Polícia investiga desaparecimento de fotógrafa e sobrevivente quebra silêncio
Ana Carolyne Camilo prestou depoimento, gravou vídeo e afirmou que acesso às trilhas era livre, sem qualquer exigência de guia

O caso da fotógrafa desaparecida em cachoeira, Ana Paula Silveira Cardoso, ganhou um novo desdobramento nesta terça-feira (28). A Polícia Civil instaurou um inquérito para apurar as circunstâncias do desaparecimento da londrinense no Salto das Orquídeas, em Sapopema, no Norte do Paraná. A amiga sobrevivente prestou depoimento.
Enquanto as buscas continuam, Ana Carolyne Camilo, de 30 anos, gravou um vídeo em que afirma nunca ter recebido orientação para contratar um guia ou comunicar a descida até as cachoeiras. Já o delegado responsável pela investigação reforçou que a principal hipótese segue sendo a de um acidente, mas destacou que todas as circunstâncias ainda serão apuradas - com informações de Banda B, parceiro do Portal aRede.
Polícia investiga desaparecimento de fotógrafa em cachoeira
O delegado de Curiúva ,Thiago Luiz dos Santos, afirmou que a principal linha de investigação aponta para um acidente, com base no depoimento detalhado da sobrevivente, que permaneceu emocionalmente abalada durante a oitiva.
Segundo ele, Ana Carolyne confirmou que tentou salvar a amiga após ela escorregar, mas acabou sendo arrastada pela correnteza e caiu da cachoeira. Apesar disso, a Polícia Civil ainda apura todas as circunstâncias do caso, inclusive se houve falhas nos protocolos de segurança do local.

O delegado acrescentou que os primeiros depoimentos indicam que o proprietário do camping e o guia da excursão orientaram o grupo a não seguir até a cachoeira devido ao nível elevado do rio, mas que apenas as duas amigas decidiram continuar a trilha.
“O guia da excursão desceu até o local, constatou que o rio estava com o nível muito elevado por causa das condições climáticas e orientou o grupo a não seguir pela trilha. Segundo os depoimentos colhidos até o momento, o proprietário também fez essa recomendação. Ainda assim, apenas as duas amigas decidiram prosseguir e assumiram o risco da travessia”, afirmou Santos.
Sobrevivente revive momentos de desespero durante depoimento
A oitiva ocorreu por videochamada porque Ana Carolyne permanece internada após sofrer uma fratura na coluna. De acordo com o delegado, ela apresentou um relato consistente, apesar do forte abalo emocional.
“Ela está bem abalada emocionalmente. Chorou diversas vezes durante a oitiva, mas foi muito solícita e teve muita clareza nos detalhes”, relatou o delegado.
Amiga afirma que nunca recebeu orientação para usar guia
No depoimento e também em um vídeo divulgado nas redes sociais, Ana Carolyne afirmou que o acesso às trilhas sempre foi livre.
Segundo ela, o camping apenas informava que o ingresso dava acesso às cachoeiras e exigia o preenchimento de um termo de responsabilidade. Ela também afirmou que nunca foi orientada a contratar um guia.
“O local informou que o acesso seria livre e que, com o valor do camping, já tinha um seguro. Eles dariam uma pulseira para termos acesso às cachoeiras. Era minha quarta vez lá e nunca houve a necessidade de fazer a descida acompanhada. O que causa indignação na minha família é que ninguém percebeu que nós não tínhamos voltado para pedir ajuda”, explicou Ana Carolyne.
No vídeo, Ana Carolyne reforçou que nunca recebeu apoio para realizar o percurso e criticou a falta de controle sobre quem entrava e saía das trilhas.
Polícia apura se houve falha nos protocolos de segurança
Durante a entrevista, o delegado também comentou os questionamentos sobre a estrutura oferecida aos visitantes.
Segundo ele, uma eventual responsabilização do camping dependerá da análise dos protocolos de segurança adotados.
Por outro lado, Santos afirmou que os primeiros depoimentos indicam que o proprietário e o guia da excursão alertaram o grupo sobre o aumento do nível do rio por causa das chuvas.
Buscas por Ana Paula continuam nesta quarta-feira
Enquanto a investigação avança, o Corpo de Bombeiros, Polícia Militar, a Defesa Civil e voluntários mantêm as buscas por Ana Paula Silveira no Salto das Orquídeas. A área fica a a 120 km de Londrina.

No momento, as equipes concentram os trabalhos nas áreas de maior profundidade da cachoeira, com apoio de mergulhadores, drones, cães farejadores e aeronaves.
Até a publicação desta reportagem, a fotógrafa continuava desaparecida. A reportagem da Banda B entrou em contato com a Pousada Salto das Orquídeas, onde ocorreu o acidente, mas não obteve retorno até a publicação desta matéria. O espaço permanece aberto.
Confira um resumo da notícia:
Polícia instaura inquérito: A Polícia Civil abriu investigação para apurar o desaparecimento da fotógrafa Ana Paula Silveira Cardoso, no Salto das Orquídeas, em Sapopema. A principal hipótese é de um acidente, mas todas as circunstâncias seguem sendo investigadas.
Sobrevivente presta depoimento: A amiga Ana Carolyne Camilo afirmou que nunca recebeu orientação para contratar guia ou avisos sobre restrições de acesso às cachoeiras, enquanto o delegado informou que depoimentos apontam que o grupo foi alertado sobre o risco devido ao nível elevado do rio.
Buscas continuam: Equipes do Corpo de Bombeiros, Polícia Militar, Defesa Civil e voluntários seguem procurando Ana Paula com apoio de mergulhadores, drones, cães farejadores e aeronaves. Até o momento, a fotógrafa continua desaparecida.





















