Carne bovina ignora tarifaço e deve ter recorde de exportação em agosto
Receita com os embarques disparou 70% na média diária este mês; China teria acelerado as compras
Publicado: 30/08/2025, 11:30

As exportações brasileiras de carne bovina devem bater o recorde em agosto, mesmo com o setor altamente impactado pelo tarifaço dos Estados Unidos, que até julho era o segundo principal cliente externo do Brasil, atrás somente da China.
Dados preliminares da Secex (Secretaria de Comércio Exterior) mostram um aumento de 35% na média diária de embarques de carne bovina até a quarta semana de agosto. No acumulado deste mês, foram embarcadas 212,9 mil toneladas.
“Com certeza vamos bater um recorde para agosto”, diz Lygia Pimentel, CEO da consultoria Agrifatto. Para ela, o Brasil enviará para o exterior 265 mil toneladas de carne bovina in natura neste mês, superando o recorde anterior de 217 mil toneladas, registrado em agosto de 2024.
O aumento no valor das exportações também chama a atenção. O valor médio da tonelada subiu 26% neste mês, em comparação com o mesmo período de 2024, resultando num crescimento de 70% na receita obtida pelas empresas com as vendas externas de carnes.
Até a quarta semana de agosto, as exportações de carne bovina somaram US$ 1,19 bilhão, colocando a proteína entre os cinco principais produtos da pauta exportadora brasileira — atrás somente do petróleo, soja e minério de ferro.
Com os dados preliminares, ainda não é possível saber quais compradores estão substituindo os Estados Unidos, que até julho comprou cerca de 28,5 mil toneladas de carne por mês, na média.
“Imaginamos que a China tenha acelerado as importações e talvez a gente tenha mandado mais para o México também. Mas precisamos esperar até o final do mês para ter certeza”, afirma Pimentel.
É bem possível que, com as importações do Brasil proibitivas por conta da sobretaxa de 50% que entrou em vigor no dia 1º, os Estados Unidos tenham aumentado a demanda pela carne bovina de outros fornecedores, como a Austrália. E nessa reorganização do mercado, outros clientes, como a China, tenham redirecionado as suas compras para o Brasil.
“É uma forte demonstração da resiliência do setor”, finaliza a especialista.
Com informações de: InfoMoney.