'Ela ensinou respeito': família homenageia fotógrafa após tragédia em Sapopema
Em depoimentos inéditos à Banda B, parentes e pessoas próximas reúnem memórias e revelam o legado da fotógrafa encontrada morta após cinco dias de buscas

O sorriso fácil, a presença nos encontros de família, o respeito às diferenças e a capacidade de fazer as pessoas se sentirem acolhidas estão entre as principais lembranças deixadas pela fotógrafa Ana Paula Silveira Cardoso, de 29 anos.
Ana Paula foi encontrada morta nesta quinta-feira (30), após desaparecer durante uma trilha no Salto das Orquídeas, em Sapopema, no Norte do Paraná. O corpo foi localizado após cinco dias de buscas na região.
Conforme a Banda B, parceira do Portal aRede, em depoimentos reunidos pela família, parentes e amigos decidiram compartilhar, pela primeira vez, lembranças sobre a fotógrafa e destacar características que, segundo eles, vão muito além do trabalho que desenvolvia atrás das lentes.
Durante os cinco dias de buscas, enquanto o Paraná acompanhava o trabalho das equipes de resgate, familiares enfrentavam uma rotina marcada pela angústia e pela esperança. Após a confirmação da morte, decidiram transformar a dor em uma homenagem coletiva.
“A Ana ensinou muito à nossa família sobre cidadania e sobre o respeito às diversidades”, lembram familiares.
Segundo parentes e amigos, mesmo com uma rotina intensa de trabalho, viagens e atividades esportivas, Ana Paula fazia questão de estar presente nos encontros familiares.
“Hoje a gente vê que ela tinha muito amor pela nossa família, porque ela preferia também estar junto com a gente. Isso nos deixa muito emocionados”, relatou uma familiar.
As crianças também tinham uma relação especial com a fotógrafa. De acordo com os familiares, Ana Paula fazia questão de conversar com todos da mesma maneira, olhando nos olhos e demonstrando interesse pelo que cada pessoa tinha a dizer.
O tio materno, Marcelo Silveira, recorda que a sobrinha levava leveza e bom humor para os encontros familiares.
“Era impossível não sorrir perto dela. Além do amor que a gente sentia pela Ana Paula, o que mais me vem à cabeça é a presença dela sorrindo entre nós, com conversas inteligentes, brincadeiras, sempre muito meiga e divertida. Ela adorava brincar com os primos, dos menores aos mais velhos”, contou, emocionado.
Homenagens destacam carinho e respeito
As mensagens reunidas pela família também mostram que Ana Paula tinha facilidade para criar vínculos com pessoas de diferentes idades. Conforme os relatos, ela conversava com crianças, adultos e idosos com a mesma atenção e demonstrava interesse pelas histórias de cada um.
“A Ana era aquela pessoa que a gente sempre gostava de ter por perto. Ela levava uma energia muito boa, conversava sobre qualquer assunto, tratava todo mundo com respeito e amor. Vai fazer muita falta”, afirmou uma amiga.
Para quem conviveu com a fotógrafa, a principal lembrança não está apenas nas imagens que ela produziu, mas na maneira como fazia as pessoas se sentirem.
“Tinha uma vida feliz, alegre, entusiasmada! Era inteligente e aventureira”, recordaram amigos e familiares.
Quem era Ana Paula
A morte de Ana Paula Silveira Cardoso provocou comoção entre familiares, amigos e pessoas que acompanhavam seu trabalho dentro e fora do Paraná.
Formada em Ciências Sociais pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), com especialização em Antropologia, ela construiu carreira na fotografia e ficou conhecida pelo olhar sensível em eventos esportivos, culturais e artísticos.
Apaixonada por aventuras, viagens e atividades físicas, Ana Paula desapareceu no sábado (25), depois que foi arrastada pela correnteza durante uma trilha no Salto das Orquídeas, em Sapopema, a cerca de 120 quilômetros de Londrina.
Após cinco dias de buscas, equipes de resgate localizaram o corpo da fotógrafa na manhã desta quinta-feira (30).
A confirmação da morte provocou uma onda de homenagens nas redes sociais. Amigos, atletas, artistas, entidades e instituições destacaram o talento, a generosidade e o legado deixado por Ana Paula.
“A história da Ana Paula jamais poderá ser resumida à forma com que ela partiu. Ela é muito maior do que o acidente que a levou. Por isso, queremos lembrar de onde ela viveu e não de onde ela partiu”, ressaltou o tio Marcos Silveira.





















