Richa ressalta boa relação com Rangel e prega cautela
Governador do Paraná afirma estar totalmente concentrado na administração do Estado e ressaltou parceria com a Prefeitura de Ponta Grossa.
O governador Beto Richa (PSDB) concedeu uma entrevista exclusiva ao Jornal da Manhã. Analisando o resultado das eleições municipais de 2016 nas principais cidades do Paraná e também no Brasil, Richa falou sobre a política fiscal e financeira adotada pelo Governo do Estado nos últimos seis anos e ressaltou a estabilização das finanças e das condições do Governo.
Beto também falou sobre a parceria mantida com o prefeito Marcelo Rangel (PPS), reeleito em Ponta Grossa. Richa considera que Rangel “soube tirar proveito” da boa relação com o Governo do Estado e garantiu ainda que a parceria entre município e Governo Estadual irá continuar nos próximos anos. O governador também analisou as possibilidades para 2018 e o fortalecimento do PSDB no Paraná.
Jornal da
Manhã: Governador, como o senhor avalia o cenário eleitoral de 2016? Na sua
visão, o senhor saiu vitorioso das urnas nas disputas desse ano nas principais
cidades do Paraná?
Beto Richa: As eleições deste ano foram marcadas por dois importantes recados das urnas: a altíssima rejeição ao PT e o alto nível de abstenções, votos em branco etc. O PSDB saiu fortalecido, tanto no Estado como no País, e se credenciou a ser um protagonista de primeira linha em 2018. Os partidos da base aliada ganharam na grande maioria dos municípios paranaenses. Venceram a eleição nas maiores cidades, incluindo a capital, e nos municípios mais importantes da Região Metropolitana de Curitiba. Estou satisfeito com os resultados. São uma resposta ao trabalho que desenvolvemos.
JM: Em
Curitiba o senhor saiu vitorioso ao lado de Rafael Greca (PMN). Acha que o
resultado por importante para o seu grupo político?
Richa: O resultado foi importante para a população de Curitiba. Vamos retomar a parceria com a prefeitura da capital. Aliás, já estamos retomando. Não tenho dúvida de que, trabalhando juntos, vamos desenvolver importantes ações e programas na cidade, no transporte coletivo, na saúde e outras áreas prioritárias. O prefeito eleito Rafael Greca vai colocar a cidade no prumo.
JM: O
Governo do Estado e o Governo de Ponta Grossa, representado pelo prefeito
Marcelo Rangel (PPS), sempre tiveram uma boa relação, inclusive com parcerias
mútuas. Na sua opinião, o apoio da administração estadual foi importante para a
reeleição de Rangel em 2016?
Richa: A relação que temos com Ponta Grossa eu procuro imprimir ao relacionamento com todos os demais municípios. Mas é certo que Ponta Grossa, assim como outros municípios dos Campos Gerais, soube tirar proveito, de forma excepcional, de nossa política econômica, fundada no Paraná Competitivo. A região de Ponta Grossa foi a mais beneficiada pelo nosso programa de atração de investimentos, gerando dezenas de milhares de empregos, assim como trabalhou em estreita sintonia com o governo estadual em ações nas áreas sociais e de infraestrutura urbana. Acredito que isso beneficiou o prefeito Marcelo Rangel.
JM: A
parceria entre Governo do Estado e a Prefeitura de Ponta Grossa deve continuar
para os próximos anos?
Richa: Seguramente. Vamos continuar trabalhando em cooperação, intensificando os investimentos estaduais na cidade. Já falei com o Marcelo para cumprimentá-lo pela grande vitória dele, em outubro. A parceria continua, talvez até mais forte. Em Ponta Grossa, todos sabem que tenho um carinho especial pela cidade.
JM: O
senhor chega a metade do segundo mandato como governador com as contas do
Estado saneadas e com uma situação fiscal e financeira estabilizada. Acha que
cumpriu seu papel como Governador diante de um momento de crise financeira e
instabilidade política?
Richa: Estou convencido de que cumprimos o nosso papel. E continuaremos cumprindo. As medidas amargas que tomamos no final de 2014 e em 2015 garantiram que, hoje, o Paraná esteja numa situação bem diferente daquela que se vê em outros estados. Nós nos antecipamos à grande crise destes últimos dois anos. Ainda enfrentamos dificuldades, pois as receitas públicas sofreram uma redução drástica com a crise econômica. A União, os estados e os municípios amargam uma brutal redução de arrecadação. Basta ver o que acontece no Rio de Janeiro, no Rio Grande do Sul e em vários outros estados: salários atrasados ou parcelados, estados sem dinheiro para pagar o 13º e outros ameaçando decretar estado de calamidade financeira se não receberem um socorro emergencial de Brasília. E o Paraná não é uma ilha, não estamos isolados deste contexto. É importante que as pessoas acompanhem isso atentamente e reflitam sobre a necessidade de o Paraná manter sua capacidade de investimento. Para isso precisamos continuar reduzindo as despesas de custeio e equilibrar os gastos com pessoal. É fundamental que a população tenha consciência da gravidade da situação. E lembrar que a retomada do crescimento do País vai ser lenta, bem gradual. Não há fórmula milagrosa para reverter os estragos cometidos pelo governo do PT.
JM: A
disputa para a sua sucessão no cargo em 2018 já começa a se desenhar. Como o
senhor enxerga essa movimentação de lideranças políticas de olho no próximo
pleito?
Richa: Isso é natural. Acaba uma eleição e os políticos e jornalistas já começam a traçar cenários para a próxima. Mas é prematuro falar de 2018. A eleição estadual está condicionada a muitas variáveis, especialmente a evolução da situação econômica, os desdobramentos da operação Lava Jato, que são absolutamente imprevisíveis, a eleição presidencial e, sobretudo, a reforma política que está em exame no Congresso. O que se combina hoje talvez já não valha mais daqui a dois meses. O que dizer, então, de uma eleição prevista para daqui a dois anos?
JM: Quais
são seus planos para a disputa de 2018? O senhor de fato pretende se candidatar
para o cargo de senador?
Richa: Não vejo
sentido em apressar um processo que só vai amadurecer em 2018. Estou
concentrado, 100%, na implementação do nosso programa de governo, na garantia
de que o Estado continue investindo acima do piso constitucional em setores
essenciais como educação e saúde, como ocorre hoje. Não sofro desta ansiedade,
desta necessidade de se antecipar a decisões que só serão tomadas em julho de
2018. Até lá, é muito trabalho e serenidade.