idade, cursava jornalismo e psicologia, A viagem marcada para a Austrália ficou no sonho do menino que antes enchia minha casa de alegria e hoje, como tantos outros filhos enchem cemitérios. Não existe valor que possa cobrir a falta que me faz. No processo cível que nem julgado foi e corre paralelo ao criminal, há sim o pedido de indenização como prevê a lei. Ao acordar nas madrugadas chorando, tento entender o quanto custa a vida de um filho! Mas repito, daria minha vida e trocaria tudo, para não estar vivendo este pesadelo há 7 anos. Filhos são sonhos, meus dias se tornaram noites, e minhas noites dias intermináveis".





















