Produtora de filme sobre Bolsonaro diz não saber origem dos recursos | aRede
PUBLICIDADE

Produtora de filme sobre Bolsonaro diz não saber origem dos recursos

Produtora da cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro, Karina Gama não soube explicar quanto do orçamento veio de Daniel Vorcaro

Karina Gama
Karina Gama -

Publicado Por Milena Batista

@Siga-me
Google Notícias facebook twitter twitter telegram whatsapp email

Alvo de investigação da Polícia Federal (PF), a empresária Karina Gama, proprietária da produtora responsável pelo filme Dark Horse, afirmou que desconhece a origem dos recursos utilizados para financiar a cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Em entrevista à CNN, Karina afirmou que, inicialmente, o projeto contava com apenas um investidor: o fundo Heavengate. Segundo ela, sua função era atuar como contratada do fundo e não participar da gestão dos recursos.

“Eu nunca participei do fundo e não era o meu papel. Eu era contratada do fundo”, declarou.

De acordo com a empresária, US$ 13,3 milhões foram gastos na produção do longa. O orçamento inicial era de US$ 24 milhões, mas precisou ser revisto em razão de despesas adicionais surgidas durante a etapa de desenvolvimento do roteiro.

Conforme o Metrópoles, a origem do dinheiro utilizado no filme passou a ser investigada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) após a identificação de possíveis repasses do Banco Master. Na última sexta-feira (11), foram divulgadas mensagens trocadas entre Flávio Bolsonaro (PL), filho do ex-presidente, e Daniel Vorcaro, proprietário do banco, que está preso sob suspeita de envolvimento em uma fraude bilionária no sistema financeiro.

Nas conversas, Flávio teria solicitado recursos a Vorcaro para a produção de Dark Horse.

Karina afirmou que a aproximação entre Flávio Bolsonaro e Vorcaro ocorreu quando o empresário ainda era considerado um dos principais nomes do mercado financeiro. “Essa parte que o Flávio conheceu [o Vorcaro] e chegou até ele para apresentar o projeto, ela aconteceu no momento em que ele era um grande empresário, era ali o maior cara da Faria Lima”, disse.

A empresária, no entanto, afirmou não saber qual valor teria sido destinado por Vorcaro para o financiamento do longa.

Empresária também é alvo de investigação da PF

Karina Gama também é investigada pela Polícia Federal em uma operação que apura o possível desvio de recursos públicos provenientes de emendas parlamentares.

Na última quinta-feira (10), a PF cumpriu 49 mandados de busca e apreensão. Entre os endereços-alvo da operação estão empresas ligadas à empresária, como o Instituto Conhecer Brasil (ICB) e a Academia Nacional de Cultura (ANC), em São Paulo. As medidas também foram cumpridas em endereços no Rio de Janeiro, Ceará e Distrito Federal.

Segundo as investigações, há indícios da existência de uma organização criminosa formada por agentes públicos e privados. O grupo teria direcionado parte dos recursos recebidos para empresas subcontratadas de maneira irregular, sem comprovação da efetiva prestação dos serviços.

O deputado federal Mário Frias (PL), candidato à reeleição, também é investigado no caso.

Suspeita de fraude em contrato público

Karina Gama também é investigada por suspeita de fraude em licitação envolvendo a Prefeitura de São Paulo. Em junho deste ano, a empresária, dona da GoUp Entertainment, produtora responsável por Dark Horse, foi alvo da Operação Wi-Fi Livre.

A apuração investiga a possibilidade de que parte da produção do filme tenha sido financiada com recursos provenientes de um contrato público firmado entre uma organização não governamental e a Prefeitura de São Paulo.

As autoridades analisam possíveis irregularidades em um termo de colaboração firmado entre a Secretaria Municipal de Inovação e Tecnologia (SMIT) e o Instituto Conhecer Brasil (ICB) para a instalação e contratação de serviços de Wi-Fi em comunidades periféricas da capital paulista.

De acordo com as investigações, foram identificadas falhas consideradas graves, além de indícios de irregularidades desde o início da contratação.

Segundo informações publicadas pelo Metrópoles, a gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB) informou ter pago R$ 114 milhões ao ICB pela instalação e manutenção dos pontos de Wi-Fi.

Desse total, R$ 68 milhões teriam sido destinados à instalação e manutenção dos equipamentos entre julho de 2024 e junho de 2025. Outros R$ 45 milhões foram pagos para serviços de manutenção entre julho de 2025 e maio de 2026.

CONTEÚDO DE MARCA

PUBLICIDADE