Em oito meses, Olho Vivo auxilia forças de segurança na resolução de 1,8 mil casos no PR
Dados foram apresentados pelo secretário da Segurança Pública, coronel Hudson Leôncio Teixeira, na manhã desta segunda-feira (31)

A plataforma de monitoramento com inteligência artificial da Secretaria da Segurança Pública do Paraná (Sesp), o Olho Vivo, que integra as ações das polícias Civil e Militar, auxiliou na resolução de 1.885 casos em todo o Estado desde o início de sua operação, em dezembro de 2025. Os dados foram apresentados pelo secretário da Segurança Pública, coronel Hudson Leôncio Teixeira, na manhã desta segunda-feira (31), e mostram que a ferramenta também contribuiu para 1.300 prisões e para a recuperação de 557 veículos.
A tecnologia consegue ler placas e identificar modelo e cor dos veículos em tempo real, cruzando as informações com bases policiais de furto, roubo e mandados ativos; qualquer correspondência gera um alerta imediato que é encaminhado para a viatura mais próxima, que decide e conduz a abordagem. A própria inteligência artificial consegue realizar as buscas a partir dos comandos específicos dos policiais que operam o sistema.
“A inteligência artificial tem sido empregada como inteligência assistida, uma vez que ela não substitui o ser humano, nem tampouco o policial, o raciocínio policial prevalece. Então, ela tem auxiliado em muito, não só na elucidação de crimes pela Polícia Civil do Estado do Paraná e outras forças, como também para que a Polícia Militar consiga fazer o planejamento de patrulhamento na região, uma vez que essa inteligência permite uma linha de tendência onde nós temos a possibilidade maior de incidência de crimes”, afirmou o secretário.
“O que nós levávamos dias, meses, às vezes, para ter informações, hoje, em questão de minutos nós conseguimos avançar. Por exemplo, em casos onde não há confirmação da placa de um veículo envolvido em algum delito, às vezes por uma característica como a cor do carro, algum amassado, adesivo, você consegue identificar o veículo e repassar para o município ou até mesmo em todo o Estado, dependendo da gravidade da situação, para que seja feita a abordagem e a prisão”, acrescentou.
O sistema permite ainda buscas semânticas em linguagem natural. Assim, os policiais podem localizar veículos e suspeitos a partir de características informadas em boletins de ocorrência, como cor, placa, amassados na lataria e adesivos, além de capacetes, roupas ou mochilas dos suspeitos, ampliando a capacidade de identificação e resposta das forças de segurança. Outro ponto interessante é a observação e identificação pelo sistema de padrões de trânsito, como no caso de veículos que circulam muitas vezes por determinadas rotas levantando suspeitas.
A tecnologia conecta as imagens das câmeras à inteligência artificial, funcionando como um sistema de apoio às equipes policiais. Atualmente, a plataforma reúne 972 câmeras e a previsão é ampliar a rede para 1,5 mil equipamentos, com avanços já no processo de reconhecimento facial. O sistema é coordenado pela Superintendência-Geral de Governança de Serviços e Dados (SGSD) em conjunto com a Secretaria da Segurança Pública (SESP) e sob a operação das Polícias Militar e Civil do Paraná.
Os equipamentos estão distribuídos em grandes centros urbanos, regiões de fronteira e no Litoral paranaense. A rede já atende praticamente todas as grandes regiões: Norte, Noroeste, Oeste, Centro-Oeste, Campos Gerais, Litoral e Região Metropolitana de Curitiba. O objetivo é integrar no sistema todas as cidades do Paraná com a participação das forças de segurança estaduais e municipais.
A evolução dos resultados acompanha a expansão da ferramenta. Em janeiro, primeiro mês de funcionamento pleno do sistema, foram registradas 20 ocorrências solucionadas com apoio da plataforma. O número acumulado passou para 212 em março, chegou a 780 em junho e alcançou 1.180 casos em julho. Entre junho e agosto, a eficácia da ferramenta cresceu 2,4 vezes.
Um levantamento da LCA Consultoria comparou dois dos principais programas de tecnologia para segurança pública do País - o do Paraná e o de São Paulo. Por câmera instalada, o paranaense entrega 21 vezes mais resultado na captura de foragidos, 43 vezes mais em prisões em flagrante e 108 vezes mais na recuperação de veículos - operando com 972 câmeras próprias, contra 20 mil na cidade de São Paulo.
CASOS SOLUCIONADOS
Os resultados da plataforma já aparecem em diferentes tipos de ocorrências e regiões do Paraná. Entre os casos solucionados com apoio da inteligência artificial estão prisões, apreensões de drogas e localização de suspeitos a partir de informações como veículos, roupas e objetos identificados pelas câmeras.
