Centenária de Reserva, Alfredina Fernandes Vaz morre aos 106 anos
Matriarca deixou 14 filhos, vasta descendência e um legado de força ancestral e acolhimento nos Campos Gerais

Quem cruzasse o caminho de dona Alfredina Fernandes Vaz encontrava mais do que um século de vida acumulado nos traços: encontrava uma mulher cuja história inteira foi escrita no mesmo chão. Nascida, criada e residente por toda a vida em Reserva, nos Campos Gerais do Paraná, a matriarca faleceu na manhã da segunda-feira (02), deixando para trás o título informal de guardiã da memória local, e, muito provavelmente, o posto de pessoa mais longeva de toda a cidade.
Ao longo de 106 anos, dona Alfredina não apenas assistiu às transformações do município, mas ergueu ali uma fortaleza humana. Gerou nove filhos biológicos e, com o coração aberto a quem precisasse de abrigo, adotou e criou outros cinco. Dos 14 filhos brotaram dezenas de netos, bisnetos e trinetos, compondo uma árvore genealógica extensa e unida pelo mesmo senso de proteção mútua.
Em sua casa, a ancestralidade indígena nunca foi uma lembrança distante ou folclórica, mas um cotidiano de cuidados palpáveis: a infusão exata colhida no quintal, o remédio preparado na hora certa, as pomadas artesanais e o alívio que distribuía a quem batesse à sua porta. Ao mesmo tempo, dona Alfredina rompia expectativas com uma lucidez afiada: trazia a certeza categórica do caminho que escolheu trilhar longe de aldeias, decidindo com soberania como e onde conduziria sua existência.
Essa firmeza moral diante do mundo foi ressaltada publicamente por sua neta, a Dra. Andrea Vaz, cidadã reservense que atua na advocacia e no empreendedorismo. Em sua rede social, ela compartilhou um depoimento comovido sobre a convivência com a avó:
"A vó me conhecia de verdade. Junto com meu vô, ela me defendia quando palavras injustas tentavam dizer o contrário. Eles e meus pais sempre estiveram juntos e, apesar de qualquer maldade humana, ela sempre soube quem nós éramos. Minha mãe sempre foi uma verdadeira filha para ela, e esse vínculo ninguém nunca conseguiu apagar. O que sinto não é tristeza, mas gratidão por ter convivido com uma mulher que me ensinou a ter convicção e a viver com coragem."
A trajetória de dona Alfredina encerra um capítulo secular da história cotidiana de Reserva. Entre as ervas curativas, o almoço farto para os 14 filhos e o olhar firme que desarmava qualquer injustiça, a matriarca reservense despede-se da vida terrena como um monumento vivo de serenidade e resistência familiar.
As informações são da Tribuna da Notícia.
LEIA ABAIXO UM RESUMO DA NOTÍCIA
- Dona Alfredina Fernandes Vaz, considerada a moradora mais velha de Reserva (PR), faleceu aos 106 anos na manhã de segunda-feira (2).
- Nascida e criada no município, a matriarca criou 14 filhos (nove biológicos e cinco adotivos), deixando uma vasta descendência de netos, bisnetos e trinetos.
- Reconhecida por saberes ancestrais indígenas no uso de ervas e remédios artesanais, recebeu homenagens de familiares, como sua neta Dra. Andrea Vaz, por seu exemplo de coragem e convicção.



