Britânia prepara nova fábrica de 110 mil m² após 70 anos de história
Fabricante de eletrodomésticos planeja concluir unidade em Joinville até 2028; empresa tem 10 mil colaboradores e mais de mil produtos no catálogo

A Britânia prepara uma nova etapa de expansão industrial após completar 70 anos de história. A fabricante de eletrodomésticos planeja construir uma fábrica de aproximadamente 110 mil metros quadrados em Joinville, Santa Catarina, com conclusão prevista para 2028. O projeto está entre os maiores investimentos já realizados pela companhia, segundo a vice-presidente da empresa, Ana Luiza Buffara.
Embora não tenha divulgado o valor dos recursos destinados à obra, a executiva destacou a dimensão do empreendimento. "É um investimento alto. Talvez um dos maiores da nossa história sendo feito agora na cidade de Joinville", afirmou.
A expansão faz parte da estratégia da Britânia para ampliar a participação no mercado de linha branca, segmento que reúne eletrodomésticos de maior porte. A empresa também está aumentando sua capacidade logística para acompanhar o crescimento do portfólio e atender aos diferentes canais de comercialização.
Fundada em Curitiba, em 1956, a companhia reúne atualmente 8,5 mil funcionários diretos. Considerando os colaboradores indiretos, o número chega a aproximadamente 10 mil pessoas. A estrutura física ultrapassa 500 mil metros quadrados, enquanto o catálogo conta com mais de mil produtos.
De uma metalúrgica em Curitiba a uma marca nacional
A história da Britânia começou com uma mudança de carreira de seu fundador, Percy Eduardo Isaacson. Formado em odontologia, ele decidiu abandonar a profissão para empreender e experimentar diferentes atividades comerciais.
Inicialmente chamada Metalúrgica Eletrodínamo, a empresa passou pela fabricação de fogareiros e conjuntos de mesas e cadeiras. O primeiro grande acerto veio no início da década de 1960, quando começou a produzir ventiladores de ferro com a marca Britânia.
O sucesso dos aparelhos fez com que o nome ganhasse força no mercado e se tornasse a principal identificação da fabricante. Na sequência, a companhia diversificou a produção, incorporando liquidificadores, batedeiras, espremedores de frutas e secadores de cabelo.
Em 2002, a empresa entrou no segmento de áudio e vídeo, com produtos como DVDs com karaokê e videogames integrados. Cinco anos depois, em 2007, adquiriu o direito de utilizar a marca Philco no Brasil.
Atualmente, Britânia e Philco atuam em diferentes segmentos do mercado de eletrodomésticos e tecnologia. Segundo Ana Luiza Buffara, as marcas possuem equipes e estratégias próprias. Enquanto a Philco tem posicionamento mais associado à tecnologia, a Britânia concentra sua atuação em produtos para o cotidiano e com preços acessíveis.
Empresa amplia fábrica e centro de distribuição
A expansão em Joinville já envolve outras intervenções além do projeto da nova fábrica. A companhia está concluindo uma ampliação de aproximadamente 20 mil metros quadrados em seu centro de distribuição, estrutura que deve começar a ser utilizada até o fim de novembro.
Historicamente, o complexo industrial e logístico da cidade passou de 155 mil para mais de 360 mil metros quadrados, considerando fábricas, armazéns e estruturas de distribuição, inclusive uma unidade ainda em construção.
A empresa também mantém um centro de distribuição de 75 mil metros quadrados em Linhares, no Espírito Santo, além da matriz administrativa em Curitiba e de um escritório em São Paulo.
A rede de comercialização inclui grandes varejistas, supermercados, atacarejos, distribuidores regionais e plataformas de comércio eletrônico, como Mercado Livre e Amazon. A fabricante também realiza vendas por canais próprios e atende empresas que compram equipamentos para suas operações.
Air fryers e escovas secadoras impulsionam portfólio
Apesar de ter começado com ventiladores, a Britânia ampliou sua atuação e hoje disputa espaço em diferentes categorias de eletrodomésticos e cuidados pessoais.
Entre os segmentos de destaque estão as fritadeiras elétricas, conhecidas como air fryers. A empresa afirma ter contribuído para popularizar os aparelhos no Brasil, oferecendo modelos mais acessíveis quando os primeiros produtos chegaram ao mercado nacional, entre 2012 e 2014.
Naquele período, segundo Ana Luiza, alguns equipamentos custavam entre R$ 2 mil e R$ 3 mil. A estratégia da companhia foi apresentar alternativas com preços próximos da metade dos valores praticados inicialmente.
Outro segmento importante é o de escovas secadoras, que combinam as funções de secador e escova de cabelo. A categoria ganhou espaço no catálogo e se tornou relevante tanto em faturamento quanto em volume de vendas.
Os números da empresa mostram o avanço da diversificação. Entre 2024 e junho de 2026, o portfólio total cresceu 5,6%. Na linha branca, a ampliação foi de 22,4%, enquanto os produtos portáteis registraram crescimento de 6,7%.
Os percentuais representam o aumento da quantidade de produtos disponíveis no catálogo, e não necessariamente o crescimento das vendas.
Consumidor exige qualidade e preços acessíveis
A expansão da fabricante ocorre em um cenário no qual as famílias precisam equilibrar as despesas domésticas e as decisões de compra. Nesse contexto, preço, durabilidade e necessidade de manutenção estão entre os fatores considerados pelos consumidores.
Para Ana Luiza Buffara, o desafio da companhia é desenvolver produtos que ofereçam qualidade e funcionalidades sem elevar os preços a ponto de afastar os compradores.
"Não é porque o cenário econômico tá cheio de incertezas que o consumidor vai deixar de querer ter bons produtos dentro de casa", afirmou.
A empresa mantém equipes de pesquisa, engenharia e desenvolvimento, que acompanham tendências de mercado, visitam pontos de venda e participam de feiras internacionais. As equipes também buscam tecnologias em países como China, Estados Unidos e nações europeias e asiáticas.
Sugestão de funcionários gera economia milionária
Além dos investimentos industriais, a Britânia aposta em iniciativas internas para melhorar processos e reduzir custos de produção.
Um dos exemplos surgiu a partir da sugestão de uma funcionária que identificou uma alternativa mais barata para substituir um lápis dermatográfico utilizado na marcação de produtos durante a fabricação.
O material custava aproximadamente R$ 25 por unidade. A colaboradora levou um giz de cera do filho para testar a substituição e percebeu que o produto poderia cumprir a mesma função.
A iniciativa passou a ser utilizada como exemplo dentro do programa Melhora Bri, que recebe sugestões dos funcionários para aperfeiçoar atividades da companhia.
Em 2025, o programa reuniu mais de 2,5 mil propostas. Segundo a empresa, as melhorias implementadas resultaram em mais de R$ 80 milhões em custos evitados e redução de despesas.
A fabricante também mantém o Inova Bri, iniciativa que recebe ideias de colaboradores para novos produtos, campanhas e mudanças em diferentes áreas.
Com a nova fábrica prevista para 2028, a Britânia pretende ampliar sua capacidade produtiva, fortalecer a atuação em linha branca e preparar a estrutura para os próximos anos. A aposta representa mais um capítulo na trajetória iniciada em Curitiba, há sete décadas, com a fabricação de ventiladores.
RESUMO
Expansão: Britânia prepara nova fábrica de 110 mil m² em Joinville (SC), com conclusão prevista para 2028.
Crescimento: Empresa completa 70 anos, reúne 10 mil colaboradores e possui mais de 1.000 produtos no portfólio.
Investimentos: Fabricante amplia atuação em linha branca e fortalece a estrutura industrial e logística.



