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Brasil nega visto a servidores dos EUA enviados para questionar urnas

Funcionários da chancelaria americana foram rejeitados por suspeita de tentativa de interferir nas eleições

Representantes do Departamento de Estado não haviam se identificado como observadores eleitorais
Representantes do Departamento de Estado não haviam se identificado como observadores eleitorais -

Publicado por Iolanda Lima

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O governo brasileiro negou na sexta-feira (24) os pedidos de visto de dois integrantes do governo dos Estados Unidos que pretendiam viajar ao país. A decisão foi tomada após o Itamaraty concluir que a missão representava uma tentativa de lançar dúvidas sobre o sistema eleitoral brasileiro e de influenciar as eleições presidenciais de outubro.

De acordo com o Executivo, a comitiva seria formada por Riley M. Barnes, secretário-assistente do Escritório de Democracia, Direitos Humanos e Trabalho do Departamento de Estado, e por Samuel Samson, secretário-assistente adjunto. As informações são do Congresso em Foco. 

Um dos fundamentos para a negativa foi a existência de indícios de uma nova tentativa de exploração política do debate sobre as urnas eletrônicas. Na avaliação das autoridades, a viagem poderia contribuir para enfraquecer a confiança no sistema eleitoral durante o período de campanha.

Tradicionalmente, o Brasil recebe observadores internacionais para o acompanhamento de suas disputas eleitorais. Os funcionários, porém, não foram identificados por Washington para esta função, mas haviam expressado o plano de conversar com autoridades brasileiras sobre o processo eleitoral.

Timing desfavorável

Os vistos foram negados na mesma semana em que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato ao Planalto, havia questionado a segurança das urnas eletrônicas perante embaixadores. A suspeita do Ministério das Relações Exteriores era de que a vinda dos funcionários americanos seria parte de um esforço coordenado.

Em evento promovido por veículos de comunicação na terça-feira (21), com a participação de embaixadores de 42 países, Flávio Bolsonaro retomou a retórica de críticas ao sistema eletrônico de votação.

O presidenciável do PL alegou que as urnas brasileiras teriam origem comum com as da empresa supostamente venezuelana Smartmatic, e que, segundo a CIA a companhia teria participado de uma fraude eleitoral em seu país de origem em 2012.

Na realidade, a Smartmatic é americana e nunca venceu uma licitação no Brasil. O principal fornecedor de urnas no país é a Positivo, marca de origem local.

A fala de Flávio foi amplamente criticada por parlamentares governistas, que relembraram que seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, foi declarado inelegível pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) exatamente por tentar levantar falsas suspeitas sobre o sistema eleitoral junto a embaixadores.

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