Produção de canola anima agricultores

O produtor de Ponta Grossa, Leandro Martincoski, não tem do que reclamar quando o assunto é a safra de canola, encerrada no último dia 20. Apostando pela primeira vez na cultura, ele viu surgir em 250 hectares de sua propriedade uma nova e muito lucrativa fonte de renda. “Eu planto em sociedade com meu pai. Em abril, havíamos pensado em não cultivar nenhuma cultura de inverno para amenizar o desgaste do solo da nossa propriedade. Porém, resolvemos arriscar na canola e deu certo”, afirma. A expectativa inicial do agricultor era uma colheita de cinco mil sacas. “Porém, mesmo com a chuva de granizo que atingiu a região e que fez com que perdêssemos 35% da nossa área plantada, conseguimos uma colheita de 5,3 mil sacas”, comenta.
E a boa safra não foi exclusividade de Martincoski. De acordo com a equipe técnica da Presença Agrícola, a produtividade na região ficou na casa dos dois mil quilos por hectare, chegando, em alguns casos, até a 2,4 mil quilos por hectare.
Para o engenheiro agrônomo, Antônio Francisco Milan, que presta consultoria a uma empresa que planta canola há seis anos, as vantagens agronômicas recaem ainda sobre uma agricultura economicamente melhor. “Os produtores vão incluindo a canola de inverno no sistema de cultivo por causa da sua rentabilidade. Com a colheita começando em final de agosto, o produtor tem renda na Primavera, momento em que também está investindo em uma nova safra de verão”, explica.
E se o assunto é economia, outro atrativo da cultura é o balizador de preço. “O valor de comercialização está atrelado ao preço da soja, ou seja, negociado em dólar, com comprador certo”, completa Martincoski.
Com aspectos amplamente positivos, a canola deverá tomar ainda mais o espaço que antes era ocupado pelo trigo nos Campos Gerais. “É uma cultura de cultivo programado. Depois do período de plantio – que ocorre entre abril e maio -, a colheita finaliza exatamente depois de 150 dias. Sendo assim, pretendo aumentar a área plantada no ano que vem em 30%”, projeta Martincoski.
Rotatividade é outro benefício
Com base no engenheiro agrônomo Antônio Francisco Milan, o maior benefício no cultivo da canola para os produtores não é só do lucro, mas sim no valor acrescentado para as culturas subsequentes e na melhoria a longo prazo do sistema de cultivo. “Longos anos de pesquisa indicaram que um aumento no rendimento pode ser alcançado pela alternância de culturas na mesma terra. Culturas produzidas continuamente podem causar doenças, pragas e ervas daninhas aumentadas. O aumento no rendimento quando se muda de um sistema de cultivo contínuo para uma rotação de culturas mais diversificada é bem conhecido”, discorre.
Preocupação
Segundo o produtor Leandro Martincoski, apesar da boa lucratividade, o cultivo da canola nos Campos Gerais sofre com o desinteresse das empresas em relação à comercialização. “Nenhuma empresa da nossa região tem interesse em trabalhar com essa cultura. Nós temos que levar o produto até Witmarsum. De lá, a canola é enviada para o Rio Grande do Sul”, reclama.
Informações do Jornal da Manhã.





















