Arquiteto e conselheiro de Urbanismo, Zulian defende preservação de templos religiosos de PG | aRede
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Arquiteto e conselheiro de Urbanismo, Zulian defende preservação de templos religiosos de PG

Henrique Zulian afirma que a política de patrimônio, que inclui o tombamento de imóveis, previne demolições e o apagamento da história de edifícios que construíram a cidade

Henrique Wosiack Zulian é conselheiro da área de Urbanismo
Henrique Wosiack Zulian é conselheiro da área de Urbanismo -

Lilian Magalhães

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O conselheiro da área de Urbanismo do Grupo aRede, Henrique Wosiack Zulian, entende que a preservação de edifícios históricos de Ponta Grossa deve considerar seu valor cultural, arquitetônico e afetivo, e não apenas seu uso atual. Para ele, os processos de tombamento de oito igrejas mostram a importância de proteger espaços que fazem parte da memória da cidade. A opinião é referente a uma matéria especial do Grupo aRede, "Tombamento de templos é suspenso após nova lei em PG".

Por fim, o urbanista lembra que o tombamento não significa impedir reformas ou interferir na autonomia religiosa, mas garantir que mudanças preservem elementos históricos. Ele também destaca que a política de patrimônio deve respeitar a diversidade religiosa e cultural do município.

Confira abaixo a opinião na íntegra de Henrique, graduado em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), pós-graduado pela Escola da Cidade e mestre na área de Projeto Arquitetônico pela Universidade de São Paulo (FAU-USP). Ele também tem dezesseis premiações em concursos de arquitetura pelo Brasil, inclusive em Ponta Grossa:

VÍDEO
Assista à opinião clicando neste player. | Autor: Colaboração/aRede.

"O que justifica a preservação de um edifício não é uma análise cega do seu uso, mas o valor que ele representa para a coletividade: sua história, sua arquitetura, sua importância urbana, artística, cultural ou mesmo afetiva para diferentes gerações. E isso vale para uma igreja, uma estação ferroviária, um casarão, uma praça ou qualquer outro edifício.

Quando um edifício possui um valor cultural que ultrapassa a sua função original, estamos falando de um interesse que também é coletivo.

Em Ponta Grossa, oito igrejas estão atualmente envolvidas em processos de tombamento, que foram suspensos depois de uma nova lei exigir a autorização da instituição religiosa responsável pelo imóvel.

A própria reportagem lembra do episódio que deveria servir de grande alerta para a cidade: em 1977, a Câmara Municipal chegou a pedir o tombamento da antiga Catedral. Um ano depois, ela foi demolida. Hoje, talvez seja fácil olhar para aquela demolição e pensar que no absurdo foi este erro histórico. Mas é justamente para evitar que a gente repita esses erros que existe uma política de patrimônio.

Isso não significa congelar uma igreja no tempo, nem interferir na fé ou na autonomia religiosa. O tombamento pode estabelecer critérios para que reformas e adaptações preservem aquilo que dá significado histórico e arquitetônico ao edifício.

Preservar patrimônio não é preservar o passado contra o presente. É permitir que o presente continue existindo sem apagar completamente as marcas daquilo que construiu a cidade. Lembrando que, não é porque existe uma religião majoritária que ela também deve ter automaticamente mais direito à preservação do que outras manifestações religiosas e culturais".

Conselho da Comunidade

Composto por lideranças representativas da sociedade, não ocupantes de cargo eletivo, totalizando 14 membros, a iniciativa tem o objetivo de debater, discutir e opinar sobre pautas e temas de relevância local e regional, que impactam na vida dos cidadãos, levantados semanalmente pelo Portal aRede e pelo Jornal da Manhã, com a divulgação em formato de vídeo e/ou artigo.

Conheça mais detalhes dos membros do 'Conselho da Comunidade' acessando outras notícias sobre o projeto.

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