1 - Polícia Militar prende suspeito de roubo de cargas no Litoral do Paraná com ajuda de inteligência artificial
Matinhos, 20 de agosto — Um homem de 22 anos foi preso em Matinhos, no Litoral do Paraná, suspeito de envolvimento em roubos de carga na região. Ele foi localizado por equipes do 35º Batalhão de Polícia Militar (35º BPM) com apoio dos sistemas de inteligência artificial utilizados pelas forças de segurança do Paraná. A plataforma identificou, por câmeras integradas ao sistema, que um carro usado em dois roubos de carga de cigarros em Pontal do Paraná circulava por uma avenida de Matinhos, e as equipes mapearam as possíveis rotas do veículo. O carro foi localizado quando se aproximava da rodoviária; os policiais deram ordem de parada, mas o condutor não atendeu e tentou fugir em alta velocidade, na contramão. Após alguns minutos de acompanhamento, o veículo foi interceptado ao colidir com outro carro na Rodovia Elísio Pereira Alves Filho (PR-508). Um dos ocupantes foi preso e o outro fugiu por uma área de mata. Segundo o relato da equipe, durante o acompanhamento o condutor apontou uma arma em direção à viatura e depois a arremessou pela janela. Um homem foi encaminhado à Delegacia de Polícia Civil de Matinhos, para onde também foram levados o veículo e dois celulares relacionados à ocorrência.
2 - Polícia Militar identifica suspeito de furto em Maringá após inteligência artificial reconhecer mochila usada no crime
Uma rede de câmeras de inteligência artificial distribuída por Maringá, no Noroeste do Paraná, ajudou a Polícia Militar a chegar até um suspeito de furto na cidade. O sistema reconheceu a mochila que o homem carregava e, a partir dela, a motocicleta que ele usava — pistas que levaram à sua localização por uma equipe em patrulhamento no dia 18 de junho.
O furto havia sido registrado dias antes, mas o suspeito foi identificado após o sistema inteligente cruzar as imagens captadas pelas câmeras espalhadas pela cidade com as informações da roupa que ele usava no momento do furto. Com estes dados, a plataforma identificou a mochila do suspeito, que tinha um emblema de um time de futebol, e a motocicleta Honda Titan ligada ao caso.
Ao circular pela região, a equipe encontrou o homem conduzindo a mesma moto. Ele vestia roupas parecidas com as do dia do furto e levava a mochila apontada pelo sistema. Com ele, os policiais acharam 16,9 gramas de uma substância semelhante à maconha. O suspeito disse que a droga era para uso próprio, e o caso foi registrado como termo circunstanciado. Depois, em articulação com a Polícia Civil, ele foi levado para prestar depoimento sobre o furto registrado anteriormente.
3 - Rastreamento por 120 km leva à apreensão de 269 kg de maconha em Umuarama
Umuarama, 12 de abril — Um veículo carregado de drogas foi acompanhado por cerca de 120 quilômetros até ser interceptado nas imediações de Umuarama, no Noroeste do Estado, onde a Polícia Militar apreendeu 269 quilos de maconha com apoio do sistema. O carro havia partido de Guaíra, na fronteira com o Paraguai, e, em vez de interceptá-lo de imediato, as equipes do 25º Batalhão optaram por acompanhá-lo à distância, cruzando os registros das câmeras à medida que o veículo avançava pela malha monitorada. O monitoramento contínuo deu tempo para escolher o melhor ponto de abordagem e planejar a operação, reduzindo riscos na interceptação. Ao pararem o veículo, os policiais encontraram os 269 quilos de maconha e prenderam o condutor em flagrante.
4 - Sistema auxilia Polícia Civil a prender integrante de quadrilha especializada em roubos de Hilux no Oeste do Paraná
Foz do Iguaçu, 17 de abril — Um suspeito de integrar uma quadrilha especializada em furtos de caminhonetes foi preso em Foz do Iguaçu, no Oeste do Paraná, após ser rastreado pelo sistema de videomonitoramento. O homem, de 22 anos, era foragido da Operação "Fim de Pista", que investiga furtos de Hilux na região. O carro em que estava, um Ônix prata, já constava no banco de dados da plataforma por ter sido identificado dando apoio a furtos de caminhonetes, e foi flagrado trafegando pela região central da cidade. Com o trajeto captado pelas câmeras, agentes da Polícia Civil abordaram o veículo na avenida Paraná, no Centro. Ao ver os policiais, o foragido tentou se desfazer de uma chave de fenda e de um decodificador, jogando os objetos para baixo do carro; na revista, foi encontrado ainda um aparelho conector — equipamento usado para ligar as caminhonetes durante os furtos. Consulta ao sistema da Secretaria da Segurança Pública confirmou mandado de prisão em aberto, e ele foi conduzido à Cadeia Pública. Os outros dois ocupantes foram liberados após identificação.
Confira um resumo da notícia:
- Olho Vivo já auxiliou em 1.885 casos no Paraná, além de contribuir para 1.300 prisões e a recuperação de 557 veículos desde o início da operação, em dezembro de 2025.
- Sistema usa inteligência artificial e 972 câmeras para identificar placas, veículos, suspeitos e padrões de circulação, cruzando informações com bases policiais e emitindo alertas para as equipes.
- Tecnologia já ajudou em diferentes ocorrências, como prisões por roubo e furto, apreensão de 269 kg de maconha e localização de foragidos. A rede deve chegar a 1,5 mil câmeras no Paraná.





















