Após pressão, artista altera obra de ‘vagina’ em rodoviária

Desde meados de outubro, Curitiba recebe a 22ª edição da Bienal, um dos mais importantes eventos de arte contemporânea do país. Porém, o que era para ser um período de estímulo à cultura e à admiração da arte, acabou em polêmica na última semana. Tudo por conta do pedido de uma vereadora da cidade para alteração de uma intervenção artística na rodoviária da cidade que retratava a ‘anatomia feminina. As informações são da Banda B.
A solicitação foi feita pela vereadora Julieta Reis (DEM), que considerou que a pintura estava em um “local inadequado”. Sob pressão, o artista plástico Tom14 acatou o pedido e modificou a obra. Em entrevista à Banda B nesta quarta-feira (4), Tom14 explicou que a pintura faz parte de uma obra na Rodoviária que tinha o objetivo de mostrar o espaço como um corpo feminino.
“A um ver político, essa vereadora não gostou e foi atrás de censurar a obra. O objetivo principal da intervenção é trazer cores vivas para o espaço. Os desenhos são geométricos e visam renovar esses espaços abandonos no pós-Copa. Percebemos a alegria de quem aqui trabalha. Qualquer pessoa que não gostasse, é só me dizer, mas isso veio por solicitação política”, relatou.
A vereadora Julieta Reis nega qualquer censura ao artista e garante que o questionamento se limita ao local em que a pintura foi feita. “O artista é libertário, pode fazer o que quiser. Nosso questionamento é o local, já que eles poderiam ter feito em um local mais fechado, mas não na rodoviária, que é um espaço público e que não considero condizente”, disse.
Segundo Tom14, existem tantos outros temas a serem discutidos no entorno da rodoviária que ele ainda tenta entender a polêmica. “Temos as questões dos acessos, como ficou pós-Copa e se formos discutir politicamente, pensemos em segurança por exemplo. É uma bobagem abrir uma discussão sobre isso, é ridículo esse puritanismo. Até freiras me felicitaram pela obra”, comentou.
Segundo Julieta Reis, os questionamentos sobre a obra chegaram até o escritório dela por vários meios, mas principalmente pelas redes sociais. “A temática do painel é a genitália feminina e está na chegada a Curitiba. Essas pessoas não acharam adequado o espaço público e eu concordei já que é necessário bom senso. Não existe puritanismo nenhum, é só o local e a temática que é inadequada”, concluiu.
Em nota, a Urbs informou que está muito feliz por abrigar obras da Bienal de Curitiba. “A Urbs não fez avaliação prévia de mérito das obras. A Rodoviária recebeu figurações estilizadas do corpo humano como olhos, ouvidos, braços e mãos. Uma das obras gerou polêmica. A Urbs entendeu que essa obra procurava o empoderamento das mulheres a partir de uma figura comum em qualquer livro didático. Entretanto, algumas pessoas fizeram outras interpretações. Uma vez que o artista não se sentiu incomodado nem interessado em sustentar uma polêmica que não fazia parte da concepção da obra, em discussão com ele e com a curadoria da Bienal, chegou-se à conclusão de que seria melhor fazer a alteração”, relatou.
Informações da Banda B.





















