Ponta Grossa avança ao integrar saúde, urbanismo e meio ambiente | aRede
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Ponta Grossa avança ao integrar saúde, urbanismo e meio ambiente

Conselheiro, médico avalia que planejamento urbano integrado impacta diretamente a saúde e a qualidade de vida da população

Mário Rodrigues Montemor Netto é conselheiro na área da Saúde
Mário Rodrigues Montemor Netto é conselheiro na área da Saúde -

Lilian Magalhães

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O conselheiro da área da Saúde do Grupo aRede, Mário Rodrigues Montemor Netto, avalia que os desafios urbanos de Ponta Grossa vão além de obras pontuais e representam um tema central de saúde pública, ao impactarem diretamente a mobilidade, o meio ambiente e a qualidade de vida da população.

O debate é referente a uma reportagem especial do Portal aRede

Para ele, o planejamento urbano integrado deve ser tratado como um fator diretamente associado à saúde, exigindo ações contínuas do poder público para reduzir desigualdades territoriais, prevenir doenças e promover bem-estar físico e mental à população.

Confira abaixo a opinião na íntegra de Mário, que é médico, pesquisador, professor e presidente da Associação Médica de Ponta Grossa (AMPG):

"Ponta Grossa vive um momento de inflexão. Ao analisarmos o pacote de projetos estratégicos apresentados pela Prefeitura para 2025/2026, é fácil nos perdermos nos números de investimento ou na quantidade de asfalto. Mas, sob o olhar clínico, o que vemos é algo muito mais profundo: a transição de uma cidade que apenas "crescia" para uma cidade que começa a "amadurecer" com inteligência e saúde.

A recente subida de Ponta Grossa no Ranking Connected Smart Cities (27ª posição nacional) não é um acaso. É o reflexo de um organismo urbano que está aprendendo a usar dados para tratar suas doenças crônicas.

Como médico e observador da vida urbana, analiso abaixo como os três principais pilares desse planejamento — Mobilidade, Saúde e Meio Ambiente — funcionam como um tratamento sistêmico para a nossa população.

1. Solução Costa Rica: Desobstruindo as Artérias da Cidade

O trânsito caótico não é apenas um problema de engenharia; é um problema de saúde pública. O congestionamento gera estresse crônico (aumento de cortisol), poluição sonora e atmosférica.

A chamada "Solução Costa Rica", com suas novas vias e pontes, funciona como uma cirurgia de revascularização para a região do Bairro Neves. Ao "desobstruir" o fluxo para milhares de famílias, estamos devolvendo o ativo mais precioso para a saúde mental do trabalhador: o tempo. Menos tempo no trânsito significa mais tempo com a família, mais descanso e menos ansiedade.

2. Nova Policlínica: O 'Hub' de Resolução

A inclusão da Nova Policlínica da Zona Norte no Novo PAC é uma vitória estratégica. Na medicina, sabemos que o gargalo do SUS não é apenas a "porta de entrada" (UBS), mas a dificuldade de acessar o especialista e o exame (Atenção Secundária).

Esta obra atuará como um "filtro de alta resolutividade". Ao concentrar especialidades, exames de imagem e pequenas cirurgias em um local acessível, evitamos que doenças tratáveis se agravem na fila de espera. É a infraestrutura trabalhando a favor da prevenção secundária.

3. Interparques: A Vacina Verde

Talvez o projeto mais visionário seja o Interparques. Transformar fundos de vale e áreas de alagamento em parques lineares é aplicar o conceito de "Acupuntura Urbana": uma intervenção pontual que cura todo o sistema.

Este projeto ataca três frentes de saúde simultaneamente:

1.     Saúde Mental: Áreas verdes são antidepressivos naturais.

2.     Combate ao Sedentarismo: As ciclovias integradas criam uma "academia a céu aberto" que convida ao movimento.

3.     Saneamento: A macrodrenagem elimina focos de doenças e previne o trauma das enchentes.

VÍDEO
Confira a opinião do conselheiro Mário Rodrigues Montemor Netto | Autor: Mário Rodrigues Montemor Netto.
 

O Diagnóstico Final: Uma Cidade Integrada

Ao cruzarmos todos esses projetos em uma matriz de impacto, fica claro que Ponta Grossa está deixando de lado obras isoladas para pensar em sistemas.

Estamos desenhando a anatomia de uma cidade mais resiliente. Se a ferrovia foi o motor do nosso passado, a inteligência urbana e a sustentabilidade serão os motores da nossa saúde no futuro. O desafio agora é a execução: garantir que esses projetos saiam do papel com a mesma qualidade com que foram planejados, para que Ponta Grossa se consolide não apenas como um polo industrial, mas como um refúgio de qualidade de vida no Sul do Brasil."

CONSELHO DA COMUNIDADE

Composto por lideranças representativas da sociedade, não ocupantes de cargo eletivo, totalizando 14 membros, a iniciativa tem o objetivo de debater, discutir e opinar sobre pautas e temas de relevância local e regional, que impactam na vida dos cidadãos, levantados semanalmente pelo Portal aRede e pelo Jornal da Manhã, com a divulgação em formato de vídeo e/ou artigo.

Conheça mais detalhes dos membros do 'Conselho da Comunidade' acessando outras notícias sobre o projeto.

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