Sargento aposentado da PM é suspeito de chefiar grupo de agiotagem | aRede
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Sargento aposentado da PM é suspeito de chefiar grupo de agiotagem

José Luiz Silva Sá é suspeito de chefiar grupo que emprestava dinheiro com juros de até 20% ao mês e fazia cobranças violentas, segundo a polícia

Adailton Fernandes de Oliveira (à direita) é um dos detidos em operação
Adailton Fernandes de Oliveira (à direita) é um dos detidos em operação -

Publicado Por João Iansen

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O grupo de agiotagem chefiado pelo sargento aposentado da Polícia Militar José Luiz Silva Sá cobrava juros abusivos de até 20% ao mês e realizava cobranças violentas contra os devedores, segundo a Polícia Civil.

Um vídeo divulgado pela corporação mostra um dos detidos, Adailton Fernandes de Oliveira, ostentando uma grande quantia em dinheiro sobre um sofá. Apontado pela TV Anhanguera como o "financeiro do grupo", ele brinca na gravação sobre o tempo que levaria para conferir o montante:

“Olha o saco aí que eu despejei, tem que contar, vou passar a noite todinha contando dinheiro. Antigamente eu corria atrás do dinheiro, agora o dinheiro corre atrás de mim, tenho que agradecer a Deus. A gente junta de saco. Dinheiro rápido, olha a potência de Goiânia”, afirmou.

A Polícia Civil do Distrito Federal respondeu se o arquivo foi apreendido no celular de Adailton e aguarda resposta.

A operação que desarticulou a organização prendeu 11 pessoas em Goiás e no Distrito Federal na última quinta-feira (10). Na ação, os agentes apreenderam oito carros de luxo, armas e celulares, além de obterem a ordem judicial para o bloqueio de R$ 10 milhões em bens. Os investigados responderão por extorsão, organização criminosa armada e lavagem de dinheiro.

Ameaças e atuação do grupo

As investigações apontam que a organização movimentou R$ 10 milhões em cerca de oito meses. As cobranças eram feitas mediante violência e ameaças de morte. Em mensagens obtidas pela polícia, os integrantes usavam a condição do sargento para intimidar as vítimas:

“Minha equipe vai receber de você de qualquer jeito. Qualquer coisa, meu chefe é policial, faz uma denúncia e abre processo também. [...] Vai ser mais caro para uma garota trapaceira e desonesta que não tem palavra”, diz um dos textos. Em outro trecho, um membro avisa: “Ele vai procurar você aí loirinha. A dívida tem que ser paga.”

Conforme a polícia, o próprio sargento José Luiz realizava as abordagens presencialmente, armado e de forma agressiva.

Origem do caso

O caso começou a ser apurado no ano passado, após um comerciante da Feira dos Goianos pegar um empréstimo com o grupo e não conseguir quitar o débito, momento em que passou a sofrer ameaças junto com seus familiares. As autoridades orientam que outras eventuais vítimas não apaguem mensagens de texto ou áudios, pois o material serve como prova no processo.

Posicionamentos

A Polícia Militar de Goiás informou que o sargento integra a reserva remunerada e não possui vínculo com o serviço ativo. A Corregedoria da corporação acompanha o caso e declarou que adotará as medidas cabíveis no momento oportuno.

A defesa de José Luiz Silva Sá e de Adailton Fernandes de Oliveira declarou que ainda não teve acesso integral aos autos devido ao sigilo do inquérito, mas antecipou que impetrará pedido de habeas corpus para que ambos respondam ao processo em liberdade.

RESUMO

Operação e Prisões: A polícia prendeu 11 pessoas no DF e em GO, bloqueou R$ 10 milhões e apreendeu carros de luxo e armas de uma organização de agiotagem liderada por um sargento aposentado da PM.

Extorsão e Ameaças: O grupo cobrava juros abusivos de até 20% ao mês e usava violência física e intimidações armadas contra os devedores, ostentando grandes quantias em dinheiro obtidas nas extorsões.

Investigação e Defesa: O caso teve início a partir da denúncia de um comerciante ameaçado, enquanto a PMGO e as defesas dos acusados aguardam acesso total ao inquérito para tomar as medidas cabíveis e pedir habeas corpus.

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