aRedeShopping aRedeNegócios Jornal da Manhã

Cotidiano

Famílias de baixa renda são mais afetadas por inflação 

Foto: Marcello Casal Jr.

Da Redação | Cotidiano | 14/06/2021 as 14:45h

Famílias de baixa renda são mais afetadas por inflação

Aponta pesquisa feita pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea)

O Indicador Ipea de Inflação por Faixa de Renda voltou a ter, em maio, elevação em todas as classes de renda pesquisadas, mesmo com a desaceleração registrada em abril. As mais atingidas foram as famílias de renda muito baixa, com renda domiciliar abaixo de R$ 1.650,50. 

Para esta faixa, a inflação ficou em 0,92% em maio. Para as famílias de renda mais alta - entre R$ 8.254,83 e R$ 16.509,66 - o percentual não passou de 0,49% no mesmo período. Os dados foram divulgados hoje (14), no Rio de Janeiro, pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

A habitação e os transportes foram os grupos que mais contribuíram para o avanço da inflação. Os principais focos de pressão inflacionária da habitação foram os reajustes de energia elétrica (5,4%), da tarifa de água e esgoto (1,6%), do gás de botijão (1,2%) e do gás encanado (4,6%). Nos transportes, os aumentos da gasolina (2,9%), do etanol (12,9%) e do gás veicular (23,8%) influenciaram o resultado.

A queda de 28,3% no preço das passagens aéreas reduziu o impacto dos reajustes dos combustíveis para as famílias de renda mais elevada da população. O grupo saúde e cuidados pessoais, com alta de 0,11% em maio, e de 0,10% nas de renda mais baixa, também contribuiu para a alta da inflação. Dentro do grupo de saúde e cuidados pessoais, enquanto as famílias com renda mais baixa enfrentaram alta de 1,3% nos medicamentos, os mais ricos tiveram reajuste de 0,67% nos planos de saúde.

Maria Andréia Lameiras, autora do estudo e pesquisadora do Grupo de Conjuntura do Ipea, disse que o resultado de maio veio maior, como já era esperado, por conta do reajuste da energia elétrica que pesa muito para as famílias de renda mais baixa. 

Além disso, ainda houve alta nas taxas de água e esgoto, no gás encanado e botijão. “A gente já sabia que isso ia pesar mais para as famílias de renda mais baixa. Fora isso, houve um pouco do aumento de medicamentos que bateu de novo em maio. Isso fez com que a inflação dos mais pobres ficasse bem mais alta do que a dos mais ricos”, explicou em entrevista à Agência Brasil.


Interanual

De acordo com o indicador, na comparação interanual, todas as classes de renda foram atingidas por forte aceleração inflacionária. Segundo o Ipea, em maio de 2020, a pandemia impactou um grupo de bens e serviços gerando quedas de preços significativas, como a deflação na energia (-0,58%), combustíveis (-4,6%) e medicamentos (-1,2%), além dos recuos de 3,2% dos móveis, 0,58% do vestuário e 0,37% dos serviços de recreação.

No acumulado de janeiro a maio de 2021, tanto o segmento de renda mais baixa como o de renda mais alta, ambos registraram inflação de 3%. As maiores taxas nos primeiros cinco meses do ano, no entanto, foram notadas nas classes de renda média (3,5%) e renda média baixa (3,4%). 

Já no acumulado em 12 meses, a inflação das famílias de renda muito baixa ficou em 8,9% e segue maior que a taxa inflacionária dos mais ricos (6,3%), ainda sob efeito das altas de 15,4% dos alimentos no domicílio e de 11,6% da energia elétrica. O reajuste de 47,5% dos combustíveis nos últimos 12 meses, para as famílias com melhor poder aquisitivo, explica parte do aumento.

“Embora no ano a inflação entre ricos e pobres esteja muito parecida em 3%, quando a gente olha em 12 meses, a inflação dos mais pobres dá uma acelerada porque saiu da conta maio do ano passado, que foi muito baixa, e entrou agora maio de 2021 que foi muito alta. Então, em 12 meses a inflação das famílias de renda mais baixa acabou dando um salto e bate em quase 9%, enquanto a do outro segmento está girando em torno de 6%”, afirmou Maria Andréia.


