Asteroide de porte grande passa raspando a Terra
A rocha é do tamanho de um campo de futebol
A rocha é do tamanho de um campo de
futebol
No último domingo (15), uma
surpresa nos campos celestes: uma rocha espacial do tamanho de um campo de
futebol americano passou pertinho da Terra - algo que não acontecia desde 1930,
segundo uma análise preliminar de sua órbita. O asteroide em questão havia sido
descoberto apenas um dia antes de passear por sobre as cabeças dos terráqueos,
no que está sendo chamado pelos cientistas de "voo surpresa".
Chamado de 2018 GE3, o asteroide
foi descoberto pela Catalina Sky Survey em 14 de abril, no sábado; horas depois,
Michael Jäger, um astrônomo amador de Weißenkirchen, na Áustria, gravou a rocha
planando na constelação de Serpente.
De acordo com o Centro de Estudos
de Objetos da Terra (CNEOS em inglês) da NASA, a rocha estava a aproximadamente
192 mil quilômetros de distância. Para feito de comparação, esse número
representa a metade da distância entre a Lua e a Terra. Ainda segundo a
associação, o asteroide que sobrevoou nosso planeta possuía um diâmetro
estimado de 39 e 99 metros.
Considerando que um objeto com
pelo menos 10 metros já possui uma energia semelhante à de uma bomba nuclear,
pode-se dizer que o passeio da 2018 GE3 trouxe um breve risco para a vida
humana. De toda forma, toda esta magnitude não seria nada frente aos asteroides
que compõem o cinturão da área entre Marte e Júpiter, que chegam a medir cerca
de 933 quilômetros. Segundo a NASA, porém, essas rochas não representam perigo
para a Terra - não ainda, pelo menos.
Devemos nos preocupar?
O 2018 GE3 aparentemente é seis
vezes maior do que o meteoro que explodiu sobre os Montes Urais da Rússia em
Chelyabinsk em fevereiro de 2013 — ele pesava cerca de 10 toneladas e tinha
cerca de 14 metros de largura. Na época, o fenômeno havia entrado na atmosfera
terrestre a uma velocidade hipersônica de pelo menos 53 mil quilômetros por
hora e se quebrou com o choque em pedaços que variavam entre 28 a 51
quilômetros. A Academia Russa de Ciências confirmou que o processo acabou
ferindo 1.100 pessoas, em suma por conta dos estilhaços.
O asteroide de abril, por sua
vez, viajou a uma velocidade estimada de 66 mil quilômetros por hora, e, de
acordo com a organização EarthSky, deveria ter se quebrado logo que entrou na
atmosfera da Terra, devido ao atrito com o ar. Em seu relatório, a entidade
ainda revelou que algumas rochas com esse tamanho podem chegar, sim, à
superfície terrestre e são capazes de causar algum dano regional.
Claro que para que um desastre
deste gênero ocorra, vários fatores deverão ser levados em conta como, por
exemplo, a velocidade, o ângulo de entrada e a localização do impacto. Ainda
assim, o site dedicado ao espaço acrescenta: "ter conhecimento de que
asteroides entram na atmosfera do planeta sem serem notados regularmente pode
lhe fazer sentir melhor, ou pior".
A NASA continua a rastrear
asteroides que se aproximam da Terra, fornecendo dados estimados sobre o
diâmetro das rochas e a distância em relação ao planeta. O episódio desta vez
foi uma surpresa, mas ainda existem pelo menos outras três pequenas rochas
espaciais programadas para passear no quintal terrestre - a começar por esta
terça-feira (17), com a previsão de que a maior delas meça cerca de 33 metros
de largura.
A máxima aproximação desse asteroide bateu recorde, mas o asteroide 99942
Apophis irá superá-lo. Com cerca de 370 metros de diâmetro, Apophis passará a
menos de 40.000 km da Terra em 13 de abril de 2029. Isso equivale a apenas
0.098 DL (distâncias lunares) - um verdadeiro rasante.
Além disso, outros asteroides
ainda não descobertos deverão passar próximo da Terra. Os astrônomos acreditam
que existem cerca de 17.000 asteroides próximos da Terra que ainda não foram
identificados. 2018 GE3 era um deles.
Informações Terra e Galeria do Meteorito