Pudim e salsicha estão em lista de exigências de presos

Uma lista de compras de fazer inveja a muitas famílias. Pudim de chocolate, refrigerante, frutas, salsicha, bolacha sortida e até cigarro. Esses eram os itens reivindicados pelos presos da carceragem da Polícia Civil de Imbituva, região dos Campos Gerais. O motim durou mais de 20 horas e foi encerrado no final da tarde de ontem (20).
No total, 55 presos ficaram rebelados no local desde segunda-feira. Policiais militares de Irati, policiais civis de Ponta Grossa, representantes da OAB e do Ministério Público estiveram no local para ajudar na negociação com os presos. Ninguém ficou ferido, segundo as autoridades. A Secretaria de Estado de Segurança Pública e Administração Penitenciária não considera o caso uma rebelião, já que ninguém foi feito refém.
Reivindicações
O delegado de Imbituva, Agostinho Mussilini, diz que os detentos reclamam de uma série de fatores, entre eles a superlotação, as condições de insalubridade das celas, além da forma como está sendo fornecida a comida e realizada as visitas aos detentos. Agostinho considerou que algumas reivindicações são impossíveis de ser atendidas. Ele ainda comenta que o motim pode ter sido uma retaliação após algumas ações realizadas na semana passada para impedir a entrada de drogas e celulares na Delegacia.
“Semana passada houve uma operação de revista onde foram apreendidos 37 celulares e uma quantidade de maconha. Ainda durante a semana passada, foi apreendida uma quantidade de quase 600 gramas de maconha, que foram arremessados pelo solário, celulares arremessados, juntando todos os fatores é o resultado dessa ação de hoje”, relatou Agostinho
Uma lista divulgada pela Polícia Civil da cidade mostra alguns dos itens reivindicados pelos presos. Entre as exigências, estão oito pudins de chocolate, uma bandeja de salsichas grandes, coxa e sobrecoxa, além de várias frutas e verduras.

A Juíza da Comarca de Imbituva, Sandra Lustosa Franco, disse à Rádio Najuá que os presos questionavam a forma como a alimentação e a água é fornecida na cadeia. Sandra informou que as reivindicações serão analisas em conjunto com o Delegado Agostinho Mussilini Junior. Segundo a Juíza, algumas solicitações poderão ser atendidas para evitar que novos tumultos e rebeliões aconteçam. “O que for necessário acolher, a gente vai acolher, porque eles precisam de um pouco de dignidade vivendo lá dentro, num ambiente que cabem oito pessoas eles estão vivendo em 55. Tem que tentar amenizar um pouco até para evitar essas rebeliões e correr o risco para a sociedade”.
Sandra também explicou como teve início o motim na carceragem. “Essa operação só se deu porque houve um princípio de rebelião nesta madrugada [de terça-feira] e há indícios que eles [presos] estão com celular e drogas dentro da carceragem. Por isso, foi implementada essa ação da Polícia Civil em conjunto com a Rotam”. Após o fim do tumulto, policiais revistaram as celas e retiraram celulares e estoques de dentro da cadeia.





















