Bancários da Caixa entram em greve nacional nesta quinta-feira; PG será afetada
A greve deve ser mantida até que novas assembleias cheguem a uma decisão

Bancários da Caixa Econômica Federal e do Banco do Brasil entram em greve por tempo indeterminado a partir desta quinta-feira (10). Na Caixa, a greve é nacional. No Banco do Brasil, apenas parte dos trabalhadores aderiu à paralisação. Os demais aceitaram o acordo da categoria.
O resultado das assembleias realizadas no Brasil inteiro, com mais de 90% de rejeição nas bases sindicais, demonstrou, de forma clara, a insatisfação dos empregados com a proposta apresentada pela Caixa. Isso foi fundamental para forçar o retorno das negociações.
A greve, que se inicia nesta quinta-feira (10), por tempo indeterminado, deve ser mantida até que novas assembleias tomem uma nova decisão.
O principal impasse é em relação ao plano de saúde. Os empregados querem o fim do teto de pagamento do patrocinador do plano, que hoje é de 6,5% sobre a folha de pagamento. o movimento sindical pede a volta do modelo anterior, que previa a cobertura de 70% das despesas pela Caixa e 30% pelos funcionários.
A representação dos empregados, mais uma vez, apontou os problemas que levaram a proposta a ser rejeitada nas assembleias, especialmente em relação ao Saúde Caixa, mas também lembrou da extensa lista de reivindicações apresentada para o banco desde junho.
Caixa Econômica Federal
Segundo Neiva Ribeiro, presidente do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região, não foi possível chegar a uma negociação, em especial no caso da Caixa.
O entrave no plano de saúde ocorre porque, hoje, os bancários pagam 3,5% do salário-base de convênio, mais R$ 480 por mês por dependente. Se o dependente tiver entre 24 e 27 anos, o valor é de R$ 800. A proposta da Caixa elevava o percentual para 5,5%, o valor por dependente para R$ 870 e para os maiores, o valor mensal ira para R$ 1.050.
Eles rejeitaram a proposta e decidiram entrar em greve, mas aceitaram voltar a negociar a partir da noite desta quarta (9). Na assembleia, 93 bases sindicais decidiram pela paralisação. Em outras 35, houve rejeição, mas opção por negociar. Nas demais, a proposta foi aprovada.
"A expressiva rejeição da proposta nas assembleias realizadas em todo o país demonstra que ela está muito distante das necessidades e das expectativas dos trabalhadores da Caixa. A principal preocupação é com o Saúde Caixa, uma questão que precisa ser tratada com a complexidade e o cuidado que necessita", diz Neiva.
Em nota, a Caixa afirma que "mantém aberto o diálogo com as entidades representativas dos empregados e segue comprometida com a renovação do acordo coletivo de trabalho", com renegociações reabertas nesta quarta.
"O objetivo é construir um entendimento que contemple os interesses de todas as partes envolvidas, com foco na valorização dos empregados, na sustentabilidade da instituição e na continuidade da prestação de serviços à sociedade", diz o banco público.
Banco do Brasil
No caso do Banco do Brasil, também há um impasse quanto ao custeio do plano de saúde, que estaria pesando para a instituição. Nas assembleias, 39 sindicatos aprovaram a proposta de aporte de R$ 360 milhões para manter o plano até novembro deste ano, entre eles, São Paulo (SP), Curitiba (PR), Campo Grande (MS), Niterói (RJ) Foz do Iguaçu (PR), MARINGÁ (PR), União da Vitória (PR) e Jundiaí (SP).
A maioria (60 sindicatos), no entanto, rejeitou e decidiu pela retomada das negociações, dentre eles Brasília (DF), Rio de Janeiro (RJ), Porto Alegre (RS), Pernambuco e Florianópolis (SC). Mas 27 sindicatos optaram pela greve a partir desta quinta, incluindo Belo Horizonte (MG), Bahia, Ceará e Piauí.
O Banco do Brasil diz participar da mesa única da Fenaban (Federação Nacional dos Bancos), com presença de todos os bancos, e ter mesa específica para debater demandas de seus funcionários.
"Para a data-base de 2026, foram realizadas várias rodadas de negociação, que resultaram na proposta apresentada às entidades sindicais e aprovada em diversas assembleias em todo o país", diz a nota.
Neiva diz que as instituições financeiras devem orientar seus clientes sobre as alternativas disponíveis para o pagamento de contas, boletos, tributos e demais compromissos financeiros durante a greve, já que a greve é um direito do trabalhador.
"A greve é um direito constitucional dos trabalhadores e não deve resultar em prejuízos aos clientes."
"Foram 13 rodadas de negociação e mais de dois meses de mobilização e diálogo com o setor mais lucrativo do país. A assinatura da convenção coletiva de trabalho representa uma importante conquista da categoria bancária", diz Neiva, que agora quer discutir questões relacionadas à saúde mental conforme regras da NR-1 (Norma Regulamentadora 1).
Reajuste Salarial
O índice de correção dos salários dos bancários será conhecido na sexta (11), e corresponde à inflação medida pelo INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor) de setembro de 2025 a agosto de 2026 mais 0,6% de aumento real.
No caso da PLR, não há valor fixo, pois depende do salário do trabalhador e do lucro obtido pelo banco. O benefício é composto por duas partes: a chamada regra básica, calculada a partir de 90% do salário-base e das verbas salariais fixas, acrescida de uma parcela fixa, mais a parcela adicional, que corresponde à distribuição de 2,2% do lucro líquido do banco, em partes iguais entre os empregados elegíveis.
Existem limites individuais e limites relacionados ao lucro de cada banco.
A PLR referente a 2026 será paga até o final de março de 2027, mas haverá uma antecipação ainda neste mês. Segundo o Sindicato de São Paulo, Osasco e Região, essa antecipação também terá uma parte calculada sobre o salário e outra vinculada ao lucro do banco no primeiro semestre.
Com informações do Sindicato dos Bancários de Ponta Grossa e Região
Confira um resumo da notícia
Início e adesão da greve: Trabalhadores da Caixa Econômica Federal aprovaram greve nacional por tempo indeterminado a partir desta quinta-feira (10), enquanto no Banco do Brasil a paralisação é parcial, com adesão de apenas 27 sindicatos e aceitação da proposta pelos demais.
Plano de saúde como principal impasse: O estopim para a rejeição das propostas foi a discordância sobre o custeio e reajuste das mensalidades do plano de saúde (Saúde Caixa e Cassi), embora o diálogo entre os bancos e os sindicatos tenha sido reaberto para tentar um novo acordo.
Proposta salarial e PLR: O reajuste salarial da categoria será definido com base no INPC acumulado de 12 meses mais 0,6% de aumento real, e o acordo prevê antecipação da Participação nos Lucros e Resultados (PLR) ainda neste mês.



