Coletivo levanta assunto sobre sororidade em Castro | aRede
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Coletivo levanta assunto sobre sororidade em Castro

Quando as mulheres atuam em sororidade, o empoderamento feminino ocorre, dão vez aos seus sofrimentos e voz aos seus direitos

Além de discussões e palestras sobre gênero, as integrantes do grupo fazem trabalhos sociais. Um deles foi na Centro de Atenção Psicossocial  (CAPS) no Dia da Mulher
Além de discussões e palestras sobre gênero, as integrantes do grupo fazem trabalhos sociais. Um deles foi na Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) no Dia da Mulher -

Da Redação

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Quando as mulheres atuam em sororidade, o empoderamento feminino ocorre, dão vez aos seus sofrimentos e voz aos seus direitos

Ao pesquisar no Google: “dados de violência contra a mulher”, rapidamente aparecem centenas de site com dados imensos que deixam a todos impressionados. Em 2016, o estupro coletivo praticado por mais de 30 homens contra uma adolescente de 16 anos no Rio de Janeiro na madrugada de um sábado, 21 de maio, causou indignação no país inteiro, ganhou destaque na mídia tanto nacional quanto internacional, e levou o governo a prometer providências.

Em Castro, interior do Paraná, não foi diferente. A universitária de 20 anos, Mariane Silva, criou coragem e mobilizou a população da cidade através de Facebook e Whatsapp a formar o Coletivo Îasy, com o intuito de reduzir o machismo na cidade, além de prestar serviços solidários. “Nas outras cidades, já existiam grupos feministas, mas aqui ninguém ainda havia se pronunciado. Práticas como cantadas na rua, passadas de mão, beijar à força também criam a falsa ideia de que o corpo das mulheres está disponível para ser usado e avaliado a qualquer momento, sem que essa mulher tenha controle sobre isso. Queremos construir a igualdade entre gêneros começando pela nossa cidade”, explicou.

Atualmente o coletivo realiza palestras, oficinas, arrecadações e campanhas que buscam ajudar as mulheres e também esclarecer a população sobre os diversos tipos de violência contra elas, além de abordar temáticas como política, maternidade, padrões de beleza, sexualidade, saúde e comunicação. Assuntos diversos, mas com o mesmo ideal: reunir, empoderar e criar laços entre as mulheres. “As intervenções do coletivo já ocorreram dentro de escolas, serviços de saúde, asilo, delegacia e na própria rua, sempre levando em consideração as diversas formas de violência e que a violência simbólica é o tipo de violência mais comum e naturalizada no cotidiano”, comentou Aline Copacheski, acadêmica em Psicologia que também é uma das organizadoras.

O grupo tem como objetivo principal a união das mulheres, principalmente de Castro e região, a fim de estimular a ideia de sororidade (união entre as mulheres, baseada na empatia e companheirismo), proporcionando um ambiente de discussão para questões relacionadas ao feminismo e procurar desenvolver intervenções inclusivas em diversidade étnica, socioeconômica, de orientação sexual (heterossexuais, homossexuais e bissexuais)e de gênero (transgênero, cisgênero, travestis e transexuais).

A partir disto, o Coletivo Îasy propõe a ruptura com a ideia de que mulheres são rivais, ideia esta que é sustentada ao longo do tempo a fim de legitimar muitos aspectos da cultura machista que ainda é vigente e que impede o avanço dos direitos das mulheres no Brasil, bem como a mudança de mentalidade da sociedade em relação à mulher, seu papel social, seu corpo e seu significado.

Os encontros são divulgados na página do Facebook e abertos para participação de todas as mulheres, com um tema dedicado para cada encontro. A participação de homens é relativa ao conteúdo de cada reunião, que será anunciado com antecedência.

Palavra da psicóloga

Desde as narrativas mitológicas até as figuras femininas presentes nos sistemas de crenças religiosas, as mulheres sempre foram retratadas em um imaginário de uma aura de mistério e, ao mesmo tempo, envolvendo um certo temor.

Segundo a psicóloga Grazielli Gonçalves, a imagem negativa associada ao feminino pode ser percebida, desde o Mito de Lilith – a primeira esposa de Adão sendo possível perceber que as raízes da Misoginia e do Machismo, estão presentes há muito tempo, e tais figuras é de uma grande relevância para entender que a visão sombria do feminino está presente em nosso Inconsciente Coletivo. “Ser vítima de violência tem efeito traumático e pode afetar de diversas formas, desde a autoestima feminina, causando dificuldade em relacionamentos interpessoais e até mesmo, sintomas psicossomáticos e transtornos mentais como a Depressão e a Ansiedade”, frisou.

Ela ainda afirmou sobre a importância de ter um coletivo como o Îasy em Castro: “Quando as mulheres atuam em sororidade e percebem que, como diz o velho ditado ‘a união faz a força’, o Empoderamento Feminino ocorre e as mulheres dão vez aos seus sofrimentos e voz aos seus direitos”

Projeto nas escolas

Quando o grupo começou a se difundir, o interesse por retratar dos assuntos chegou às escolas. A diretora auxiliar Sandra Santos, do Colégio Major Vespasiano Carneiro de Mello, procurou o Coletivo em busca de ajuda. “Antigamente, ocorriam brigas de meninos nas escolas. Hoje é corriqueiro presenciarmos cenas de meninas brigando entre si. Acredito que se começarmos a abordar essas temáticas com os nossos alunos, as coisas irão melhorar”, completou.

Em conversa com a Gabryella Gomes, de 18 anos, aluna do colégio, levar assuntos assim para a escola é de extrema importância: “Já tive depressão e precisei de ajuda. Sei que existem muitas alunas que também sofrem, mas permanecem caladas por medo, timidez ou falta de informação”, afirma.

As oficinas começarão em maio no período contraturno no colégio. O objetivo é que a ideia se espalhe para outras escolas.

Por que “Îasy”?

O termo Îasy (pronuncia-se Iaci ou Jaci) provém do Tupi e pode ser traduzido como uma espécie de palmeira amazônica ou como a própria Lua. Mas, dentro da cultura indígena brasileira, Îasy é considerada a Deusa da Lua, sendo encontrada principalmente na lenda amazônica do Muiraquitã, onde guerreiras Icamiabas ofereciam o muiraquitã (pedra verde esculpida em forma de sapo, usada com amuleto) aos homens que visitavam anualmente sua taba. O ritual acontecia num lago encantado chamado Jaci Uaruá, que significa “espelho da Lua”.As Icamiabas eram mulheres guerreiras conhecidas pelo comprometimento de não se casar e de regerem suas próprias leis. É considerada a versão brasileira das amazonas grega.

Texto de Letícia Araújo – 3º Período – Jornalismo Secal

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