Zélia Duncan fala sobre câncer de tireoide e revela que doença quase tirou sua voz | aRede
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Zélia Duncan fala sobre câncer de tireoide e revela que doença quase tirou sua voz

Durante entrevista ao videocast do Globo, a cantora detalha o diagnóstico de 2017, a cirurgia e o processo de recuperação vocal que marcou sua vida

Cantora Zélia Duncan
Cantora Zélia Duncan -

Publicado Por Milena Batista

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A cantora Zélia Duncan revelou, durante participação no videocast Conversa vai, conversa vem, do Jornal Globo, que foi diagnosticada com câncer de tireoide em setembro de 2017, aos 50 anos. O diagnóstico trouxe um dos maiores medos de sua carreira: perder a voz, principal instrumento de seu trabalho artístico.

Conforme o Portal Lorena IG, a cirurgia foi realizada em dezembro daquele ano. Entre o diagnóstico e o procedimento, Zélia viveu meses de intensa apreensão. Ela contou que chegou a sentir que perder a voz seria “pior que morrer”.

Durante o período, a cantora continuou cumprindo a agenda profissional, mas enfrentava emocionalmente a possibilidade de não conseguir mais cantar. De setembro a dezembro, subia ao palco com a sensação de estar se despedindo. Nos bastidores, chorava diante da incerteza. A fonoaudióloga que a acompanhava tentava tranquilizá-la e chegou a dizer: “Para de se despedir”.

Como ainda não havia necessidade de uma cirurgia imediata, Zélia conversou com o médico e conseguiu adiar o procedimento até depois de um show que já estava marcado.

Diagnóstico aconteceu em momento de destaque na carreira

Zélia recebeu o diagnóstico em uma fase que considerava uma das melhores de sua vida profissional. Ela também se sentia forte e saudável e estava em um relacionamento com Flavia. Ao mesmo tempo, passava pela menopausa, o que tornou o período ainda mais delicado, já que precisou interromper a reposição hormonal antes da cirurgia.

A cantora também relembrou a relação cuidadosa que sempre teve com a própria voz. Desde jovem, evitava que tocassem em seu pescoço e tomava diversos cuidados para preservar o instrumento que considera fundamental para sua profissão.

Por isso, a descoberta da doença provocou um forte impacto emocional. Mesmo após a recuperação, Zélia conta que continuou em um processo de adaptação e que o medo permaneceu presente durante parte da trajetória.

“Um, dois, três, testando”

Depois da cirurgia, um dos momentos mais marcantes aconteceu logo ao despertar da anestesia. Ainda sem saber como sua voz estaria, Zélia estava muda e apavorada. O médico pediu que ela falasse alguma coisa.

A resposta foi simples: “Um, dois, três, testando”.

A voz estava preservada, mas o processo de recuperação exigiu dedicação. A cantora passou por exercícios específicos e acompanhamento com fonoaudióloga para reconstruir a segurança ao cantar.

Um dos desafios seguintes foi trabalhar ao lado do violoncelista e maestro Jaques Morelenbaum. A combinação entre voz e violoncelo exigia ainda mais precisão e fazia com que qualquer imperfeição fosse percebida. Para Zélia, foi um período de intenso esforço técnico e emocional.

Cantar, que durante toda a vida havia sido algo natural, passou a exigir planejamento. Ela precisou pensar em respiração, intensidade e colocação das notas. O que antes acontecia de maneira instintiva passou a ser calculado.

Palco virou parte da recuperação

Aos poucos, o palco também se tornou um espaço de reconstrução emocional. Zélia contou que chorava antes de algumas apresentações, lavava o rosto, se maquiava e entrava em cena.

A cada show, recuperava um pouco mais da confiança. Hoje, segue cantando e diz não ter medo do microfone ou do palco, embora mantenha uma postura mais cautelosa diante da própria voz.

Essa experiência também passou a fazer parte de sua produção artística. O processo ganhou novo significado no álbum Agudo grave, seu 21º disco, que aborda justamente questões relacionadas à voz e às transformações vividas pela cantora.

A faixa Voz, parceria com Maria Beraldo, encerra o álbum com o verso: “E as cicatrizes todas cantam por mim”.

O trabalho, desenvolvido com Maria Beraldo e Tó Brandileone, reflete sobre a voz que permaneceu, mas também sobre quem Zélia se tornou depois de tudo o que viveu. As cicatrizes físicas e emocionais deixadas pelo câncer deixaram de representar apenas marcas do passado e passaram a integrar sua própria expressão artística.

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