Dark Horse: Dino cita esquema de desvios e possível ligação com PCC
Flávio Dino determinou a quebra do sigilo do inquérito e citou possível ligação entre o suposto esquema de desvio de recursos e a facção criminosa

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou neste domingo (13) a quebra do sigilo do inquérito que investiga possíveis irregularidades relacionadas ao filme Dark Horse, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Conforme o Metrópoles, a investigação apura um suposto esquema de desvio de recursos públicos que teria a participação do deputado federal Mário Frias (PL-SP). Na decisão, Dino também menciona uma possível ligação entre o grupo investigado e a facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC).
Segundo o ministro, a investigação aponta que a organização criminosa teria vínculos com o PCC e que Mário Frias, no contexto das hipóteses levantadas pelas autoridades, teria exercido uma posição de liderança na suposta estrutura criminosa.
“Essa organização alcançaria, inclusive, vínculos com a facção PCC (Primeiro Comando da Capital), consoante linha investigativa mencionada nos autos. Há a alusão reiterada, no itinerário delituoso, a um deputado federal, o Sr. Mario Frias, que – no terreno hipotético da investigação – ocuparia um papel de liderança na suposta arquitetura criminosa”, afirmou Dino.
O ministro já havia mencionado a possível relação com o PCC em uma decisão publicada na última quinta-feira (10), quando autorizou uma operação da Polícia Federal (PF) contra Mário Frias e outros investigados.
Suspeitas envolvendo contrato de R$ 12 milhões
As suspeitas tiveram origem em movimentações relacionadas ao Instituto Conhecer Brasil (ICB), ligado à empresária Karina Gama. A entidade teria firmado um subcontrato com uma empresa ligada a Alex Leandro Bispo dos Santos, apontado pelas investigações como integrante do PCC.
O acordo estaria relacionado ao projeto “Wi-Fi Livre SP”, desenvolvido em parceria com a Prefeitura de São Paulo, e teria valor de aproximadamente R$ 12 milhões.
A empresa envolvida é a Urban Connect Serviços e Tecnologia, antiga Favela Conectada Serviço e Tecnologia Ltda. Conforme a decisão de Dino, Alex Leandro foi o único sócio da companhia desde sua fundação, em agosto de 2020.
Em 14 de janeiro deste ano, ele transferiu a propriedade da empresa para a companheira, Tatiane Camargo de Oliveira Fernandes.
Ainda segundo a decisão, em 27 de fevereiro do ano passado, a empresa de Alex solicitou o aumento do limite diário para transações via TED, de R$ 600 mil. O pedido teria sido justificado pela previsão de recebimento de recursos relacionados ao contrato firmado com o Instituto Conhecer Brasil para a execução do projeto.
Suspeito estava preso
A decisão de Flávio Dino também cita informações divulgadas por órgãos de inteligência da polícia, segundo as quais Alex Leandro seria um “membro relevante” do PCC.
Ele estava preso desde fevereiro deste ano, acusado de feminicídio, e foi colocado em liberdade em agosto.
As informações fazem parte do inquérito que teve o sigilo quebrado pelo STF e que apura possíveis desvios de recursos públicos e a eventual participação de agentes públicos e privados no esquema investigado.



