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Fachin autoriza AGU a defender Moraes em ação de empresa de Trump

Supremo reforça defesa institucional após empresas americanas questionarem decisões de Moraes na Justiça dos Estados Unidos

Para Fachin, ação contra Moraes nos Estados Unidos envolve a defesa da soberania nacional e da independência do Judiciário brasileiro
Para Fachin, ação contra Moraes nos Estados Unidos envolve a defesa da soberania nacional e da independência do Judiciário brasileiro -

Publicado por Iolanda Lima

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O presidente em exercício do STF, ministro Edson Fachin, autorizou nesta quinta-feira (4) a AGU a representar Alexandre de Moraes na ação movida nos Estados Unidos pela plataforma Rumble e pela Trump Media, empresa ligada ao presidente norte-americano Donald Trump.

A autorização foi concedida após consulta da própria AGU sobre a atuação do governo brasileiro no caso. Segundo Fachin, a controvérsia ultrapassa a esfera individual do ministro e envolve interesses institucionais do Estado brasileiro.

Em ofício encaminhado à Advocacia-Geral da União, o presidente em exercício do STF afirmou que a ação questiona decisões tomadas por Moraes no exercício da função jurisdicional e já referendadas pelo colegiado competente da Corte.

O ministro também ressaltou que o Superior Tribunal de Justiça negou o exequatur para a citação do magistrado e criticou a tentativa posterior de notificação por correio eletrônico. As informações são do Congresso em Foco. 

STF vê ameaça à soberania nacional

No documento, Fachin afirma que o processo tem implicações que vão além da situação pessoal de Alexandre de Moraes.

"O que está em questão, para além da figura individual de Ministro do STF, são a independência do Poder Judiciário brasileiro, a integridade do Estado de Direito no Brasil e, no limite, a própria soberania nacional."

Diante desse entendimento, Fachin considerou "oportuno e necessário" que a AGU adote as medidas cabíveis para defender o Estado brasileiro no contexto das ações apresentadas nos Estados Unidos.

A decisão também reforça o argumento defendido por integrantes do Supremo de que magistrados não respondem pessoalmente por decisões judiciais tomadas no exercício regular da jurisdição, cabendo ao Estado brasileiro defender a legitimidade dos atos praticados no âmbito de suas instituições.

Entenda o caso

A ação foi apresentada pela plataforma de vídeos Rumble e pela Trump Media & Technology Group, empresa ligada ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. As companhias questionam decisões de Alexandre de Moraes que determinaram o bloqueio de perfis investigados por disseminação de desinformação e ataques às instituições democráticas.

As empresas alegam que as ordens do ministro produziram efeitos sobre usuários e companhias sediados nos Estados Unidos e acusam Moraes de violar garantias de liberdade de expressão previstas na legislação americana. O STF sustenta que as decisões foram tomadas no exercício regular da jurisdição brasileira e em processos submetidos à Corte.

Em fevereiro, a Rumble chegou a suspender suas operações no Brasil após determinação de Moraes relacionada ao cumprimento de ordens judiciais e à exigência de representação legal da empresa no país. Pouco depois, a plataforma e a Trump Media ingressaram com ações na Justiça da Flórida contra o ministro.

O caso ganhou novo capítulo em maio, quando Moraes foi formalmente notificado pela Justiça americana. A medida ocorreu após o STJ rejeitar um pedido de cooperação internacional para citá-lo. Para Fachin, a tentativa posterior de notificação por correio eletrônico buscou contornar os mecanismos jurídicos previstos para esse tipo de procedimento.

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