Chuvas causam quebra na produtividade na região

O fenômeno climático ‘El Niño’, que trouxe muitas chuvas à região nas últimas semanas, causou uma quebra na produção dos cultivos de inverno nos Campos Gerais. De acordo com informações obtidas junto ao núcleo regional do Departamento de Economia Rural (Deral), o trigo apresentou uma quebra média na produção de 15%, ultrapassando a marca dos 40% em alguns municípios. Do que foi colhido, a qualidade foi inferior, o que prejudicou a rentabilidade dos produtores. No caso da cevada, por exemplo, a baixa qualidade impediu que ela pudesse ser encaminhada para a indústria, e foi destinada para a nutrição animal (ração).
Vera Maria Silvestre, economista do Deral na região, explica que chuvas contínuas não são comuns nesta época, e que os problemas começaram desde o plantio. “Quando o trigo foi plantado, em junho e julho, estávamos em um período de seca. E desde o final de setembro estamos tendo muita chuva. O cultivo não se desenvolveu bem pela seca e agora foi prejudicado pela chuva, prejudicial principalmente na hora da colheita. O índice pluviométrico de outubro e novembro são bem menores”, informa.
O também economista do Deral, Luiz Alberto Vantroba, relata que a falta de geada também influiu para a baixa produtividade e qualidade. “As culturas de inverno necessitam de momentos de frio mais acentuado. Com isso a qualidade caiu em 25%. Com isso, tem produtor falando que empatou os custos, não ganhou nada, se fez bastante aplicações e não teve resultado desejado”, completa Vantroba. Em função disso, ele acredita que esse resultado possa refletir na área plantada para o próximo ano.
Sobre a colheita, ele fala que a chuva e banhado estão impedindo que os cultivos de inverno sejam retirados do campo. Se o clima fosse favorável, a colheita já teria sido 100% terminada, segundo ele. “Mesmo com barro, neste fim de semana os produtores estavam no campo. Teve muita máquina encalhada”, diz.
Em relação à cevada, devido á baixa qualidade, a recusa foi grande. “Em torno de 40% não foi aceito por ocasião desse clima instável, ainda mais que a cevada é mais susceptível. É feito o contrato e pago na safra. Eles garantem o preço, mas com aquela qualidade. Se não atingiu, é provável que vá para a alimentação animal, vire ração, ou tenha outros usos”, completa Vantroba.
Plantio de soja está atrasado
O plantio de verão, com a soja, também está sendo prejudicado em decorrência das chuvas. De acordo com o Deral, pouco mais de 80% foi plantado, restando ainda aproximadamente 100 mil hectares para serem plantados na região. A projeção é de que 533 mil hectares sejam preenchidos com soja, o que deve resultar em uma colheita de 1,91 milhão de toneladas diante da produtividade de 3,6 mil quilos por hectare. “Por enquanto não há previsão de quebra porque ainda está dentro do período recomendado pela pesquisa. Produtores preferem plantar ate final de novembro por experiência própria, mas até dezembro ainda está dentro do previsto”, diz o economista do Deral.
Informações do Jornal da Manhã.





