Expectativa

Ela disse, também, que em junho a inflação deve permanecer um pouco alta, como também na de 12 meses porque ainda haverá impacto de preços administrados e pressão do preço da carne sobre o índice, mantendo a influência na alimentação em domicílio. 

A situação deve mudar a partir do segundo semestre,  quando são esperados dois movimentos diferentes. O primeiro é uma desaceleração da inflação de 12 meses, porque haverá comparação com o segundo semestre de 2020, que teve meses de inflação muito alta, em contraponto com o que se espera das taxas que estão por vir no mesmo período de 2021, quando devem ser mais baixas. “Então, essa conta de 12 meses vai desacelerar”, completou.

O outro movimento, segundo Maria Andréia, deve ter um ritmo um pouco mais rápido de desaceleração da inflação para as famílias de renda mais baixa, porque é esperada para o segundo semestre uma oferta maior de serviços. As famílias de renda mais alta é que vão ter maior influência desse setor. 

“A gente sabe que os serviços batem mais na inflação dos mais ricos. Com a vacinação ganhando força e a economia voltando a dar uma girada em velocidade maior, esses serviços que foram tão afetados na pandemia como recreação, cuidados pessoais e de lazer vão começar a dar uma pressionada e essa inflação de serviços está ligada às famílias de renda mais alta. As taxas de 12 meses vão desacelerar, mas a desaceleração dos mais ricos vai acabar sendo freada por este aumento da inflação de serviços”, informou.

Nos 12 meses, conforme a autora do estudo, ainda vão bater reajustes de preços administrados, como o novo aumento de gás de botijão anunciado pela Petrobras na sexta-feira, e a elevação dos valores de planos de saúde e de transporte público, que vão pressionar todas as faixas, incluindo a alimentação, principalmente a carne. 

“A tendência é que ainda fique um tempo com alta de preços. A gente está esperando de uma maneira geral um junho ainda forte, mas não tão forte quanto maio, gerando alguma pressão sobre a inflação, mas a partir de julho realmente uma desaceleração um pouco mais forte”, indicou.


Alimentos

Na visão da pesquisadora, não deve se repetir este ano a pressão de alimentos ocorrida no segundo semestre do ano passado, causada pela menor oferta influenciada pela exportação, que atraiu os produtores com preços mais elevados no mercado externo, e maior demanda que refletiu mais consumo de famílias mais pobres com o auxílio emergencial. 

“Mesmo sabendo que tem problema de seca, pode ter alguma dificuldade em uma cultura ou outra, ainda assim, esperamos que o preço dos alimentos vai puxar basicamente essa inflação para baixo no segundo semestre de 2021, quando se compara com o mesmo semestre de 2020”, disse, acrescentando que o câmbio mais baixo também está ajudando a perspectiva de inflação para o segundo semestre.

Ela destacou, ainda, que essa avaliação leva em conta o grande movimento de demanda interna e internacional e os meses de pagamento do auxílio emergencial de R$ 600, o que gerou um aumento de demanda muito grande. “A gente sabe que o auxílio emergencial foi usado para a compra de alimentos e um pouco também para material de construção, mas o foco do auxílio foi a compra de alimentos. Esse ano, além de ter uma safra um pouco melhor e uma produção interna mais segura no mercado doméstico, estamos com um auxílio emergencial em valor bem menor, então a pressão de demanda está menor”, finalizou.


