Derbli pede que governos mantenham compromissos
Prefeito pede que novos governador e presidente possam dar continuidade aos projetos já firmados com os municípios e elenca prioridades da cidade em 2019.

Prefeito pede que novos governador e presidente possam dar continuidade aos projetos já firmados com os municípios e elenca prioridades da cidade em 2019.
Com uma ‘bomba’ deixada pelas administrações anteriores no setor financeiro, a Prefeitura de Irati espera que os governos estadual e federal cumpram os compromissos já firmados com o município nos últimos anos em relação ao repasse de investimentos. O atual prefeito, Jorge Derbli (PSDB) acredita que, caso Ratinho Junior (PSD) e Jair Bolsonaro (PSL) mantenham os repasses que já estavam garantidos com as gestões anteriores, o município terá um grande salto de desenvolvimento em 2019.
Derbli explica que a Prefeitura conta atualmente com um grande problema financeiro, vindo de administrações antigas. Trata-se do pagamento mensal de cerca de R$ 700 mil para cobrir um saque do Caixa de Aposentadoria e Pensão dos Servidores Municipais de Irati (CAPS). O valor prejudica o investimento em obras municipais, já que a prefeitura tem que quitar as parcelas em 35 anos e acumula juros de 2% a cada ano que passa. O objetivo de Derbli é fazer com que o pagamento seja feito 70 anos, diminuindo o valor pago mensalmente e garantindo um bom investimento em obras do município todos os meses.
A expectativa do prefeito é de manter um bom relacionamento com o governo de Ratinho Junior e que o atual presidente, Jair Bolsonaro, tenha condições de cumprir com a promessa de campanha de que daria mais autonomia às cidades – o chamado ‘Mais Brasil, menos Brasília’.
Jornal da Manhã: Qual a maior conquista da administração municipal durante o ano de 2018 em Irati? É possível elencar algum trabalho em específico?
Jorge Derbli: Eu não diria a maior conquista, porque acredito que foram várias. Conseguimos ainda no governo do Beto Richa, por exemplo, assinar alguns convênios. Alguns já foram executados e outros estão em fase de tramitação burocrática. A maioria deles para a aquisição de equipamentos. Também tínhamos no município algumas obras paradas de cinco ou seis anos, ainda da administração anterior, que nos propusemos a concluir. Era um projeto de campanha nosso. Na questão da Saúde conquistamos mais de 20 veículos, entre ônibus, vans, carro pequenos, cinco retroescavadeiras, caminhões. Além de muitas obras, como academias ao ar livre, reformas de prédios e espaços públicos... Foram várias coisas que aconteceram no ano passado. Também consolidamos a construção do Condomínio do Idoso, no valor de R$ 5 milhões, que foi firmado no ano passado e será construído esse ano. Temos também um novo parque na Vila São João, semelhante ao nosso Parque Aquático, para atender toda a comunidade.
Mas acredito que eu possa colocar como a maior conquista de 2018 – não só de Irati, mas toda a região – a instalação de um ‘braço’ do Hospital Erasto Gaertner. Foram R$ 200 mil de custeio do governo que permitiram que os pacientes não precisem mais se deslocar até Curitiba para fazer o tratamento. Boa parte do processo agora é feito por aqui. Também fizemos, com o apoio do governo do Estado, a licitação da estrada entre Irati e São Mateus do Sul, uma obra sonhada há 50 anos na nossa cidade.
JM: O prefeito tem expectativas de que esse trabalho de realização de obras tenha continuidade em 2019?
Derbli: A nossa maior expectativa é que se dê continuidade às obras que foram conveniadas no ano passado. O governo vem com uma nova mentalidade, um novo projeto, e a gente tem certeza de que serão coisas boas que irão acontecer tanto no Estado quando em nível federal. Esperamos que os governos possam dar prioridade aos convênios que já foram assinados. Tenho certeza que vão respeitar. Por exemplo: temos aqui em Irati a Unicentro, que foi assinada a implantação do curso de Engenharia Civil – assim como foi o de Medicina em Guarapuava. Queremos que isso de fato aconteça no município. Que venham novos recursos para pavimentação e que o governo continue fazendo muita coisa. Em Irati tivemos a elevação do Corpo de Bombeiros para Subgrupamento, se desligando de Ponta Grossa. Com essa divisão, Irati passa a comandar 20 municípios ao entorno. Então são essas coisas que esperamos que tenham continuidade.
JM: E como está a situação financeira do município? Como foi o processo para concluir os pagamentos referentes ao ano passado?
