Chuvas podem causar 'quebra' na produção dos Campos Gerais

As chuvas que caem há mais de uma semana começam a preocupar os produtores rurais da região dos Campos Gerais. A umidade acumulada nos últimos dias e as temperaturas acima da média poderão prejudicar a produtividade das culturas de inverno. A qualidade dos grãos pode ser afetada, já que as condições climáticas atuais não são as mais adequadas para os cultivos como trigo, aveia, canola, cevada, entre outros, criando um ambiente propício para a proliferação de doenças diante da dificuldade de controle. O ideal seria um clima um clima mais frio o seco, justamente o contrário do observado há cerca de dez dias. Não há, no entanto, uma estimativa do quanto a produção agrícola da região pode ser prejudicada para esta safra, segundo o núcleo regional do Departamento de Economia Rural (Deral).
De acordo com a economista do Deral na região, Vera Maria Silvestre, nessa época geralmente chove até 100 milímetros, mas, neste ano, já se aproxima do dobro da média. “Estamos com quase 200 milímetros de precipitações e isso prejudica a produção. A umidade começa a preocupar, principalmente o trigo, que está em fase de desenvolvimento, e pode não se desenvolver bem. É preocupante pelas doenças, como a ferrugem”, declara. O trigo corresponde a cerca de 80% da produção de inverno na região, com 176 mil hectares plantados, seguido pela cevada e aveia, com 13 mil hectares. Ela estima que 90% do trigo está em fase de desenvolvimento vegetativo. Os municípios mais afetados são os do sul da região (Ponta Grossa, Palmeira, Castro); enquanto que os menos afetados são Sengés e Arapoti.
Roberto Cunha Nascimento, presidente da Sociedade Rural dos Campos Gerais e produtor agrícola, confirma que há o temor entre os produtores quanto a uma quebra na safra. Segundo ele, isso ocorre porque as chuvas prejudicam o manejo de doenças e pragas. “Com a grande umidade fica difícil combater doenças porque não se consegue fazer pulverizações; para pulverizar precisamos esperar dia de sol. Isso causa transtorno e preocupação grande quanto à quebra de produção”, diz. O produtor rural Edilson Gorte, no entanto, ressalta que poderia ser pior se o trigo tivesse na fase de formação de grãos, e que o solo da região é mais arenoso, que absorve melhor a água das chuvas, sendo menos susceptíveis a algumas doenças.
PARANÁ - Trigo sobe 3,1% na última semana
O mercado de trigo no Paraná esteve um pouco mais movimentado nesta semana, por causa do clima. Os compradores estão na dúvida sobre a entrada e qualidade da nova safra. Os preços passaram de R$ 630 a tonelada para R$ 650 a tonelada nos últimos dias, com alguns negócios realizados, segundo a Consultoria Trigo & Farinhas. Em relação ao milho na região, há dificuldade de colheita, devido às chuvas. Há perda de qualidade e dificuldade no escoamento no grão.
Informações do Jornal da Manhã





















