Homem escravizado vivia com família entre escorpiões e pó

Autoridades encontraram o homem com sua família em uma fazenda de gado durante uma operação de fiscalização, em Formosa (GO)

Autoridades encontraram o homem com sua família em uma fazenda de gado
Autoridades encontraram o homem com sua família em uma fazenda de gado -

Da Redação

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Autoridades encontraram o homem com sua família em uma fazenda de gado durante uma operação de fiscalização, em Formosa (GO)

Em Formosa (GO), está em andamento uma operação de fiscalização composta por auditor tributário do Ministério do Trabalho, advogado do Ministério Público do Trabalho, advogado da Defensoria Pública Federal e policiais. Um homem foi resgatado de um trabalho semelhante ao de escravidão na semana passada, em uma fazenda na região.

Ele morava com sua esposa e cinco filhos. Na casa não havia água, nem luz. A energia chegou, uma semana antes da fiscalização. A pouca comida estava sob a poeira da mineração de calcário que ocorria perto de seu alojamento.

Para o blog do Sakamoto, do portal UOL, a esposa do trabalhador relatou: “Escorpião é ótimo, são muitos. Um me pica e minhas pernas ficam dormentes por seis meses. Acordei com uma cobra enrolada no pescoço. Há coral. Papa -pinto … Se eu não colocar o fio no chão e tapar o buraco da casa todos os dias, os escorpiões vão picar meus filhos. Todos dormem no mesmo lugar. Por isso eu sempre presto atenção nos animais.”

Além do trabalho pesado, o mato era usado como banheiro, na casa não havia energia elétrica e a água era a salobra de um poço. A energia elétrica chegou uma semana antes da operação que constatou as condições degradantes que a família vivia.

Para o UOL, o proprietário da fazenda, por meio do advogado Ítalo Xavier: “que, até o momento, não teve acesso integral aos autos do procedimento de inspeção. O representante afirmou que o cliente colaborou com os trabalhos da fiscalização, firmando Termo de Ajuste de Conduta com o Ministério Público do Trabalho, para atender todas as exigências que entenderam pertinentes”, destaca a reportagem.

Segundo o portal de notícias UOL, a casa ficava a menos de 100 metros da empresa de mineração e a 200 metros do canteiro que extraía calcário. A produção fazia muito barulho e levantava um pó branco que cobria as pessoas, roupas e comidas. Para a auditora fiscal Andréia Donin, coordenadora da operação, “A quantidade de pó era impressionante”, disse. Vai ser investigada a situação da saúde da família pela exposição prolongada ao produto.

“Toda hora você tinha que limpar a casa e ficar com pano no nariz porque era pó demais”, afirma Marilene. “Eu tô com caroço no pescoço, perdendo a voz. Fui ao medico e ele disse que isso foi causado pela poeira. Tenho que ir pra Goiânia para operar, mas quem vai ficar com as crianças?”, disse para o UOL.

Tiago Cabral, procurador do trabalho, acompanhou a operação e disse sobre a precarização “Eles não conhecem seus direitos, são vítimas fáceis do trabalho escravo. O pai da família havia sido vítima de trabalho infantil. É a receita da superexploração. O empregador sabendo dessa situação colocou o trabalhador próximo de um local com extração mineral, aspergindo poeira sílica”, afirma.

As crianças não sabiam o que eram televisão. “Tenho dois filhos que nem sabem o que é uma televisão. Olhava para eles e chorava muito. No tempo da chuva, a gente tinha que ficar enrolado num canto porque a goteiragem era demais. Muita muriçoca, muito inseto. O fogão de lenha era dentro, tinha fumaça demais. Pó da firma [de mineração] e a fumaça do fogão… Sempre pedíamos uma casa melhor, e não faziam nada”, afirma. “Se o senhor visse a casa, ia ficar besta. Eu mandava meus filhos pra escola com roupa de goteira”, revela.