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Laudo confirma causa da morte de estudante morta por namorado em SC

Namorado confessou ter aplicado um golpe na vítima e mantido a rotina normal antes de se entregar às autoridades

Joviana Evelyn Iankovski e José Gustavo Rabelo de Souza
Joviana Evelyn Iankovski e José Gustavo Rabelo de Souza -

Publicado por Lucas Veloso

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O laudo da Polícia Científica de Santa Catarina apontou que a estudante de Ciências Biológicas Joviana Evelyn Iankovski, de 19 anos, morreu por asfixia provocada por constrição cervical, condição causada por compressão direta no pescoço. O resultado da perícia foi divulgado pela Polícia Civil nesta segunda-feira (17) e integra o inquérito que apura o assassinato da jovem, ocorrido no município de Sangão, no Sul catarinense. O namorado da vítima, José Gustavo Rabelo de Souza, de 21 anos, confessou o crime às autoridades e responde pelo feminicídio.

Segundo as investigações, o homicídio ocorreu entre a noite do dia 6 de agosto e a madrugada do dia 7, após uma discussão motivada por mensagens que a vítima encontrou no celular do companheiro com outras mulheres. A Polícia Civil informou que o casal mantinha um relacionamento conturbado e que, durante o desentendimento, Joviana tentou deixar a residência, mas foi impedida, agredida e esganada pelo namorado com um golpe conhecido como "mata-leão" - com informações de TNOnline, parceiro do Portal aRede.

Após cometer o crime, o suspeito manteve o corpo da estudante trancado dentro do próprio quarto e continuou residindo no local ao longo de todo o fim de semana, período em que chegou a receber outras pessoas no imóvel. Para ocultar o fato, ele utilizou o celular da vítima para enviar mensagens aos familiares dela, que desconfiaram do teor dos textos por não reconhecerem o estilo de escrita da jovem. O caso só veio à tona na manhã do dia 10 de agosto, quando o rapaz revelou o assassinato para a mãe e a avó, que moravam na mesma casa, mas alegaram não ter visto o corpo.

Na sequência, o investigado se apresentou espontaneamente à polícia e assumiu a autoria do homicídio. De acordo com a Polícia Civil, o jovem não possuía antecedentes criminais registrados, embora familiares da vítima relatem histórico prévio de comportamento violento. Em nota, a defesa do suspeito declarou que atuará de maneira técnica e responsável ao longo do processo, evitando manifestações que transformem o caso em disputa pública. O corpo de Joviana foi sepultado na manhã do dia 12 de agosto em sua cidade natal, Pato Branco, no Paraná.

Confira nota da defesa de José Gustavo Rabelo de Souza:

"A defesa técnica de José Gustavo Rabelo de Souza, diante das informações que vêm sendo divulgadas acerca do falecimento da jovem Joviana Evelyn Lankovski, ocorrido no município de Sangão/SC, vem, respeitosamente, prestar os seguintes esclarecimentos.

Inicialmente, a defesa manifesta suas mais sinceras condolências aos familiares e amigos de Evelyn, reconhecendo a profunda dor provocada por uma perda dessa natureza. Por respeito à vítima e aos seus familiares, a defesa entende que o momento exige, acima de tudo, responsabilidade, serenidade e respeito.

O processo tramita sob segredo de justiça, justamente para resguardar informações, documentos e elementos relacionados ao caso e às pessoas envolvidas. Por essa razão, a defesa entende ser necessário agir com a mesma responsabilidade e preservar informações que não podem ser expostas publicamente, especialmente aquelas que dizem respeito à intimidade dos envolvidos.

É importante, contudo, esclarecer uma informação que vem sendo divulgada de maneira imprecisa e que atinge diretamente a família de José Gustavo.

A família de José Gustavo não teve conhecimento prévio dos fatos e jamais participou de qualquer tentativa de ocultação ou acobertamento.

José residia com a mãe e a avó. Na rotina da residência, havia circunstâncias que contribuíram para que, naquele momento, não houvesse qualquer razão concreta para que familiares suspeitassem do que havia ocorrido. Entre elas, estão a dificuldade auditiva da mãe, circunstância de conhecimento público, e o fato de José permanecer com o quarto fechado durante períodos de descanso, comportamento que já fazia parte de sua rotina habitual.

A família somente tomou conhecimento dos fatos na manhã de segunda-feira, após o próprio José relatar o ocorrido. Tão logo teve conhecimento da situação, sua família o conduziu à Delegacia de Polícia, colocando-o à disposição das autoridades para que fossem adotadas as providências legalmente cabíveis.

Esse comportamento, por si só, demonstra a postura adotada pela família diante de uma situação extremamente grave e inesperada: não houve fuga, ocultação ou qualquer iniciativa destinada a impedir a atuação das autoridades. Ao contrário, houve a procura imediata da autoridade policial tão logo os familiares tiveram conhecimento dos fatos.

A família de José Gustavo também deseja deixar claro que não compactua, sob nenhuma circunstância, com qualquer forma de violência, especialmente contra mulheres. Ao mesmo tempo em que enfrenta a própria dor e o impacto causado por toda essa situação, manifesta profundo pesar pelo falecimento de Joviana Evelyn Lankovski e respeito absoluto à dor de seus familiares.

Quanto à dinâmica dos fatos, a defesa ressalta que qualquer conclusão responsável deve decorrer da análise integral e técnica do conjunto probatório, incluindo os elementos periciais e demais provas que integram a investigação. Antecipar conclusões enquanto as apurações ainda estão em curso não contribui para o esclarecimento dos fatos e pode gerar interpretações equivocadas. José Gustavo encontra-se preso preventivamente, à disposição do Poder Judiciário, e sua defesa seguirá atuando de maneira técnica e responsável, dentro dos limites impostos pelo segredo de justiça e em estrita observância aos princípios constitucionais do devido processo legal, contraditório e ampla defesa.

A defesa reafirma, por fim, que não pretende transformar a dor de nenhuma das famílias em objeto de disputa pública. Seu compromisso é exclusivamente com a verdade dos fatos, com o respeito às instituições e com o exercício legítimo da defesa, permitindo que as autoridades competentes realizem seu trabalho e que as conclusões sejam alcançadas a partir das provas produzidas regularmente".

Confira um resumo da notícia:

Laudo confirma causa da morte: A perícia apontou que Joviana Evelyn Iankovski, de 19 anos, morreu por asfixia provocada por compressão no pescoço. O namorado, José Gustavo Rabelo de Souza, de 21 anos, confessou o crime e responde por feminicídio.

Crime e investigação: Segundo a Polícia Civil, o assassinato ocorreu entre os dias 6 e 7 de agosto, após uma discussão do casal. O suspeito teria impedido Joviana de sair da residência e a esganado com um golpe conhecido como “mata-leão”. Depois, manteve o corpo no quarto e utilizou o celular da vítima para enviar mensagens aos familiares.

Defesa contesta informações sobre a família: Em nota, a defesa afirma que a mãe e a avó de José não sabiam do crime e não participaram de qualquer tentativa de ocultação. Segundo os advogados, a família só tomou conhecimento dos fatos na manhã do dia 10 e conduziu o jovem à delegacia. A defesa também pede que as conclusões sejam baseadas no conjunto de provas e respeitem o devido processo legal.

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