Deputadas e senadoras definem pauta para Semana da Mulher
Um dos projetos escolhidos pelas deputadas é o que inclui no rol de crimes a divulgação de cenas de violência sexual
Um dos projetos escolhidos pelas
deputadas é o que inclui no rol de crimes a divulgação de cenas de violência
sexual
Já está pronta a pauta que a
bancada feminina no Congresso Nacional pretende ver aprovada nesta semana em
que é lembrado o Dia Internacional da Mulher, 8 de março. Entre propostas que
tramitam entre a Câmara dos Deputados e o Senado, 27 estão na lista das
parlamentares. No Senado, quatro propostas que já passaram pelas comissões da
Casa e estão prontas para a análise do plenário foram consideradas
prioritárias.
O Projeto de Lei do Senado (PLS)
612/2011, da senadora Marta Suplicy (PMDB-SP), é uma das prioridades. O texto,
que altera o Código Civil para reconhecer como entidade familiar a união
estável entre duas pessoas, chegou a ser colocado em pauta, mas, por pressão da
bancada evangélica, foi retirado.
Nesta quinta-feira (1º), o
Supremo Tribunal Federal (STF) autorizou, por unanimidade, pessoas transgênero
a alterar nome e gênero em registro civil, independentemente da realização de
cirurgia para mudança de sexo, e a bancada feminina no Congresso quer
aproveitar para resgatar o texto que, no ano passado, chegou a ter a discussão
no plenário iniciada, mas logo encerrada por pressão da bancada evangélica.
“Essa é uma questão importante.
Veja as decisões do Supremo e do TSE [Tribunal Superior Eleitoral] de
quinta-feira. Não adianta remar contra a maré. O que nós queremos do presidente
[do Senado, Eunício Oliveira] é que as propostas sejam pautadas. Não estamos
pedindo para ele rejeitar ou aprovar”, disse à Agência Brasil a
procuradora da Mulher no Senado, Vanessa Grazzition (PCdoB-AM).
A senadora lembrou que
também o TSE autorizou o uso do nome social por candidatos transgêneros.
Mais propostas
No Senado, a pauta prioritária
inclui ainda o PLS 228/2017, que altera a Consolidação das Leis do
Trabalho (CLT) para garantir proteção a gestantes e lactantes em relação à
prestação de trabalho em local insalubre.
Outra proposta é o substitutivo
da senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR) ao projeto de Lei da Câmara (PLC) 18/2017,
que torna crime a “vingança pornográfica”, que consiste na divulgação e na
exposição pública da intimidade sexual. O texto altera a Lei Maria da Penha e o
Código Penal, estabelecendo pena de reclusão e multa para o autor da
divulgação.
A senadora Simone Tebet (PMDB-MS)
está otimista com a aprovação do PLS 64/2018, que apresentou na última semana.
A matéria modifica a progressão de regime de pena, transformando uma decisão do
Supremo Tribunal Federal — relativa à mães e gestantes em prisão provisória —
em norma legal, estendida a gestantes ou mães já condenadas, flexibilizando a
regressão de pena a um oitavo (1/8).
A proposta está na Comissão de
Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ), para análise terminativa do relator,
senador Antônio Anastasia (PSDB-MG).
Bertha Lutz
As senadoras também deliberaram
sobre a sessão solene que marcará, no próximo dia 7, a entrega do Diploma
Bertha Lutz. Este ano, em comemoração aos 30 anos da Constituição de 1988, a
honraria será dada às deputadas que formaram a bancada feminina durante a
Assembleia Nacional Constituinte de 1988.
Das 26 que serão homenageadas,
quatro também são parlamentares atualmente, as senadoras Lídice da Mata
(PSB-BA), Rose de Freitas (PMDB-ES) e Lúcia Vânia (PSB-GO) e a deputada
Benedita da Silva (PT-RJ).
As congressistas pretendem também
incluir na programação da semana que vem, uma audiência de deputadas e
senadoras com o ministro Luiz Fux, presidente do Tribunal Superior Eleitoral
(TSE), para debater a participação das mulheres na política.
Câmara
Na Câmara, a bancada feminina
também já apresentou uma pauta ao colégio de líderes e ao presidente da Casa,
Rodrigo Maia (DEM-RJ). A expectativa é que os projetos de interesse das
mulheres sejam votados em plenário nas sessões dos dias 7 e 8 de março.
Um dos projetos escolhidos pelas
deputadas é o que inclui no rol de crimes a divulgação de cenas de violência
sexual e torna crime hediondo o ato de estupro coletivo. Pela proposta, de
autoria da senadora Vanessa Grazziotin, se o estupro for cometido por mais de
duas pessoas, a pena deve ser prisão por pelo menos 8 anos e no máximo 16 anos
e 8 meses.
Para esta semana, as deputadas
também querem votar um projeto que considera o assédio sexual nas redes sociais
crime cibernético e outro que autoriza delegadas a retirarem o agressor da casa
da vítima de violência doméstica. O objetivo é inibir a ocorrência de crime
continuado e evitar que a mulher agredida tenha que sair de casa enquanto
aguarda as decisões judiciais.
Passada a semana da mulher, as
deputadas também devem continuar trabalhando para incluir na pauta o projeto
que tipifica como crime a abordagem constrangedora de alguém para a prática de
ato libidinoso. A proposta foi criada depois da repercussão nacional do caso de
um homem que ejaculou no pescoço de uma mulher dentro de um ônibus em agosto do
ano passado, em São Paulo.
Ameaças virtuais
Integram ainda a pauta feminina
um projeto que trata das ameaças virtuais e outro que propõe a criação de um
comitê para receber denúncias de assédio moral e sexual na Câmara. Segundo a
relatora do projeto, deputada Maria do Rosário (PT-RS), a proposta cumprirá um
papel pedagógico de inibir os casos de abuso e garantir o respeito entre homens
e mulheres.
Na área da saúde, as deputadas
querem votar um projeto que trata da restauração mamária para mulheres
acometidas pelo câncer de mama. Como é tradição na semana de 8 de março no
Congresso, mesmo os projetos que ainda estavam em fase de análise das comissões
temáticas poderão ser apreciados diretamente no plenário.
A coordenadora da bancada, Soraya
Santos (MDB-RJ), disse que há acordo para continuar pautando outros assuntos
femininos ao longo do mês, mesmo em meio à intervenção federal no Rio de
Janeiro, que impede a votação de emendas constitucionais, e ao pacote de
segurança colocado como prioritário pela presidência do Congresso.
“As matérias [da bancada
feminina] precisam avançar. A gente prefere que sejam derrotadas em plenário,
do que não serem votadas. Porque, se não votar, é como se não enxergassem o que
está acontecendo com as mulheres no Brasil, em termos de crimes virtuais, de
agressões, de violência doméstica, e os nossos índices estão alarmantes”,
afirmou a deputada.
Informações Agência Brasil