Projeto entre Prefeitura de PG e Unilivre é garantia de um futuro saudável
Conselheiro, que é médico, acredita que projeto entre a Prefeitura e Unilivre é "fundamental" para o desenvolvimento sustentável
Publicado: 30/08/2025, 19:49

O conselheiro da área da Saúde do Grupo aRede, Mário Rodrigues Montemor Netto, explica que o projeto para criar parques lineares nos arroios de Ponta Grossa - entenda os detalhes clicando aqui - é fundamental para o desenvolvimento sustentável. Para ele, a iniciativa, que poderá viabilizar R$ 120 milhões em investimentos, é uma garantia de um futuro saudável para as próximas gerações de ponta-grossenses.
Confira abaixo a opinião na íntegra de Mário, que é médico, pesquisador, professor e presidente da Associação Médica de Ponta Grossa (AMPG):
"Em meio ao ruído dos canteiros de obras e ao otimismo dos gráficos econômicos, uma pergunta fundamental paira sobre o futuro de Ponta Grossa: os seus cidadãos são felizes aqui? Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), felicidade não é um estado de euforia, mas sim de 'completo bem-estar: físico, social e mental'. É a busca por essa condição que define o verdadeiro sucesso de uma comunidade, transformando o desenvolvimento urbano de uma questão de concreto e asfalto para uma de propósito e qualidade de vida.
Se imaginarmos Ponta Grossa como um corpo humano, o atual ciclo de investimentos de quase R$ 10 bilhões está, sem dúvida, fortalecendo sua musculatura econômica. A chegada de gigantes como a XBRI Pneus e a Nissin Foods, somada à expansão de potências locais como o Grupo Madero, confere à cidade uma força e uma projeção inéditas. Esses são os músculos que garantem o pilar do bem-estar social através da criação de milhares de empregos.
Contudo, um corpo não vive apenas de músculos. Ele precisa respirar. E os pulmões de uma cidade são seus rios, suas matas e seus parques. É aqui que a saúde urbana se manifesta de forma mais vital.
O resgate das veias e pulmões da cidade
Em paralelo à expansão das chaminés e dos distritos industriais, um movimento silencioso, mas fundamental, acontece nos fundos de vale. Um contrato de R$ 4,1 milhões firmado entre a Prefeitura e a Universidade Livre do Meio Ambiente (Unilivre) deu início a um projeto que pode mobilizar até R$ 120 milhões em obras para a recuperação socioambiental dos arroios Olarias, Pilão de Pedra e Ronda.
Este não é apenas um projeto ambiental, mas um plano de saúde urbana. A iniciativa nasceu da necessidade de responder aos efeitos das mudanças climáticas, como os crônicos alagamentos que afetam famílias, especialmente na bacia do Rio Ronda. O plano é complexo e multifacetado, envolvendo desde o desassoreamento de rios e a proteção da mata ciliar até a criação de parques lineares, reurbanização de áreas degradadas, regularização fundiária e capacitação social para os moradores. O objetivo, como apontam os técnicos da Unilivre, é transformar Ponta Grossa em uma 'Cidade das Águas', onde os rios deixam de ser um problema para se tornarem ativos de lazer, convivência e resiliência climática - pilares do bem-estar físico e mental da população.
Construindo pontes para um futuro feliz e sustentável
À primeira vista, os dois movimentos - o industrial e o ambiental - podem parecer distintos, mas são profundamente interdependentes. Um crescimento industrial robusto não se sustenta a longo prazo em uma cidade ambientalmente degradada e socialmente desigual. A qualidade de vida, a segurança contra eventos climáticos extremos e a existência de espaços verdes são fatores cada vez mais decisivos para atrair e reter os talentos que as novas indústrias demandam.
As lideranças envolvidas nos projetos parecem compartilhar dessa visão integrada. A prefeita Elizabeth Schmidt destaca que o plano de intervenções nos arroios 'vai solucionar os problemas de alagamentos pelos próximos 100 anos', tornando a cidade mais segura. Para o secretário de Estado de Desenvolvimento Sustentável, Rafael Greca, iniciativas como esta são 'sementes de futuro' que garantem qualidade de vida para hoje e para as próximas gerações.
O projeto, descrito por Christyano Cavali da Luz, coordenador na Unilivre, como 'inédito no Paraná', trabalha não apenas o meio ambiente, mas a governança entre poder público, ciência e a população. É a prova de que o planejamento urbano moderno precisa ser holístico, unindo o cérebro (planejamento), os músculos (economia) e os pulmões (meio ambiente) em um único organismo funcional.
O verdadeiro legado deste ciclo de desenvolvimento em Ponta Grossa não será medido apenas pelo tamanho de suas fábricas, mas por sua capacidade de construir uma cidade onde a prosperidade econômica flui em harmonia com seus rios. O desafio está lançado: construir pontes, não apenas para o comércio, mas entre a indústria e o meio ambiente, garantindo um futuro saudável e, acima de tudo, feliz para nossos filhos e para as futuras gerações".
CONSELHO DA COMUNIDADE - Composto por lideranças representativas da sociedade, não ocupantes de cargo eletivo, totalizando 14 membros, a iniciativa tem o objetivo de debater, discutir e opinar sobre pautas e temas de relevância local e regional, que impactam na vida dos cidadãos, levantados semanalmente pelo Portal aRede e pelo Jornal da Manhã, com a divulgação em formato de vídeo e/ou artigo.