Como o voto útil pode influenciar o rumo das eleições?
BBC News Brasil reuniu dados das mais recentes pesquisas e ouviu especialistas para entender quais seriam estes elementos

BBC News Brasil reuniu dados das mais recentes pesquisas e ouviu especialistas para entender quais seriam estes elementos
Faltando menos de uma semana para que 140 milhões de brasileiros escolham seu próximo presidente em um pleito fragmentado e polarizado, ainda há alguns fatores que podem influenciar a decisão final do eleitor, segundo analistas.
A BBC News Brasil reuniu dados das mais recentes pesquisas e ouviu especialistas para entender quais seriam estes elementos.
1 – Preferência ou ‘voto útil’?
A pesquisa do Ibope de 26 de setembro questionou os entrevistados a respeito do chamado “voto útil” – a possibilidade de o eleitor deixar de votar no candidato de sua preferência para votar em outro que considere mais competitivo contra um terceiro.
E 28% dos entrevistados naquela ocasião afirmaram que essa probabilidade era alta ou muito alta.
Essa porcentagem é semelhante às intenções de voto do líder da pesquisa, Jair Bolsonaro (PSL), e supera a do segundo colocado, Fernando Haddad (PT).
2 – Os mais rejeitados?
O alto índice de rejeição dos candidatos mais bem colocados nas pesquisas de intenção de votos é a principal força por trás do eventual voto útil discutido acima. Segundo pesquisa Datafolha divulgada nesta terça-feira, 2 de outubro, 45% dos eleitores dizem que não votariam em Bolsonaro de jeito nenhum. Para Fernando Haddad, esse índice é de 41%.
Juntos, os dois candidatos têm cerca da metade das intenções de voto dos brasileiros – só em 1989 os dois primeiros colocados tiveram tão pouco, tão perto da data das eleições.
3. Quem levará o voto das mulheres?
As menções às mulheres feitas pelos candidatos durante os debates de TV dão pistas de quão cobiçado é o voto feminino nesta reta final, por dois motivos principais: o primeiro é que elas compõem 52% do eleitorado do total; o segundo é que o candidato mais bem colocado, Jair Bolsonaro, é também o que tem o maior índice de rejeição feminina – 52%, segundo o Datafolha.
Um exemplo dessa reprovação foi dado pelos protestos de sábado, na campanha #EleNão, organizados por mulheres em diversas cidades do país.
4. Abstenções, brancos e nulos
O percentual de eleitores que dizem pretender votar nulo, branco ou se abster caiu para 8% (tendo chegado a 22%), segundo o Datafolha, mas esse grupo ainda pode ter um papel muito relevante no pleito.
Para Lucio Rennó, professor-associado do Instituto de Ciência Política da Universidade de Brasília, as pesquisas de intenção de voto muitas vezes não captam plenamente o impacto das abstenções e dos votos nulos e brancos porque nem sempre as pessoas admitem, durante a entrevista, a intenção de não comparecer às urnas.
5. O imponderável
Para Carlos Melo, do Insper, um último fator não pode ser descartado como potencial influenciador do voto na última hora: o imprevisível.
“Alguma denúncia nova, alguma delação premiada ou algum escândalo pode ter um efeito importante quando temos uma eleição acirrada – se você muda 10 pontos percentuais de um candidato para outro já vira um aumento de 20 pontos”, diz.
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