Por Agência Brasil

email sharing button
email sharing button
email sharing button
email sharing button

Siga o a rede no Google News


PUBLICIDADE

Recomendados

Empreendedora de PG ajuda pessoas a conquistarem renda extra
Instituição de PG facilita acesso ao crédito a empreendedores
El Tomato prepara grande promoção de feijoada e pizzas
Publicidade
Decora Home expande e passa a trabalhar com colchões
Cruz Peregrina de São Camilo passa por PG e visita doentes
AXXEL Telecom inicia oferta de internet com fibra óptica em PG
PUBLICIDADE

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

Cotidiano 06/07/2022 ás 14:46h
Ponta Grossa 06/07/2022 ás 14:43h
Ponta Grossa 06/07/2022 ás 14:34h
Publicidade
Ponta Grossa 06/07/2022 ás 14:31h
ao vivo 06/07/2022 ás 14:17h
ao vivo 06/07/2022 ás 13:27h
Ponta Grossa 06/07/2022 ás 12:55h
Publicidade
Ponta Grossa 06/07/2022 ás 11:33h
Ponta Grossa 06/07/2022 ás 10:16h
Ponta Grossa 06/07/2022 ás 09:51h
Mix 06/07/2022 ás 09:35h
Ver Mais
PUBLICIDADE

PONTA GROSSA

Ponta Grossa | 06/07/2022 ás 09:34h

Obras bloqueiam Av. Silva Jardim no sentido Centro-Bairro

Ponta Grossa 06/07/2022 ás 08:37h
Ponta Grossa 05/07/2022 ás 22:57h
PUBLICIDADE
Ponta Grossa 05/07/2022 ás 20:51h
Ponta Grossa 05/07/2022 ás 19:36h
Ponta Grossa 05/07/2022 ás 19:27h
PUBLICIDADE

COTIDIANO

Cotidiano | 06/07/2022 ás 09:01h

Suspeito de ataque em evento de Lula é preso em Minas

Cotidiano 06/07/2022 ás 09:00h
Cotidiano 06/07/2022 ás 08:02h
PUBLICIDADE
Cotidiano 06/07/2022 ás 07:46h
Cotidiano 05/07/2022 ás 19:04h
Cotidiano 05/07/2022 ás 17:46h
PUBLICIDADE

CAMPOS GERAIS

Campos Gerais | 05/07/2022 ás 22:32h

Pezinho traz desenvolvimento estrutural para Sengés

Campos Gerais 05/07/2022 ás 21:00h
Campos Gerais 05/07/2022 ás 15:11h
PUBLICIDADE
Campos Gerais 05/07/2022 ás 11:54h
Campos Gerais 05/07/2022 ás 11:44h
Campos Gerais 04/07/2022 ás 20:45h
PUBLICIDADE

MIX

Mix | 06/07/2022 ás 09:00h

Crônicas dos Campos Gerais: Crônica do desaparecido

Mix 06/07/2022 ás 06:30h
Mix 05/07/2022 ás 15:56h
PUBLICIDADE
Mix 05/07/2022 ás 11:50h
Mix 05/07/2022 ás 06:30h
Mix 04/07/2022 ás 15:36h
PUBLICIDADE

ESPORTE

Esporte | 05/07/2022 ás 23:47h

Operário perde, leva vaia e chega mais perto da ZR

Esporte 05/07/2022 ás 16:10h
Esporte 05/07/2022 ás 15:24h
PUBLICIDADE
Esporte 05/07/2022 ás 08:49h
Esporte 04/07/2022 ás 18:27h
Esporte 03/07/2022 ás 18:20h
PUBLICIDADE
PUBLICIDADE

VAMOS LER

Vamos Ler | 30/06/2022 ás 20:30h

Saúde na adolescência engaja oitavos anos do Colégio Sepam

PUBLICIDADE

BOM DIA ASTRAL

Bom Dia Astral | 05/07/2022 ás 18:00h

Confira seu horóscopo desta quarta-feira (06/07)

EMPREGOS

Empregos | 05/07/2022 ás 18:10h

Confira as vagas de emprego desta quarta-feira (06/07)

PUBLICIDADE

MAIS LIDAS

Ponta Grossa | 01/07/2022 ás 08:44h

Mulheres trocam socos em ônibus da VCG; veja vídeo

Bom Dia Astral 30/06/2022 ás 18:00h
Ponta Grossa 01/07/2022 ás 08:05h
Ponta Grossa 01/07/2022 ás 07:57h
Ponta Grossa 02/07/2022 ás 07:33h
PUBLICIDADE