'Mijou no carro e me deu um soco', diz motorista sobre diretor da ANTT
Motorista acusa diretor da ANTT Alex Azevedo de urinar no banco de seu carro e de agredi-lo com um soco na Asa Norte

Um motorista de aplicativo acusou o diretor da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), Alex Antônio Azevedo Cruz, conhecido como Alex Azevedo, de agredi-lo com um soco e de urinar no banco de seu carro durante uma corrida com destino à Asa Norte, na madrugada de 24 de junho passado.
O motorista, Vicente Matheus do Nascimento Rodrigues, de 31 anos, narrou o episódio em um vídeo publicado nas redes sociais. O diretor da ANTT citado é Alex Antônio Azevedo Cruz, conhecido como Alex Azevedo. As informações são do Metrópoles.
O nome de Alex Azevedo foi aprovado pelo Senado para a ANTT pouco depois do episódio, em 20 de agosto passado. Ele é politicamente próximo do senador Veneziano Vital do Rêgo (MDB-PB) e de seu irmão, o ministro do Tribunal de Contas da União, Vital do Rêgo Filho.
Segundo Vicente relatou nas redes sociais, o clima da corrida começou a se deteriorar quando Alex Azevedo o xingou por supostamente ter errado o caminho entre o Lago Sul e a quadra 214 Norte, destino do diretor da ANTT. Ainda de acordo com o motorista, o diretor estaria “totalmente embriagado”.
“Na madrugada desse dia 24, eu peguei um passageiro ali do Lago Sul para a 214 Norte. Quando ele desembarcou, fui verificar se ele tinha esquecido algum objeto e notei que ele havia urinado no meu banco”, descreve Vicente em vídeo publicado no Instagram.
“Falei para ele que teria de pagar a higienização do meu veículo pelo dano que causou. Ele me agrediu primeiro. A gente ficou trocando algumas palavras, ele me agredindo verbalmente e eu tentando conduzir a situação da melhor forma”, afirma.
“Quando ele mandou eu chamar a polícia, ele me agrediu com um soco e um pontapé. Enfim, para resumir a história, a gente chegou a um acordo para que ele pagasse a higienização e a minha diária parada. Ele ainda se achou no direito de querer ir para a delegacia, mas os policiais o orientaram e ele desistiu”, disse Vicente.
O motorista também publicou um vídeo da discussão com o diretor da ANTT, ao lado da portaria de um prédio residencial na 214 Norte.
“Pessoal, o passageiro me agrediu aqui, ó, na 214 Norte. Me deu um murro na cara, está me chutando. O segurança aqui é minha prova. Me deu uma porrada na cara, urinou no meu carro. Olha como está a calça dele. Está me chamando de bandido, dizendo que eu quero roubá-lo. Eu sou bandido? O senhor me agrediu, né?”, diz Vicente na gravação.
Na publicação, Vicente afirma que preferiu não reagir em razão da idade de Alex Antônio, de 62 anos. “Preferi não reagir para preservar a minha integridade. Porque a corda sempre quebra para o lado mais fraco”, declarou.
A coluna procurou Vicente e Alex Azevedo. O motorista disse que estava em Goiânia e não poderia falar. Alex Azevedo não respondeu às mensagens nem atendeu às ligações. O espaço segue aberto.
Diretor da ANTT foi denunciado pela Lava Jato em 2020 por corrupção
Em 2020, Alex Azevedo foi denunciado pela força-tarefa da Operação Lava Jato no Ministério Público Federal, na mesma ação que atingiu o ministro do TCU, Vital do Rêgo. O MPF atribuiu a Alex os crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro.
Segundo o MPF, Vital do Rêgo Filho, então senador, teria negociado proteção política a executivos da empreiteira OAS em troca de propina. Em 2014, ele presidiu a CPMI da Petrobras e a CPI da Petrobras no Senado.
Executivos da OAS, liderados por José Adelmário Pinheiro Filho, conhecido como Léo Pinheiro, teriam prometido R$ 5 milhões em propina a Vital do Rêgo, dos quais R$ 3 milhões teriam sido efetivamente pagos, segundo o MPF.
Na denúncia, Alex Azevedo é descrito como homem de confiança e intermediário de Vital do Rêgo. Segundo o MPF, Vital teria orientado a OAS a procurar Alex para operacionalizar o pagamento da propina.
A denúncia foi aceita pela Justiça em agosto de 2020, mas, em abril de 2021, o Supremo Tribunal Federal arquivou o caso por decisão da Segunda Turma. No entendimento do STF, a denúncia do MPF se baseava apenas em relatos de delatores, sem provas materiais.





















