Coletivo Triunfo promove seminário para valorizar agricultura familiar em Irati
Encontro será realizado nesta semana nos dias 12 e 13 de agosto, em Irati, e reunirá agricultores, pesquisadores, estudantes, cooperativas, associações e representantes de povos e comunidades tradicionais

Pensar o futuro também significa olhar para trás. É a partir dessa perspectiva que o Coletivo Triunfo promove, nos dias 12 e 13 de agosto, o seminário “O Tradicional é Moderno: Seminário de Integração da Agricultura Familiar e Sistemas Tradicionais de Produção”.
O encontro será realizado no Centro de Tradições Willy Laars e pretende reunir agricultores e agricultoras familiares, povos e comunidades tradicionais, técnicos, pesquisadores, estudantes, cooperativas, associações e demais pessoas interessadas na produção de alimentos, na preservação da biodiversidade e na proteção dos territórios.
Mais do que discutir números, técnicas ou modelos de produção, a proposta é colocar no centro do debate as pessoas que vivem e trabalham no campo e reconhecer a história construída por famílias que, geração após geração, mantêm conhecimentos, sementes, modos de produzir e relações com a natureza.
A região carrega uma história marcada pela agricultura familiar e pelos sistemas tradicionais de produção. São comunidades que desenvolveram formas próprias de convivência com a terra, com as florestas e com os recursos naturais. Para os organizadores, recuperar essa memória coletiva é também uma maneira de compreender os desafios atuais e encontrar caminhos para o futuro.
“Precisamos conversar sobre o futuro da nossa região”, resume a proposta do encontro. Um futuro que considere os problemas reais enfrentados pelas famílias agricultoras e pelas comunidades que têm papel fundamental na produção de alimentos, na conservação da natureza e na proteção dos territórios.
UM CAMPO EM TRANSFORMAÇÃO
Nos últimos 30 anos, a realidade das famílias agricultoras mudou profundamente. O envelhecimento da população rural, a sucessão das propriedades, a concentração de terras, o avanço da mecanização e da tecnificação e as transformações provocadas pelo modelo de desenvolvimento do campo são alguns dos desafios que estarão em discussão.
A eles se somam questões que ultrapassam os limites das propriedades rurais, como as crises hídrica, climática, energética e alimentar.
As mudanças no clima, por exemplo, já interferem diretamente na produção e na vida de quem depende da terra. Ao mesmo tempo, agricultores familiares e comunidades tradicionais continuam buscando formas de resistência e criando alternativas para produzir alimentos, preservar a biodiversidade e manter seus territórios.
O seminário também pretende discutir as oportunidades existentes para a agricultura familiar e a importância das políticas públicas e das organizações locais na construção de alternativas para o campo.
Nesse contexto, a agroecologia aparece não apenas como uma forma de produzir, mas como uma possibilidade de fortalecer a soberania, a autonomia e o bem-estar das comunidades tradicionais e das famílias agricultoras.
MEMÓRIA PARA PENSAR O FUTURO
Um dos principais objetivos do seminário é construir uma leitura coletiva sobre as transformações ocorridas na agricultura familiar nos últimos 30 anos e compreender seus atuais desafios e oportunidades.
A proposta parte da ideia de que não é possível pensar o futuro da região sem reconhecer as experiências e os conhecimentos construídos pelas gerações anteriores.
Entre os objetivos específicos está o reconhecimento dos sistemas tradicionais de produção da erva-mate sombreada, resultado da valorização de uma forma tradicional de cultivo praticada pela agricultura familiar da região.
O encontro também pretende refletir sobre as transformações vividas pela agricultura familiar, identificar desafios e oportunidades para o fortalecimento do setor e apontar elementos para uma agenda de ação comum, considerando o papel das políticas públicas e das organizações locais.
A juventude terá espaço importante nesse processo. Para os organizadores, ouvir os jovens é fundamental para compreender a realidade atual da agricultura familiar e, principalmente, para discutir quem continuará no campo e quais condições serão necessárias para que as novas gerações possam construir seu próprio futuro nos territórios rurais.
DOIS DIAS DE ENCONTRO, MEMÓRIA E DEBATE
A programação foi pensada para estimular a participação e a troca de experiências.
O primeiro dia, 12 de agosto, será dedicado à “Memória da Agricultura Familiar”. A programação começa às 8h30, com acolhimento e o Café da Partilha. Às 9 horas haverá uma mística e, às 10 horas, a abertura oficial, com abordagens sobre o SIPAM e o Núcleo Socioambiental.
Depois do almoço tradicional, às 12 horas, os participantes retornam às atividades às 13h30. Durante a tarde serão realizadas as Linhas do Tempo Municipal e Comunitária, uma reflexão sobre a trajetória da agricultura familiar e a conjuntura atual, além de uma dinâmica de grupos. As atividades do primeiro dia terminam às 17 horas.
O segundo dia, 13 de agosto, será dedicado à experiência das organizações da Agricultura Familiar no território.
As atividades começam novamente às 8h30, com o Café da Partilha e, às 9 horas, a mística. Na sequência, serão retomados os trabalhos desenvolvidos pelos grupos no dia anterior.
Também estarão em debate as diferentes formas de autonomia da agricultura familiar e experiências de organizações que atuam no território. A proposta é dividir os participantes em grupos temáticos para conhecer diferentes experiências e promover o diálogo entre quem vive, pesquisa e atua diretamente no campo.
Após o almoço tradicional, a programação segue durante a tarde com a apresentação dos debates realizados nos grupos, uma mesa política e a plenária final.
O encerramento está previsto para as 16h30, com mais um Café da Partilha e um momento de celebração.
UMA CONSTRUÇÃO COLETIVA
A ideia do Coletivo Triunfo é que o seminário seja um espaço aberto para falar, mas também, e principalmente, para ouvir.
Agricultores, agricultoras, comunidades tradicionais, estudantes, pesquisadores, técnicos, cooperativas, sindicatos e associações são convidados a levar suas experiências, suas preocupações e também suas propostas.
Em um momento de grandes transformações no campo, o encontro pretende ajudar a responder perguntas que dizem respeito a toda a região: que agricultura familiar queremos fortalecer? Que território queremos deixar para as próximas gerações? E quais caminhos precisam ser construídos coletivamente para que as famílias possam continuar produzindo, vivendo e cuidando da terra?
A resposta, segundo a proposta do seminário, não está em uma única instituição ou em um único modelo de produção. Ela passa pela capacidade de reunir diferentes experiências, reconhecer os saberes tradicionais e construir uma agenda comum.
Por isso, o encontro em Irati também é uma oportunidade para transformar memória em projeto de futuro.
O seminário é promovido pelo Coletivo Triunfo, pelo CEDerva – Centro de Desenvolvimento e Educação dos Sistemas Tradicionais de Erva-Mate e pela Itaipu Binacional, por meio do Núcleo de Cooperação Socioambiental dos Campos Gerais.
As inscrições devem ser realizadas por meio das organizações de base de cada município, como sindicatos, cooperativas, associações e grupos organizados, que também podem fornecer informações sobre a participação.
O Seminário “O Tradicional é Moderno” acontece nos dias 12 e 13 de agosto, no Centro de Tradições Willy Laars, em Irati, reunindo pessoas de diferentes municípios da região em torno de uma mesma tarefa: compreender a trajetória da agricultura familiar, reconhecer sua importância e, a partir dessa memória, ajudar a construir os caminhos do futuro.
Com informações da assessoria de imprensa.





