Derbli: Pegamos o município com muitas dívidas, mas a gente está administrando dentro do possível para que possamos concretizar alguns projetos nestes próximos dois anos. Foi muito difícil os dois primeiros anos. Como toda a administração, pegamos a Prefeitura no vermelho e com o Parque de Máquinas sucateado. O problema maior que temos atualmente é em relação a uma parcela mensal de um fundo de Previdência dos funcionários da Prefeitura, chamado CAPS [Caixa de Aposentadoria e Pensão dos Servidores]. Em administrações passadas foi sacado esse recurso e feito um acordo para pagar em 35 anos. Hoje, em uma receita que gira em torno de R$ 10 milhões, temos um parcela de R$ 700 mil mensais, aumentando 2% a cada ano. Isso está estrangulando a administração em relação aos recursos para novas obras. Esperamos do governo federal que se aceite um procedimento para que possamos pagar a dívida em 70 anos, ao invés de 35. Esse recurso nos sufocou. Se eu tivesse R$ 700 mil mensais para investir, faríamos chover em Irati. Mas ele vem nos sufocando. Confesso que nem todas as contas com fornecedores estão em ordem, mas na questão de salário, 13º e férias, estamos em dia.
JM: Existe uma prioridade traçada pelo município para ser cumprida em 2019?
Derbli: Existe. Inclusive no segundo dia do ano fizemos uma reunião e cada secretaria elegeu uma prioridade. Temos 50 coisas para resolver em cada pasta, mas pedi uma prioridade para cada secretário. Temos, por exemplo, uma UPA inacabada que quero fazer funcionar, além da instalação de um prontuário eletrônico. Não seria uma prioridade em particular para o município todo, mas cada pasta tem a sua necessidade e seu objetivo. Então vamos priorizar essas coisas apontadas e trabalhar em cima disso para que cada secretário possa avançar significativamente em 2019.
JM: Como deputado vê a relação com o governo do Estado? Essa nomeação do Sandro Alex auxilia de que forma o município nas conversas com o governador?
Derbli: O Sandro Alex é um dos representantes de Irati. No ano passado, conseguiu muitos recursos para a nossa região, principalmente para a Unicentro – foram mais de R$ 8 milhões. Também conseguiu equipamentos... Foi um deputado muito ligado na cidade de Irati, com uma sintonia muito grande. Com o Ratinho Junior também temos amizade, assim como tínhamos uma ligação com Cida Borghetti por ser o nome de Richa. Mas nossa afinidade com o atual governo é boa. O governador é inteligente, sabe que precisa governar para o Estado inteiro e não só para os aliados. Em Irati o Ratinho Junior conquistou 17 mil votos, contra 5 mil do segundo colocado. Ele despontou com 80% dos votos. Tenho certeza que isso fará com que nossa relação fique ainda mais próxima.
JM: E em relação ao governo de Bolsonaro, o prefeito tem alguma expectativa? O senhor acha que ele pode cumprir com a promessa de campanha de dar mais autonomia aos municípios?
Derbli: Se o Bolsonaro atender a Confederação Nacional dos Municípios no sentido de fazer o Pacto Federativo, isso deve garantir uma melhor distribuição de renda. Hoje nossos recursos vão todos para Brasília e pouco disso retorna aos municípios. Mas todos sabemos que as coisas acontecem aqui na ponta, nas cidades. É aqui que precisamos de investimentos em Saúde, nas estradas... Então ele tem que fornecer mais recursos, que isso nos dará mais autonomia. E, como disse, espero que continue com as emendas já firmadas e com os projetos já em andamento. Esperamos que o governo não corte o que já foi negociado. Se ele fizer isso, acredito que não terá ninguém para ‘bater’ este governo.
JM: O prefeito já realiza algum trabalho no município visando as eleições de 2020?
Derbli: Essa avaliação nós vamos fazer somente no final do ano. Acredito que o que a gente plantar durante este ano é o que vamos colher no ano que vem. Se tudo acontecer da forma correta, e os recursos já firmados foram concluídos, vamos fazer uma avaliação para pensar em uma possível reeleição – ou não. Agora é prematuro dizer qualquer coisa. Esse ano será uma eleição muito disputada por conta do fim das coligações para vereadores. Quem tiver uma chapa boa, se elege. Quem não tiver, ficará para trás. Mas vamos avaliar no final do ano somente, de acordo com o trabalho que vamos realizar.




















