De briga a fuga de cadeia: As reviravoltas do caso Edejaime e David em Castro
Vídeo de vítima com faca e fuga de sobrevivente da prisão são os trunfos da defesa para provar legítima defesa

O Fórum da Comarca de Castro sedia, no próximo dia 22, a primeira audiência de instrução do caso que terminou com a morte de Bruno da Cruz, de 21 anos, e deixou Marcos Vinicios de Jesus, de 27, gravemente ferido no pátio de um posto de combustíveis. Edejaime Valenga, de 60 anos, e seu filho, David Batista, de 22 anos, sentarão no banco dos réus respondendo por homicídio qualificado consumado e tentativa de homicídio qualificado.
Como o caso está na sua primeira fase, o Júri Popular ainda não tem data definida para ocorrer, e uma nova audiência já está prevista para outubro. No entanto, o embate entre a acusação e a defesa começa a ganhar contornos decisivos e reviravoltas a partir de agora.
O crime ocorreu na madrugada de 6 de setembro de 2025, por volta das 03h12min, na Vila Rio Branco. Conforme a denúncia da Promotoria de Justiça de Castro (MPPR), o fato foi motivado por um desentendimento fútil iniciado horas antes na casa noturna. A acusação sustenta que pai e filho agiram em comunhão de vontades e atacaram as vítimas em superioridade bélica e numérica, mediante recurso que dificultou a defesa.

A versão da Defesa e a faca nas imagens de segurança
Apesar da denúncia, a defesa dos réus, liderada pelo advogado Yuri Kozan, apresenta uma narrativa focada nas teses de legítima defesa e inexigibilidade de conduta diversa. O ponto central dessa argumentação reside nas imagens do sistema de monitoramento, que flagram a vítima fatal, Bruno, portando um objeto metálico semelhante a uma faca durante a confusão.
Para Kozan, esse registro visual muda totalmente o rumo da investigação. "Essa imagem é fundamental. Ela traz para os autos uma verdadeira reviravolta. Porque, segundo a narrativa da acusação, o Edejaime e o David perseguiram os dois e aí, de forma covarde, atacaram eles em desvantagem. Isso é falso. A imagem mostra o Bruno com uma faca", afirma o advogado.
Segundo a defesa, Edejaime estava dormindo quando foi acionado para socorrer a esposa e a filha, que estariam sendo agredidas do lado de fora do bar, não restando outra atitude diante do risco (inexigibilidade de conduta diversa).
Histórico criminal e a fuga surpreendente da vítima sobrevivente
Outro elemento central no debate é o histórico das vítimas. Bruno da Cruz, no momento em que faleceu, fazia o uso de tornozeleira eletrônica e possuía passagens por roubo, tráfico, porte de arma e violência doméstica.

Porém, a ficha da vítima sobrevivente, Marcos Vinicios, trouxe o fato mais surpreendente da semana. Além de acumular passagens por ameaça, lesão corporal grave e violência doméstica — motivo pelo qual estava preso atualmente na Cadeia Pública de Castro —, Marcos fugiu da unidade prisional ontem (10), junto com outros seis detentos. A liberdade durou pouco: ainda na noite de ontem, ele e outros três fugitivos foram interceptados e recapturados pela Guarda Civil Municipal (GCM) de Castro dentro de um veículo Gol. Para a defesa, o novo episódio comprova a periculosidade do envolvido. "Isso enquadra o acontecimento do dia 6 de setembro dentro de um modus operandi e mostra com quem Edejaime estava lidando", aponta o advogado.

Tensão e segurança
Às vésperas da audiência, o clima fora dos tribunais é de tensão. A família dos réus relatou sofrer intimidações constantes, incluindo disparos de arma de fogo e mensagens de vingança. A Polícia Militar informou que a inteligência está atuando ativamente para garantir a segurança no Fórum de Castro no dia 22.



